Entrevista a Raoul Vaneigem

20 11 2009

▴ Chris Marker’s Gay-Lussac (Paris, May 1968)
Image courtesy Peter Blum, New York.

Excertos da entrevista de Hans Ulrich Obrist a Raoul Vaneigem em Agosto deste ano para a revista e-flux. A entrevista era bastante extensa e por isso resolvi traduzir apenas algumas partes relevantes.

Hans Ulrich Obrist: Acabei de visitar Edouard Glissant [escritor, poeta, romancista, teatrólogo e ensaísta francês] e Patrick Chamoiseau [escritor francês], que escreveram um apelo a Barack Obama. Qual seria o teu apelo ou conselho a Obama?

Raoul Vaneigem: Recuso-me a cultivar qualquer tipo de relação com pessoas de poder. Concordo com os Zapatistas de Chiapas que não querem ter nada a ver nem com o Estado nem com os seus chefes, as máfias multinacionais. Eu proponho a desobediência civil de forma que as comunidades locais possam formar, coordenar e começar a auto-produzir poder natural, uma forma de cultivo mais natural e serviços públicos finalmente libertos dos esquemas do governo quer seja de direita ou de esquerda. Por outro lado, dou as boas-vindas ao apelo de Chamoiseau, Glissant e os seus amigos para a criação de uma existência em que a poesia de uma vida redescoberta coloque um fim ao estrangulamento mortal da mercadoria.

[...]

Hans Ulrich Obrist: A Internacional Situacionista definiu o situacionista como alguém que se compromete a construir situações. Que eram essas situações para ti, concretamente? Como definirias o projecto situacionista em 2009?

Raoul Vaneigem: Pelo seu próprio estilo de vida e de pensamento, o nosso grupo estava já a esboçar uma situação, como um primeiro desembarque em pleno território inimigo. A metáfora militar é questionável, mas transmite a nossa vontade em libertar a vida diária do controlo e estrangulamento de uma economia baseada na exploração lucrativa do homem. Nós formamos um grupo-em-risco que estava consciente da hostilidade do mundo dominante, da necessidade de ruptura radical, e do perigo de ceder à paranóia típica das mentes sob cerco. Mostrando os seus limites e as suas fraquezas, a experiência situacionista também pode ser vista como uma meditação crítica sobre o novo tipo de sociedade esboçada pela Comuna de Paris, o movimento Makhnovista e a República de Conselhos dizimada por Lenine e por Trotsky, pelas comunidades libertárias em Espanha mais tarde esmagadas pelo Partido Comunista. O projecto situacionista não é acerca do que acontece assim que a sociedade de consumo é rejeitada e uma sociedade humana genuína emerge. Ao invés, ele esclarece agora como a vida pode suplantar a sobrevivência, o comportamento predatório, o poder, o comércio e o reflexo-de-morte.

[...]

Hans Ulrich Obrist: Escreveste muito sobre a vida, não sobre a sobrevivência. Qual é a diferença?

Raoul Vaneigem: Sobrevivência é vida orçamentada. O sistema de exploração da natureza e do homem, a partir do Neolítico Médio com a agricultura intensiva, causou uma involução em que a criatividade – uma qualidade específica dos seres humanos – foi suplantada pelo trabalho, pela produção de um poder avarento. A vida criativa, como se começou a desenvolver durante o Paleolítico, declinou e deu lugar a uma luta brutal pela subsistência. A partir de então, a predação, que define o comportamento animal, tornou-se o gerador de todos os mecanismos econômicos.

[...]

Hans Ulrich Obrist: No seu livro «Making Globalization Work», Joseph Stiglitz defende uma reorganização da globalização no sentido de trazer maior justiça, a fim de diminuir os desequilíbrios mundiais. O que achas da globalização? Como é que nos podemos livrar do lucro como motivação e em vez disso procurar o bem-estar? Como é que nos livramos do imperativo do crescimento?

Raoul Vaneigem: A moralização do lucro é uma ilusão e uma fraude. Tem de haver uma ruptura definitiva com um sistema económico que tem sistematicamente propagado a ruína e a destruição ao mesmo tempo que pretende, por entre a miséria generalizada, produzir um hipotético bem-estar. As relações humanas devem substituir e terminar com as relações comerciais. A desobediência civil significa desrespeitar as decisões de um governo que defrauda os seus cidadãos para apoiar o desfalque do capitalismo financeiro. Para quê pagar impostos ao estado-banqueiro, impostos usados em vão para tentar tapar o ralo da corrupção, quando pelo contrário podemos direccioná-los para a auto-gestão de redes de energia livre em cada comunidade local? A democracia directa de conselhos auto-geridos tem todo o direito de ignorar os decretos da democracia parlamentar corrupta. A desobediência civil a um Estado que nos está a saquear é um direito. Cabe-nos aproveitar esta mudança histórica para criar comunidades onde o desejo pela vida supere a tirania do dinheiro e do poder. Não precisamos de nos preocupar nem com a dívida pública, que encobre uma enorme fraude no interesse público, nem com o artifício do lucro a que eles chamam de “crescimento.” De agora em diante, o objetivo das comunidades locais deve ser o de produzir para si próprias e para si próprias todos os bens de valor social, atendendo às necessidades de todos – necessidades autênticas, isto é, não as necessidades pré-fabricados pela propaganda consumista.

Hans Ulrich Obrist: Edouard Glissant distingue entre globalidade e globalização. A globalização elimina as diferenças e homogeneíza, enquanto globalidade é um diálogo global que produz diferenças. O que achas da sua noção de globalidade?

