Processos Revolucionários: Revolução Cubana III

7 07 2009

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«28 de Setembro de 1960. O povo está congregado defronte do Palácio Presidencial para ouvir o Comandante Fidel Castro, que discursará acerca da sua intervenção, dois dias atrás, na ONU. Poucos minutos após o início do acto, explode uma bomba. Fidel interrompe o seu discurso e interessa-se pelo ocorrido. Faz alguns comentários irónicos sobre o imperialismo ianque, e alguns instantes depois explode outra bomba. Sem interromper o seu discurso, Fidel muda o tom de suas palavras e inesperadamente lança o famoso apelo para a organização dos Comités de Vigilância nos quarteirões e bairros das cidades, afirmando:

«Vamos estabelecer um sistema de vigilância colectiva, vamos estabelecer um sistema de vigilância revolucionária colectiva. E vamos a ver como os lacaios do imperialismo se poderão mexer aqui, porque em definitivo, nós vivemos em toda a cidade, um quarteirão, uma mansão, um bairro, que não esteja aqui representado.

Devido às campanhas de agressão do imperialismo, vamos implantar um sistema de vigilância colectiva revolucionária e que toda a gente saiba quem é e o que faz o que vive numa mansão; e que relações teve com a tirania; e a que se dedica; com quem se junta; que actividade realiza. Porque se acreditam que vão poder enfrentar o povo — tremenda derrota vão levar! — porque implantaremos um comité de vigilância revolucionária em cada mansão…, para que o povo vigie, para que o povo observe, e para que vejam que quando a massa do povo se organiza, não há imperialista, nem lacaio dos imperialistas, nem vendido aos imperialistas, nem instrumentos dos imperialistas que se possam mexer.

Estão a brincar com o povo, e não sabem ainda quem é o povo; estão a brincar com o povo, e não sabem ainda a tremenda força revolucionária que há no povo». »

Os Comités de Defesa da Revolução – uma das grandes criações da revolução cubana, Iniciativas Editoriais, Lisboa

#Kaótica





A guerrinha do Barack Obama

5 07 2009

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O Barack Obama já tem a sua guerra particular para brincar; o Afeganistão. Assim está garantido o negócio das papoilas, da indústria de armamento e da guerra norte Americana. Num país pobre, perdido no “Cu de Judas” estão os novos inimigos mortais, os culpados de todos os males do mundo, os Talibãs.
Quando haverá nos EUA um Presidente que não tenha inimigos para abater nem povos para bombardear? Se calhar nunca.

Cá pelo Jardim já começou a campanha de vender os Talibãs como os mais horriveis personagens do mundo e nas televisões já passam as reportagens a mostrar os seus crimes, as suas maldades e a justificação para todas as bombas que lhe pudermos atirar para cima. Tudo como dantes na informação e no controlo da opinião publica.





INTRODUÇÃO AO ANARQUISMO

5 07 2009

A vida depende da agitação provocada por alguns indivíduos excêntricos.

Em homenagem a essa vida, a essa vitalidade, a comunidade deve aceitar certos riscos, deve admitir um pouco de heresia.

Deve viver perigosamente… se é que quer viver.

- Herbert Read

#Marreta





ATENTADO A SALAZAR

4 07 2009

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Emídio Santana militou nas Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga Confederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa.
No seguimento do golpe militar fascista de 28 de Maio de 1926, desenvolveu uma actividade de resistência contra a ditadura e actividade sindical clandestina.
Em 1936, representou a CGT portuguesa no congresso da Confederação Geral do Trabalho de Espanha.
Em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado a Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa. Na sequência do atentado, Emídio Santana é procurado pela PIDE e foge para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prende e envia para Portugal onde é condenado a 16 anos de prisão.
A partir do fim da ditadura1974, Emídio Santana retoma a vida militante activa, nomeadamente como director do jornal A Batalha.
Em 1985, Emídio Santana escreveu Memórias de um militante anarcossindicalista, livro onde recorda momentos importantes da sua vida de militância política
Emídio Santana nasceu em a Lisboa, 4 de Julho de 1906, faleceu também em Lisboa, a 16 de Outubro de 1988 foi um dos mais importantes militantes portugueses do anarcossindicalismo. Foi autor de diversos artigos e ensaios sobre o anarcossindicalismo e o mutualismo.
 
# Ferroadas




Processos Revolucionários: Revolução Cubana II

2 07 2009

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«(…)

Para eliminar as seculares causas do subdesenvolvimento e suas consequências, a Revolução Cubana, definida como uma revolução nacional-libertadora, democrática, anti-imperialista, iniciou a realização de quatro grandes objectivos estratégicos desta primeira etapa do seu desenvolvimento:

1) A Reforma Agrária e o aumento e diversificação da produção agropecuária com vista à satisfação das necessidades nacionais.