Raoul Vaneigem: Para mim, deve significar agir localmente e globalmente através de uma federação de comunidades em que a nossa democracia parlamentar desviadora de fundos e corrupta é tornada obsoleta pela democracia direta. Conselhos locais serão criados para tomar medidas que favoreçam o meio ambiente e a vida quotidiana de todos. Os situacionistas chamaram a isto “criar situações que excluam qualquer retrocesso.”

[...]

Hans Ulrich Obrist: No seu livro «Utopistics», Immanuel Wallerstein afirma que o nosso sistema mundial está a passar por uma crise estrutural. Ele prevê que serão necessários mais vinte a cinquenta anos para um sistema mais democrático e igualitário substituir este. Ele acredita que o futuro pertence a instituições «desmercantilizadas» e livres de custo (segundo o modelo, digamos, das bibliotecas públicas). Portanto, devemos opor-nos à mercantilização da água e do ar. Qual é a tua opinião?

Raoul Vaneigem: Não sei quanto tempo levará a transformação actual (esperemos que não muito, pois gostaria de a presenciar). Mas não tenho dúvidas que esta nova aliança com as forças da vida e da natureza disseminará igualdade e gratuidade. Devemos ultrapassar a nossa indignação natural pela apropriação lucrativa da nossa água, ar, solo, meio ambiente, plantas e animais. Devemos criar colectivos capazes de gerir os recursos naturais em benefício dos interesses humanos, não dos interesses do mercado. Este processo de reapropriação que eu prevejo tem um nome: auto-gestão, uma experiência tentada muitas vezes em contextos históricos hostis. Neste altura, dada a implosão da sociedade de consumo, parece ser a única solução tanto do ponto de vista individual como social.

[...]

Hans Ulrich Obrist: Poderias falar sobre o princípio da gratuitidade (estou extremamente interessado nisso; como curador de museu sempre acreditei que os museus devem ser livres – Arte para Todos, como Gilbert e George o colocam).

Raoul Vaneigem: Gratuitidade é a única arma capaz de despedaçar a poderosa máquina de auto-destruição posta em movimento pela sociedade de consumo, cuja implosão está ainda a libertar, como um gás mortal, mentalidade de sovina, cupidez, ganho financeiro, lucro e predação. Museus e cultura devem ser livres, concerteza, mas também o deviam ser os serviços públicos, actualmente presos aos esquemas das multinacionais e estados. Comboios gratuitos, autocarros, metros, cuidados de saúde, escolas livres, água livre, ar, electricidade, energia livre, tudo através de redes alternativas a serem criadas. À medida que a gratuitidade se espalha, novas redes de solidariedade erradicam o estrangulamento da mercadoria. Isto porque a vida é uma dádiva gratuita, uma criação contínua que a vil especulação do mercado nos priva.

#mescalero

 





Fortes protestos marcam celebração de revolta estudantil na Grécia

18 11 2009

«Hoje (17), em Atenas, milhares de pessoas participaram da marcha anual em memória a revolta estudantil de 1973 na Grécia. Aproximadamente 6.000 manifestantes engrossaram o bloco anarquista, um dos maiores dos últimos anos.

No bairro de Exarchia foram registrados fortes confrontos entre manifestantes e a polícia, onde os ativistas montaram barricadas e lançaram coquetel molotov, pedras e garrafas contra os agentes de segurança. Pelo menos 300 pessoas foram presas.

Em Tessalônica, também houve choques entre manifestantes e a polícia grega. Jovens atiraram coquetel molotov nos policiais e chegaram a quebrar janelas de bancos e queimar uma motocicleta da polícia.

Na cidade de Iráclio, na ilha de Creta, dezenas de anarquistas ocuparam a prefeitura local. Manifestantes danificaram diversos estabelecimentos comerciais de luxo e bancos 24 horas.

Em Patras, milhares de pessoas também foram para as ruas para protestar. Os manifestantes destruíram diversos bancos e carros. Muitas janelas de vidro de estabelecimentos comerciais foram quebradas.

Em 17 de novembro de 1973 estudantes foram assassinados durante uma revolta que resultou na derrota do governo militar grego, pelo menos 23 pessoas morreram e centenas foram presas, quando tanques e soldados invadiram o campus da Universidade Politécnica de Atenas. O número de mortos nunca foi oficialmente estabelecido e algumas fontes defendem que o número seja muito maior. Desde então o 17 de novembro é celebrado como um dia de revolta na Grécia.

Fotos Atenas: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1105219

Fotos Tessalônica: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1105299

Fotos Patras: http://patras.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=6408

agência de notícias anarquistas-ana»

#mescalero





A HISTÓRIA DO MOVIMENTO LIBERTÁRIO EM PORTUGAL (PARTE I)

16 11 2009

patria livre

O lançamento do movimento libertário em Portugal é no ano de 1886, a partir da vinda do geógrafo Elisée Reclus e do seu encontro com José Antônio Cardoso.

Em 1886, formou-se um comité anarquista que editou um órgão mensal com o seu nome: “A Centelha”.

Com excepção do sindicalismo de acção directa, o anarquismo foi a componente do movimento social que exerceu mais influência na sociedade portuguesa entre 1886 e 1936.

A partir de 1886, houve um grande crescimento do número de grupos anarquistas. Em cada ano há, em média, cerca de 10 novos grupos. A corrente predominante é a do comunismo-anarquismo.