2) A industrialização nacional.

3) Romper o monopólio e controle semicolonial que sobre o nosso comércio exterior exerciam os Estados Unidos.

4) Acabar com o controle estrangeiro sobre a economia cubana e estabelecer o domínio nacional sobre ela e sobre todas as riquezas nacionais.

(…) A Lei de Nacinalização das empresas ianques, de 6 de Julho de 1960, colocou fora de combate os banqueiros, os grandes capitalistas e os grandes comerciantes, privando desta forma o imperialismo da fundamental base social que podia apoiá-lo na sua tentativa de fazer retornar o país ao passado.

(…) Por outro lado, o imperialismo accionava os seus organismos internacionais, principalmente a imprensa, para caluniar e desprestigiar a Revolução cubana, iniciando uma feroz campanha anticomunista, em defesa da «democracia», da «liberdade» e da «civilização ocidental cristã», de Fulgencio Batista, Oliveira Salazar, Marcelo Caetano, Augusto Pinochet e muitos outros «dignos» representantes.

(…)»

in Introdução, Os Comités de Defesa da Revolução – uma das grandes criações da revolução cubana, Iniciativas Editoriais, Lisboa

#Kaótica





PORTUGAL RICO E EUROPEU

1 07 2009

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Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. – respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos… Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não ‘pendula’; e, quando ‘pendula’, enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de ‘modernidade’ foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos… – Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa… e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km. Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa. – Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim. Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta… – Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína – aliás, já admitida pelo Governo – porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo…

Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade. Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa. – Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada…

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar – ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada? – Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor. Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, eram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez. Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

# Isabel Bilros





Reformas douradas

28 06 2009

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“O terceiro maior accionista do BCP e presidente do Conselho de Remunerações do banco, Joe Berardo, afirmou, este domingo à TSF, que não se conforma enquanto uns enfrentam dificuldades, outros continuam «a viver à grande e à francesa».

Joe Berardo refere-se, deste modo, ao facto de Jardim Gonçalves, que abandonou a presidência do BCP há ano e meio, continuar a ter regalias de luxo.”

“O ex-homem forte do BCP, Jardim Gonçalves, reformado do banco desde o final de 2007, continua a utilizar o avião alugado e pago pelo banco para uso pessoal – um Falcon 2000, que é alugado anualmente pela instituição financeira à Heliavia, empresa de Hipólito Pires, revela o «Diário de Notícias».

O contrato compreende o pagamento de um determinado número de horas de voo por ano, utilizadas para deslocações da administração e quadros de topo do BCP, para diferentes locais, nomeadamente para os países onde a instituição possui subsidiárias, como Polónia, Grécia, Roménia, Turquia, Moçambique e Angola.”

Esta situação é mais uma afronta a um sector que se diz em ruptura.
Casos como estes abundam em Portugal, desde directores que recebem 7.500,00€ para lerem os jornais até directores financeiros que fazem festanças em casa à conta das empresas onde trabalham,empresas que renovam as frotas automoveis mas depois não aumentam os funcionários. Tudo isto em cunivência com este governo terceiro-mundista que financía os mafiosos e que tudo rouba ao trabalhadores.

#Mariazinha





Justice for Iranian Workers

26 06 2009

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“26 June 2009 – Global Solidarity Action Day

Cuatro organizaciones sindicales mundiales, que representan a más de 170 millones de trabajadores en todo el mundo, han pedido que el 26 de junio sea un día de acción destinado a exigir justicia para los trabajadores y trabajadoras iraníes. Las manifestaciones se llevarán a cabo frente a las embajadas y consulados de Irán para protestar por la continua negación de los derechos sindicales y las detenciones de sindicalistas en el país.

La CSI (Confederación Sindical Internacional), la IE (Internacional de la Educación), la ITF (Federación Internacional de Trabajadores del Transporte), la UITA(Unión Internacional de Trabajadores de la Alimentación, Agrícolas, Hoteles, Restaurantes, Tabaco y Afines) han formando una coalición para este evento, el acontecimiento más reciente de una campaña permanente destinada a velar por la justicia y los derechos sindicales en Irán. Amnistía Internacional respalda esta campaña.

Se pide:-
* La liberación inmediata e incondicional de todos los sindicalistas encarcelados, y en especial de Mansour Osanloo, Ebrahim Madadi y Farzad Kamangar, así como la anulación de las recientes sentencias a un año de prisión impuestas a cinco dirigentes de la Unión de Trabajadores Azucareros de Haft Tapeh;
* Reconocimiento incondicional de todas las organizaciones independientes representantes de trabajadores en Irán, y la readmisión de los trabajadores y trabajadoras que ha sufrido represalias por el hecho de apoyar a dichas organizaciones;
* Ratificación por parte del gobierno iraní de los Convenios
fundamentales de la OIT sobre libertad de asociación y sobre el derecho a la negociación colectiva;
* Firma de convenios negociados colectivamente entre sindicatos independientes y empleadores.”