No final da monarquia, de 1908 a 1910 os republicanos aliaram-se aos anarquistas para implantarem a 1ª República, em 5 de Outubro de 1910. Foram principalmente operários que lutaram e morreram nas revoltas, enquanto os dirigentes republicanos se protegiam nos seus palacetes, esperando o resultado do golpe, para depois aparecerem como heróis da luta contra a monarquia.

Mas, logo em 1911 e 1912, o governo republicano reprime o movimento operário, e muitos operários que apoiavam a república aderiram ao anarquismo. O ritmo de constituição de grupos anarquistas acelera-se, passando de 11 em 1910, são criados mais 61 em 1911, 50 em 1912, 44 em 1913, 57 em 1914, 35 em 1915. Uns trinta novos periódicos vêm tornar mais considerável a imprensa especificamente anarquista entre 1911 e 1916. O facto mais significativo, todavia, reside talvez na criação, pelos militantes, duma Federação Anarquista do Sul (1911), duma outra no Norte (1912) e duma União Anarquista do Algarve (1912), motivados pela preocupação e eficácia. A ascensão espectacular do socialismo libertário parece tanto mais irresistível na medida em que os seus partidários tomam conta do movimento sindical no Congresso de Tomar, em 1914.

Em 1923 é criada a União Anarquista Portuguesa (UAP).

Os anos 20 foram anos de grandes movimentos sociais em que os anarquistas tiveram um papel importante.

Em 1926, realizou-se em Marselha, o Congresso da Federação de Grupos Anarquistas de Língua espanhola em França, de 13 a 16 de Maio. Este congresso havia acordado constituir a Federação Anarquista Ibérica (FAI) bem como a sede desse organismo, dadas as condições anormais de Espanha, fosse fixada em Lisboa, incumbindo a UAP desse trabalho, a qual oportunamente promoveria «um Congresso Ibérico para dar carácter definitivo à dita Federação».

O congresso da UAP, a tal respeito deliberou: «Que seja incumbido o Comité Nacional da UAP de promover uma reunião de delegados do Comité de Relações da UA Espanhola, onde sejam tratados os principais assuntos do movimento internacional e em especial a constituição da FAI».

Entretanto, a União Anarquista Espanhola promove a Conferência Anarquista de Valência, em Junho de 1927, na qual a UAP se fez representar por um delegado directo. Esta conferência mantém a decisão de Marselha quanto ao Comité da FAI, cuja sede deveria fixar-se em Lisboa, visto as condições anormais continuarem em Espanha.

A questão é que essa anormalidade na Espanha, reproduziu-se em Portugal, com continuadas repressões, vários elementos activos foram deportados para África, ficando os restantes sob uma perseguição feroz e o Comité de Relações nunca pôde ser organizado em Lisboa, criando-se mais tarde em Sevilha.

Poucos dias depois do Congresso de Marselha, dá-se o golpe militar de 28 de Maio de 1926, que esteve na origem de uma ditadura militar (1926-1933) e alguns anos mais tarde, em 1933, instaurou-se o Estado Novo, ou ditadura de Salazar, que durou até a 25 de Abril de 1974.

Em 1936, a CGT ainda se faz representar no congresso da CNT, em Saragoça.

Em 1938, o movimento anarquista é já precário. Um grupo de militantes, entre os quais Emídio Santana, fez um atentado falhado contra Salazar.

A partir dessa altura, deixa praticamente de existir um verdadeiro movimento, devido à repressão e ao desmantelamento das organizações.

Ferroadas





CONFEDERAÇÕES DE PAIS FORAM HOJE RECEBIDOS PELA NOVA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

13 11 2009

000AAASe a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) tem já adquirido o estatuto de lambe traseiro do Governo no que se refere a estas matérias, para a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) – mais recente – vai ser uma estreia.
Após cinco audiências pedidas e não atendidas pela anterior dona da Confap, a CNIPE leva agora à nova ministra as suas preocupações e propostas para a Educação em Portugal. As reuniões começaram de manhã, com a Confap e terminaram ao final da tarde com a CNIPE.
A Confap adiantou que  transmitiu à nova ministra posições já hipoteticamente assumidas perante a sua antecessora, Maria de Lurdes Rodrigues, ou seja, dinheiro para cá, macacada para lá.

# http://portugaldospiqueninos.blogspot.com/





Sábado, 14/Nov: jantar de apoio ao CCL

13 11 2009

Centro de Ccultura Libertária

http://culturalibertaria.blogspot.com

QUEREM DESPEJAR O CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA

O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos, está a ser ameaçado de despejo por parte do proprietário.

O CCL é um ateneu cultural anarquista fundado em 1974 por velhos militantes libertários que resistiram à ditadura, ocupando desde então o espaço arrendado no número 121 da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. Tem sido um espaço fundamental para o anarquismo em Portugal acolhendo sucessivas gerações de anarquistas e libertários. O Centro possui uma biblioteca e um arquivo únicos em Portugal, com material anarquista editado ao longo dos últimos cem anos, assim como uma distribuidora de cultura libertária. Durante a sua existência, o Centro acolheu várias actividades, tais como debates, passagens de vídeo ou diversos ateliers. Diferentes publicações aqui se editaram, como a Voz Anarquista nos anos 70, a Antítese nos anos 80, o Boletim de Informações Anarquista nos anos 90 e o Húmus, mais recentemente.

Em Janeiro de 2009, foi instaurada por parte do proprietário do edifício uma acção de despejo contra o Centro. Esta acção foi contestada por vias legais, o que deu lugar a um julgamento que decorreu entre Setembro e Outubro. No dia 2 de Novembro, foi emitida a sentença que resultou na resolução do contrato de arrendamento, tendo sido dados 20 dias ao Centro para abandonar as suas instalações.

O Centro vai recorrer desta decisão. Nesta nova fase é preciso suportar custos que dizem respeito ao recurso e aos honorários do advogado. Até à data ainda não sabemos exactamente a quantia necessária mas, pelo que averiguámos, será necessário reunir umas largas centenas de euros.

O contexto que deu origem a este caso não diz respeito apenas ao Centro de Cultura Libertária, mas a todos aqueles que se vêm a braços com a falta de escrúpulos dos senhorios e restantes especuladores imobiliários. É importante relembrar que, ainda que este processo tenha sido iniciado sob alegações do ruído excessivo produzido pelos frequentadores do Centro, estão em causa outros interesses, nomeadamente o do senhorio em rentabilizar o espaço, alugando-o por um preço bastante mais elevado do que o praticado agora.

O desaparecimento deste Centro significaria a perda de um importante espaço de reflexão, debate, luta e resistência.

À semelhança dos/as companheiros/as que lutaram para que este espaço existisse, resistiremos uma vez mais, e NÃO perderemos o CCL nem às mãos dos tribunais, nem da especulação imobiliária nem por nada.

Continuaremos a lutar para que este espaço continue!

Toda a solidariedade e apoio que possam dar força à resistência do CCL é da máxima importância e urgência.

Saúde e Anarquia!!!

Centro de Cultura Libertária

07.11.09
Contacto:
E-mail:
ateneu2000@yahoo.com

Correio:

Apartado 40

2800-801 Almada – Portugal

Blog:

http://culturalibertaria.blogspot.com





Benefit Solidário

4 11 2009

“Antes Verde Eufémia que Amarelo Transgénico”

Apoio aos acusados de Silves

Na sequência do corte de cerca de um hectare de milho transgénico, há dois anos, em Silves, há três arguidos no processo que decorre na Justiça portuguesa. E há um movimento de pessoas que se solidariza com os acusados deste processo e com a acção do Movimento Verde Eufémia.

O Algarve foi a primeira região portuguesa a declarar-se Zona Livre de Transgénicos. Em contrapartida, a Herdade da Lameira foi a primeira propriedade da região a cultivar milho transgénico, no caso da variedade MON810, violando a declaração e desrespeitando a vontade dos cidadãos.

A 17 de Agosto de 2007, cerca de 150 pessoas dirigiram-se para a Herdade da Lameira, perto de Silves, para fazer um protesto contra o cultivo de transgénicos. Na acção teve lugar uma ceifagem simbólica de menos de 1 hectare de milho transgénico.

Os activistas ofereceram publicamente ao agricultor sementes para recultivar os 51 hectares de milho transgénico com milho biológico. A proposta foi rejeitada pelo dono da propriedade, que continua a cultivar milho transgénico.

Nos dias que seguiram à acção, a vasta atenção mediática que o Movimento Verde Eufémia recebeu instigou uma grande polémica, com ressonância no público em geral, no próprio movimento ambientalista, no governo e nos meios académicos. Nunca uma acção ambientalista recebeu tanta atenção na história recente em Portugal.

Face à mediatização da acção, o governo, responsável por uma política favorável aos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), reagiu com agressividade, numa tentativa de isolar os activistas do Movimento Verde Eufémia, através da mesma estratégia de amedrontamento e criminalização que toda a União europeia reserva para qualquer movimento contestatário. Nesse sentido, chegou ao ridículo de rotular a acção como um “acto terrorista” (Europol EU Terrorism Situation and Trend Report, 2008). Algumas pessoas relacionadas com o caso pela polícia, correm agora o risco de ser julgadas e punidas. Tornou-se, assim, mais difícil agir contra os OGM em Portugal. Os indivíduos, ou organizações que o fazem, correm um grande risco de ficar sob suspeita e vigilância das autoridades.

Com este benefit pretende-se:

  • Mostrar solidariedade com as pessoas acusadas no processo Verde Eufémia;
  • Obter fundos monetários para o processo judicial do caso;
  • Mostrar a todos os actores envolvidos no debate que a acção do Movimento Verde Eufémia não é um caso isolado no contexto histórico português e muito menos no actual contexto internacional, onde este tipo de acções são comuns, em particular contra o cultivo de OGM;
  • Promover o debate sobre o conceito de desobediência civil, do seu valor como uma forma de participação activa e empenhada da sociedade civil e da sua necessidade para salvaguardar as pessoas e o ambiente;
  • Promover a discussão sobre o tema dos transgénicos em Portugal;
  • Defender a liberdade de expressão de todos os cidadãos.

Convidamos, por isso, todos os que se sintam identificados com os objectivos deste grupo a promover acções de solidariedade em volta deste tema.

Para mais informação:

http://solimove.liveinfo.nl/
http://eufemia.ecobytes.net

Info da conta para donativos no apoio judicial da acção:
Conta: 0006 0947 8355
NIB: 0007 0000 00609478355 23
IBAN: PT50 0007 0000 0060 9478 3552 3
SWIFT/BIC: BESCPTPL

via Blogo Social Português

# mescalero





POR UMA SOCIEDADE LIBERTÁRIA

19 10 2009

244

imagem net

Parte II

Aqueles que estão familiarizados com as tradições radicais reconhecerão um foco anarco-comunista neste esboço de comunidade, um foco anarco-sindicalista no controle dos trabalhadores, e um foco anarco-feminista pela abolição da distinção entre esferas públicas e privadas da vida social. Acredito que sem a presença de cada um desses elementos os outros não poderão ser alcançados. Se apenas os trabalhadores controlassem tudo sozinhos sem deixar nenhum espaço de tomada de decisão à comunidade como um todo estaríamos a deturpar toda a razão revolucionária. Impedir que a comunidade participe também no controle dos meios de produção é algo sem sentido, vazio. O fracasso na democratização e na socialização das Casas, o fracasso em incluí-las (e sua consequentemente reprodução) como parte explícita e integrante dos arranjos sociais, deixaria intacta a divisão por género, ao mesmo tempo em que perpetuaria a dicotomia público/privado.