—————————————-

No site Justice for Iranian Workers pode-se acompanhar as diversas acções de protesto e solidariedade que estão a acontecer por todo o mundo.

Ligação fornecida por anon

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Processos Revolucionários: Revolução Cubana I

24 06 2009

«A Revolução popular avançada desde Janeiro de 1959 é um resultado, historicamente necessário, das consequências funestas para a nação e para o povo, e das contradições insolúveis que caracterizam o regime de subordinação ao imperialismo estrangeiro, à economia semicolonial dentro de uma estrutura capitalista e o latifúndio semifeudal.cuba livre 2

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Dentro desse regime, dominado pelo imperialismo ianque, Cuba não podia resolver nenhum dos seus problemas básicos: não podia acabar com o seu atraso económico, com o monocultivo, com o desemprego crónico, com a fome e a miséria de amplos sectores operários e camponeses, com o analfabetismo e a falta de direitos democráticos e liberdades verdadeiras para o povo».

in Introdução, Os Comités de Defesa da Revolução – uma das grandes criações da revolução cubana, Iniciativas Editoriais, Lisboa

#Kaótica





HISTÓRIAS DA DINAMIZAÇÃO CULTURAL (1974/1975)

23 06 2009

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imagem DAQUI

Saíam de Lisboa, em carros do exército, os militares do MFA [Movimento das Forças Armadas] e os actores. Chegavam à cidade e instalavam-se todos no quartel, onde ficavam durante uma a duas semanas. Dali partiam diariamente para as várias vilas e aldeias da zona onde se realizavam as sessões. Montavam o palco e preparavam a sala. Depois iam pelo povoado, chamando as pessoas, com quem, no café, nas ruas, conversavam e as convidavam para o encontro dessa noite. Não se sabia quais as vedetas que mais atraíam a atenção das populações: se os protagonistas do teatro, se os protagonistas da Revolução dos Cravos.

Quando a peça acabava, estabelecia-se o debate. O público começava por falar com os actores sobre o espectáculo e, a propósito dele, os militares explicavam quem eram e o que estavam ali a fazer: depois de terem libertado Portugal do fascismo, queriam saber o que era preciso fazer para reconstruir o país e melhorar a vida das pessoas. E ali ficavam a responder a perguntas, a tomar notas, a ouvir as queixas, as esperanças, as dúvidas, os medos: “Construam-nos um cemitério porque o mais perto é a 20 quilómetros e, no inverno, quando levamos um de nós a enterrar, morrem mais dois ou três pelo caminho”. “Precisamos de uma ponte”. “Uma estrada dava muito jeito”. “Façam escolas para podermos aprender a ler”. “O que é que vão fazer aos patrões?”. “Limparam mesmo os fascistas todos?”. “E vocês, que ainda por cima têm armas, como é que nos garantem que não vão fazer pior?”.

Altas horas voltavam, actores e militares, para o quartel. E, no dia seguinte, iam fazer o mesmo noutra vila ou aldeia próxima.

Assim foi na primeira campanha (Beira Alta), na segunda (Douro) e na terceira (Trás-os-Montes) ao longo de 1974 e nos princípios de 1975.

Os MFAs fizeram o cemitério, a estrada, a ponte. Mas, a pouco e pouco – confrontados com a pesada herança de 48 anos de fascismo, com o atraso, as carências, a situação social, o caciquismo – esvaía-se-lhes o ânimo voluntarista e emergia uma frustrante consciência da sua total ausência de preparação política. A generosa energia dos “salvadores” dava lugar à apreensão e ao pessimismo dos “responsáveis pelo cumprimento das promessas de Abril”. Confessavam começar a perceber que só com espingardas não conseguiriam levar a bom termo a difícil tarefa – que o povo deles esperava porque a ela se tinham comprometido – de construir um país novo. Seria, por isso, necessário apoiarem-se em quem tinha competência e experiência dessas coisas. Embora com algumas reservas, só o PCP [Partido Comunista Português] lhes parecia estar em condições de os ajudar, porque era a única força de esquerda com uma poderosa organização e uma sólida formação política.

E assim, progressivamente, se assistiu à invasão e ao controle, pelo PCP, da 5ª Divisão (instância das Forças Armadas encarregue das Campanhas de Dinamização Cultural).