 Nas recentes décadas surgiram novas cidades, praticamente do nada, principalmente pelo “fomento” de empreendimentos de intercambio. Também, muitas casas utópicas completamente novas foram estabelecidas ao longo do século XIX nos Estados Unidos, e talvez noutros lugares. Seguramente será possível, tendo os recursos, construir novas casas a partir do nada no futuro, pelo menos numa escala limitada. Entretanto, esta será certamente mais uma excepção do que uma regra, especialmente no começo desta revolução. Na maioria das vezes, construir a partir do nada estará fora de questão durante os primeiros 50-75 anos.

 Portanto, a tarefa actual que enfrentamos é transformar estruturas existentes (edifícios, fábricas) e relações sociais naquilo que desejamos. Precisamos tentar imaginar como o nosso bairro modelo ficaria depois de ter sido convertido a partir de um bairro urbano típico (em vez de construí-lo do nada).

Vejamos primeiro se podemos converter a fábrica existente em algo mais útil ao viver democrático, cooperativo, sem esquecer que esta é a parte mais fácil; difícil mesmo é transformar as relações sociais (por exemplo, propriedade, família, trabalho, e as relações que exercem entre si). Lidarei com isto mais abaixo discutindo como chegar lá.

 Fábricas e lojas podem ser facilmente adaptadas, caso não possam ser usadas como estão (depois de ocupadas e serem auto-gestionárias). Algumas áreas terão que ser dedicadas às reuniões dos Círculos Operários e assembleias de projectos.

 Mais difícil será transformar uma rua cheia de residências individuais numa casa. Provavelmente algumas improvisações podem ser feitas: constroem-se passagens e túneis entre os edifícios; certos quartos para seminários, cuidados médicos, bloquear certas ruas para ordenar de forma diferente, ampliação de uma ou duas cozinhas numa unidade comunal; rearranjo de quartos, etc..

Também será difícil de achar um espaço de reunião para a Assembleia de Casas. Há opções porém. Uma igreja, um ginásio ou poli-desportivo seria uma forma de se encontrar a solução. Mas também, armazéns, supermercados e lojas. A maioria destes espaços não pode segurar 2000 pessoas porém. Pode ser necessário começar com Assembleias de Casas menores – digamos, cinco Casas de 200 pessoas cada – formando uma Assembleia de Casas de 1000 pessoas, em vez de dez Casas formando uma Assembleia de Casas de 2000 pessoas.

Mais tarde, quando o fluxo de riqueza do bairro para a classe dominante for interrompido, quando a riqueza da classe dominante for re-apropriada pelo povo, os bairros irão querer, indubitavelmente e terão recursos para fazer isso, construir espaços mais apropriados para a Assembleia de Casas, especialmente projectados para isso, como também novos complexos comunitários. Mas no princípio teremos que sobreviver com o que já existe. Todas as riquezas produzidas por séculos a fio estão embutidas no desenho arquitectónico actual, um desenho que reflecte os valores, prioridades e relações sociais capitalistas. Levará muito tempo até que possamos demolir e reconstruir todo esse mundo físico, de forma a expressar as necessidades de pessoas livres. Para tal haja união.

Uma vez reconstruído, a nova civilização será caracterizada pelos seus espaços reservados à realização de assembleias. Da mesma maneira que mundos anteriores foram caracterizados pelas pirâmides do Egipto antigo, pelos templos e teatros da Grécia antiga, pelos castelos e catedrais da Europa medieval e pelos bancos e arranha-céus do capitalismo moderno, assim, o novo mundo social de pessoas cooperativamente autónomas será conhecido pelos seus espaços de reunião. Tais espaços em sua maioria terão distintas características arquitectónicas. Indubitavelmente serão de todas as formas e tamanhos. Além das grandes câmaras de assembleia gerais para os bairros (Assembleias de Casas), serão necessários alguns pequenos espaços que se adequam ao desenvolvimento dos projectos necessários a cada Casa e aos encontros dos Círculo Operário, como também espaços maiores para projectos ampliados e assembleias da Casas ampliadas. Após discussão e aprovação, algumas pessoas projectarão, construirão e equiparão bonitos  e excelentes espaços, onde de uma forma solidária todos se sentirão Homens Livres.

…continua

#Ferroadas





POR UMA SOCIEDADE LIBERTÁRIA

12 10 2009

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Vamo-nos concentrar num mundo alternativo. Suponhamos que seja possível construir um mundo social totalmente novo a partir do nada, ou seja, se fôssemos construir os bairros do nosso jeito. Com seriam?

      Eu imaginei um bairro assim:

Casas: Casas (no contexto dessa proposta) são unidades de aproximadamente 200 pessoas coabitando em um complexo de edifícios disponibilizando uma variedade de infrastruturas para indivíduos isolados, duas pessoas, famílias, e grandes famílias. O complexo teria instalações para reuniões, espaços comunais (como também espaços privativos) cozinha, lavandaria, educação primária e pré-primária, oficinas, ginásios, ambulatório de cuidados médicos básicos, maternidade, pronto-socorro e algumas instalações recreativas. As Casas são administradas democrática e cooperativamente por uma Assembleia directa de membros.

Projectos: Os projectos incluiriam todas as actividades cooperativas (mais de uma pessoa): agricultura, fabrica, ensino superior, pesquisa, medicina avançada, comunicações, transporte, artes, jogos desportivos, e assim sucessivamente, juntamente com outras actividades cooperativas dentro da própria Casa (cozinha, ensino, cuidados com crianças, serviços médicos, manutenção, etc.). Os edifícios seriam projectados e construídos para estas várias actividades. Interiormente, tais projectos seriam administrados democrática e cooperativamente por uma assembleia directa de sócios e ou membros. Alguns projectos, talvez a maioria, seriam controlados, no bom sentido, directamente pelo bairro, pela Assembleia do Bairro. Outros projectos seriam controlados por acordos entre várias ou muitas Assembleias dos Bairros.

Círculo Operário: Círculos Operários seriam unidades de aproximadamente 30-50 pessoas. Cada pessoa no bairro pertencerá a apenas um agrupamento de afinidade, desenhado o seu projecto piloto. Eventualmente tais agrupamentos por afinidade serão compostos por pessoas da mesma Casa mas a maioria delas estará envolvida com projectos fora da Casa, ou até mesmo fora do bairro. Todos os projectos (actividades cooperativas) serão tocados por tais agrupamentos. Estes agrupamentos se reunirão dentro do projecto para discutir assuntos, os quais, se necessário, serão levados às assembleias gerais. Os assuntos já discutidos no interior de cada projecto serão votados dentro das reuniões. As reuniões dos Círculos Operários são necessárias por causa das deliberações e genuínas discussões praticadas frente-a-frente em grupos com mais de 50 pessoas.

      Se surgirem pessoas de uma mesma Casa mas que actuam em projectos diferentes e queiram passar a trabalhar conjuntamente de forma autónoma, poderão recorrer à Assembleia da Casa enquanto entidade distinta, diferente da Assembleia do projecto (local de trabalho), embora a Casa possua Círculos Operários actuando em projectos como cozinha, educação, cuidado de crianças, e cuidados médicos.

Assembleia da Casa: A Assembleia da Casa é o núcleo da criação social. É uma assembleia de um bairro inteiro, em torno de 2000 pessoas, reunido num espaço próprio e suficientemente grande para facilitar a discussão democrática directa e a tomada de decisão. Claro que na prática o tamanho das Assembleias de Casas variará consideravelmente. Seu limite superior é entretanto determinado pelo número das pessoas que se podem encontrar num espaço suficientemente grande para que possam participar democraticamente das discussões, frente-a-frente e para desenvolver os processos de tomada de decisão.

Uma Associação de Assembleias de Casas: As Assembleias de Casas poderão  unir-se  umas às outras, por meio de pacto ou acordo combinado, formando uma associação maior. Haverá um acordo global que definirá a associação em geral, como também muitos acordos específicos para projectos em particular.

      Na Assembleia de Casas é o bairro que se governa. O bairro faz suas próprias regras, aloca seus próprios recursos e energias e negocia seus próprios tratados com outros bairros. O bairro controlará o espaço físico onde se situa, assim como todos os projectos e Casas dentro dele.

  Assim não teria mais lugar a:

hierarquia, representação, escravo assalariado, motivo de lucro, classes, propriedade privada dos meios de produção, impostos, estado, clero, alienação, exploração, elite de controle profissional de qualquer actividade, ou divisões formais por raça, género, idade, etnia, pontos de vista, convicções, ou inteligência. Este bairro, assim organizado, será a unidade básica da nova ordem social.

…continua

# Ferroadas





Obama Ganhou o Prémio Nobel da Paz

10 10 2009

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09.10.2009 – 13h47

Foi uma notícia que me deixou radiante. Porque é justa, porque é inesperada e é sob todos os aspectos excelente. Felicito o júri do Nobel pela sua coragem e lucidez. Realmente, ninguém tem mais condições para ganhar o Prémio Nobel da Paz do que Barack Obama. Porque é um homem da paz. Porque é um humanista. Porque é um homem de grande lucidez e inteligência política. Percebeu como ninguém que o mundo tem de mudar. Da mesma maneira que ele está a mudar a América, está a mudar a postura dos Estados Unidos no mundo. Com ele, a América aceitou o multilateralismo. Está a falar com a China, com a Rússia, com o Brasil, com o mundo árabe, com os africanos, com a América Latina e, obviamente, com a Europa. Para pôr em marcha uma cultura de paz e para poder transformar um mundo em guerra e pleno de conflitos de vária ordem num mundo dialogante, que perceba que a única possibilidade de fazer mudar as coisas é fazer a paz. Por isso acho que foi a melhor escolha possível. Obama merece-o como mereceram Mandela e tantos outros que se bateram a favor da paz. 

Público

Não estou de acordo com a afirmação, mas Mário Soares sabe que alguns de nós sabemos que estes prémios obedecem a estratégias que estão para além do domínio comum. Nem nos vão explicar! E que há uns Saramagos da nossa “praça” e do Mundo Global vêm nos dizer umas banalidades cheias de Fé e Esperança, como se fossemos um bando de atrasados mentais.

Comparar Obama com Mandela é ofensivo e é preciso não esquecer que Sarcozy foi indigitado para o mesmo prrémio na altura das candidaturas.

 

Como dira Saramago no seu melhor: “Perdoai-lhes Senhor que eles não sabem o que fazem”!

Aos Senhores da Guerra. Amén

 

Isabel Bilros

 

Mário Soares: ”Foi a melhor escolha possível”





Os pobres dos nossos ricos

28 09 2009

ricos

 

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza,produz ricos. Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção.

Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem.

Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos “ricos”.

Aquilo que têm, não detêm.

Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirado susufruir em tranquilidadede tudo quanto roubaram.

Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura.

Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem socialem que houvesse poucas razões para a criminalidade.

Mas se eles enriqueceram foi graçasa essa mesma desordem (…)

MIA COUTO
No rescaldo das eleições e ao espreitar vários blogues,deparei-me com este texto de Mia Couto,com o qual me identifico.

Quem me dera ser poeta para escrever algo sobre os pobres dos nossos pobres…

#Mariazinha





A FALÊNCIA DO SISTEMA

28 09 2009

O constante elevado abstencionismo, verificado em consecutivas eleições, começa a acentuar uma dúvida imperativa: será que estará em causa a legitimidade democrática representativa?

Caso a abstenção se mantenha teimosamente neste patamar (40%) ou venha a subir até níveis mais elevados (60, 70, 80%) em próximos actos eleitorais, como deverá ser entendida a mesma? Uma falência do sistema político vigente? E qual a marca que obrigará definitivamente a assumir-se o facto como tal e a necessidade de procurar formas alternativas a este sistema político podre de corrupção, oportunismo e chupismo, em que os cidadãos cada vez mais descrentes manifestam o seu descontentamento recusando-se sistematicamente em votar?

É altura de se começar a pensar seriamente no assunto e estudar formas práticas e alternativas ao sistema vigente. Uma delas seria a democracia directa, que traria inúmeras vantagens em comparação com a democracia parlamentar. De uma coisa livrar-nos-íamos certamente: de políticos que utilizam o “mandato” que o Povo lhes atribui, segundo eles legitimamente, para fazerem negociatas, alimentarem lóbis e compadrios e “governarem” a seu belo prazer os destinos de quem apenas se lhe pede para depositar o voto numa urna de 4 em 4 anos e nada mais.

# Marreta





MAIS UMA VITÓRIA ESTRONDOSA!

27 09 2009

Mais uma vez o resultado das eleições cifra-se numa vitória estrondosa da abstenção, apesar de malabarismos aritméticos feitos por todos os partidos políticos.

A ilação que se pode tirar deste acto eleitoral é simples: existem cerca de 40%  de anarquistas em potência, mas muitos deles provavelmente ainda não o sabem.

# Marreta





NO TO WAR, SHUT DOWN NATO

23 09 2009

Pegatina-otan-NO

Reproduzo aqui um comunicado do colectivo Luta Social para a adesão a uma rede anti-militarista e anti-nato.

«Contra o militarismo e a guerra.  Contra a NATO – 1ª reunião

Em finais de 2010 vai realizar-se em Portugal uma cimeira da NATO e, está a desenhar-se na Europa uma vasta rede de organizações contra o militarismo e a guerra, para os quais a NATO tem oferecido um contributo destacado. A designação da campanha internacional que se irá desenvolver é: “NO TO WAR – NO TO NATO”.

O facto de a cimeira se realizar em Portugal coloca a quem aqui reside um desafio especial e uma obrigação particular de participação no movimento anti-NATO.

No sentido de colaborar activamente nas realizações que se irão desenvolver, em Portugal e não só, contra a NATO, um grupo de cidadãos decidiu proceder à divulgação de um projecto de constituição de uma rede de pessoas e organizações com o objectivo cívico referido em título.

Para a prossecução daquele objectivo, propõem-se as seguintes premissas de adesão e participação:
Constitui questão decisiva da actuação do grupo, a criação, apoio e divulgação de acções não-violentas contra o militarismo, a guerra e a NATO;

Como movimento vocacionado para unir pessoas, grupos e organizações com o objectivo preciso acima referido, entende-se como elemento central o carácter não-partidário deste movimento, não se excluindo, naturalmente, a adesão de pessoas com filiação partidária;

Todas as decisões, após debate envolvendo todos os aderentes, serão tomadas, tanto quanto possível, por consenso.
Primeira reunião preparatória
Dirigimos-lhe esta mensagem para o convidar a participar na primeira reunião de trabalho, a realizar no dia 30 de Setembro, pelas 18:00, em Lisboa, no SPGL (Rua Fialho de Almeida, nº 3, Lisboa (Metro S. Sebastião).
Temos informações para partilhar e propostas a fazer, bem como recolher as dos outros participantes e avançar para colocar no terreno acções concretas, com uma coordenação conjunta.

Em anexo, incluimos o programa-convocatória de reunião internacional a ocorrer em Berlim, em Outubro, na qual estaremos presentes (v. anexo*).

Para efeitos de dimensionamento do espaço de realização da reunião, agradecemos a confirmação da vossa disponibilidade, respondendo a esta mensagem para iniciativalutasocial@gmail.com»

#mescalero





O CRIMINOSO!

15 09 2009

És tu o criminoso, ó Povo, já que és tu o Soberano. És, é verdade, o criminoso inconsciente e ingénuo. Votas e não vês
que és vítima de ti mesmo. Contudo, não reparaste ainda por experiência própria que os deputados, que prometem defender-te, como todos os governos do mundo presente e passado, são mentirosos e impotentes?
Sabe-lo e queixas-te disso! Sabe-lo e nomeia-los! Os governantes, quaisquer que sejam, trabalharam, trabalham e trabalharão pelos seus interesses, pelos das suas castas e das suas súcias.
Onde foi e como poderia ser de maneira diferente? Os governados são subalternos e explorados: conheces algum
que o não seja?
Enquanto não tiveres compreendido que só a ti cabe produzir e viver à tua maneira, enquanto suportares – por medo
– e fabricares – por crença na autoridade necessária – chefes e directores, fica também a sabê-lo, os teus delegados e os teus amos viverão do teu labor e da tua patetice. Queixas-te de tudo! Mas não és tu o autor das mil chagas que te devoram?
Queixas-te da polícia, do exército, da justiça, das casernas, das prisões, das administrações, das leis, dos ministros, do
governo, dos financeiros, dos especuladores, dos funcionários, dos patrões, dos padres, dos proprietários, dos salários, dos desempregados, do parlamento, dos impostos, dos fiscais da alfândega, dos possuidores de rendimentos, da carestia dos víveres, das rendas dos prédios rústicos e urbanos, dos longos dias de trabalho na oficina e na
fábrica, da magra ração, das privações sem conta e da massa infinita das iniquidades sociais.
Queixas-te, mas queres a manutenção do sistema em que vegetas. Revoltas-te, por vezes, mas para recomeçar sempre no mesmo. És tu que produzes tudo, que lavras e semeias, que forjas e teces, que amassas e transformas, que constróis e fabricas, que alimentas e fecundas!
Porque não consomes até à saciedade? Porque és tu o mal vestido, o mal alimentado, o mal abrigado? Sim, porque és o Zé Ninguém sem pão, sem sapatos, sem morada? Porque não és o senhor de ti mesmo? Porque te curvas, obedeces,
serves? Porque és tu o inferior, o humilhado, o ofendido, o servidor, o escravo?
Elaboras tudo e nada possuis? Tudo é por ti e tu nada és.
Engano-me. És o eleitor, o maníaco do voto, o que aceita o que é; o que, pelo boletim de voto, sanciona todas as
misérias; o que, ao votar, consagra todas as suas servidões.
És o criado voluntário, o doméstico amável, o lacaio, o serviçal, o cão que lambe o chicote, que rasteja diante do
pulso teso do dono. És o chui, o carcereiro e o bufo. És o bom soldado, o guarda-portão modelo, o locatário benévolo. És o empregado fiel, o servidor dedicado, o camponês sóbrio, o operário resignado com a sua própria escravatura. És o carrasco de ti mesmo. De que te queixas?
És um perigo para nós, homens livres, para nós, anarquistas. És um perigo de igual modo que os tiranos, os senhores
que crias para ti próprio, que nomeias, que apoias, que alimentas, que proteges com as tuas baionetas, que defendes com a tua força de bruto, que exaltas com a tua ignorância, que legalizas com os teus boletins de voto – e que nos impões com a tua imbecilidade.
És bem o Soberano que bajulam e levam à certa. Os discursos lisonjeiam-te.
Os cartazes prendem-te a atenção; gostas das parvoíces e que te façam a corte: satisfaz-te, enquanto aguardas que te
fuzilem nas colónias, te massacrem nas fronteiras, à sombra ensanguentada da tua bandeira.
Se línguas interesseiras lambem à volta da tua real bosta, ó Soberano! Se candidatos sedentos de posições de chefia
e atafulhados de banalidades escovam o espinhaço e a garupa da tua autocracia de papel; se te embriagas com as lisonjas e as promessas que te vertem os que sempre te traíram, te enganam e vender-te-ão amanhã: é porque te pareces com eles. É porque não vales mais que a horda dos teus famélicos aduladores. É porque, não tendo podido elevares-te à consciência da tua individualidade e da tua independência, és incapaz de te emancipar por ti mesmo. Não queres, portanto, não podes ser livre.
Vamos, vota bem! Tem confiança nos teus mandatários, acredita nos teus eleitos.
Mas deixa de te queixar. Os jugos que suportas, és tu mesmo que tos impões. Os crimes de que padeces, és tu que os
cometes. És o senhor, és o criminoso e, ó ironia!, és o escravo, és a vítima.
Nós, saturados da opressão dos amos que nos dás, saturados de suportar a sua arrogância, saturados de suportar a tua
passividade, vimos chamar-te à reflexão, à acção:
Vamos, tem um bom movimento: despe o hábito estreito da legislação, lava o teu corpo rudemente, a fim de que
rebentem os parasitas e a bicharia que te devoram. Só então poderás viver plenamente.
O CRIMINOSO É O ELEITOR!

Albert Libertad, Proclamação do
jornal “L´anarchie”, Março de 1906

# Marreta





Homenagem aos desertores do exército nazi

10 09 2009

desertoresmonumento

«Foi inaugurado nesta semana na cidade alemã de Colónia um Memorial ( foto de cima) em homenagem aos desertores e que constitui o primeiro monumento aos desertores do exército alemão (Wehrmacht) durante a II Grande Guerra.

Segundo estimativas já conhecidas, o exército alemão sob comando de Hitler julgou e condenou à morte mais de 30.000 desertores das forças armadas ao serviço do estado alemão hitleriano, de cujo total foram executadas cerca de 20.000 condenações.

Apesar do monumento não fazer justiça a todos os desertores de todos os exércitos do mundo, aqueles homens e mulheres que rejeitaram a loucura militarista que é próprio de qualquer exército, a verdade é que se trata de um reconhecimento público implícito a todos os que desobedecem às ordens militares e abandonam as armas a favor de um mundo sem exércitos.»

anónimo

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mescalero