Aquele grupo de actores começou a tornar-se incómodo e desajustado às circunstâncias. Porque não aceitou que lhe censurassem os textos do programa; porque se recusou a fazer o espectáculo em condições que considerava atentatórias da qualidade e da boa recepção por parte do público; porque, nos debates, assumiu posições contrárias aos agora mentores do povo e porque, obviamente, não simpatizava com o PCP… voltou para Lisboa a meio da quarta campanha (Minho). E nunca mais foi solicitado para participar em nenhuma, se é que as houve.

Seguiu-se uma afincada e habilmente programada descredibilização, política e cultural, do que tinham sido as Campanhas de Dinamização: “os militares do MFA andaram pelo país a catequizar o povo, a colonizá-lo politicamente, acolitados por um grupelho de Lisboa que, em total desrespeito pela identidade cultural própria das comunidades, lhes impingia produtos artisticos que elas recusavam porque lhes eram totalmente alheios”.

Esta versão dos acontecimentos foi sendo repetida ao longo dos anos pelos militantes do PCP, em toda a parte e por todas as formas, ora com argumentos culturais ora com argumentos políticos, conforme a quem se dirigiam. E assim – encontrando na má-fé, no sectarismo, na inveja ou na simples ignorância, o terreno propício para criar raízes – esta foi a verdade sobre as campanhas que ficou para a história.

É dificil encontrar quem não a repita ainda hoje. Francisco Martins Rodrigues (um dos mais prestigiados e influentes mentores da esquerda), na pág. 23 do seu livro O Comunismo que aí vem (Abrente Editora, 2004), escreve: «Na realidade, as comissões do “poder popular” que mais tarde vieram a reunir sob a presidência benévola dos oficiais, vinham na linha de continuidade das campanhas de “dinamização cultural”, que tinham percorrido a província, a explicar às populações o que era bom para elas. Eram uma reminiscência sublimada da “acção psico-social” em África.» [artigo que fora antes publicado no nº 1 da revista Política Operária, Setembro-Outubro de 1985].

Se, nos bastidores daquela experência, havia intenções e vontades ocultas e o que se passou no terreno foi afinal um desvio indesejado que escapou ao controle dos seus promotores, espera-se que historiadores credíveis o revelem, documentadamente.

Se, apesar das boas intenções dos intervenientes, aquela não foi a melhor forma político-cultural de fazer as coisas, espera-se que políticos e ideólogos credíveis a critiquem e, analisando-a, tirem conclusões para o futuro.

A quem a viveu, cabe tão-só testemunhar o que se passou.

Retirado do site Passa Palavra

Francisco Martins Rodrigues

# Ferroadas





O Paraíso da Burocracia

22 06 2009

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Publico aqui uma entrevista da Folha de São Paulo a Mauricio Tragtenberg (1929-1998), um dos mais importantes sociólogos brasileiros, professor de ciência política e socialista libertário, sobre um dos temas que mais o interessavam, a burocracia, que ele via como “a grande jaula de ferro que aprisionava os indivíduos, bloqueava os projetos de emancipação e facilitava o cerceamento da ação política das classes sociais. Escreveu a respeito um livro fundamental, Burocracia e Ideologia, publicado em 1974 pela Editora Ática.”

O Paraíso da Burocracia – Entrevista de Maurício Tragtenberg a Maria Carneiro da Cunha

FOLHETIM: Qual é a natureza da burocracia?

TRAGTENBERG: Sob o capitalismo ocidental, a burocracia é, ao mesmo tempo, o corpo que “organiza” a produção nas empresas privadas e semipúblicas e representa o poder executivo no funcionamento das grandes unidades administrativas, constituindo parte integrante do Estado. No modo capitalista de produção, ela administra uma coletividade. Para servir ao capital, recebe dele um conjunto de imunidades e privilégios (mordomias) e pulveriza a responsabilidade. Ela é independente e soberana perante a coletividade e possui relativa autonomia em relação à classe dominante, que utiliza para definir seus métodos de recrutamento, sistema de promoção, estatuto e condições de trabalho. Nas sociedades pós-capitalistas, atua como nova camada dominante, ocupando o espaço que antes pertencia à antiga classe capitalista. A burocracia na sociedade capitalista procura legitimar-se em nome dos interesses nacionais; nas sociedades pós-capitalistas, isso é feito em nome dos interesses do proletariado.

FOLHETIM: A burocracia é necessária na educação?

TRAGTENBERG: Um dos elementos em que a burocracia fundamenta sua legitimação consiste em se atribuir a tarefa de “organizar” tudo. Sob o nazismo, a palavra de ordem do regime era: organização. Existe aí uma confusão interessada. Qualquer grupo humano, tendo em vista as finalidades que persegue, organiza-se para tanto. Mas a burocracia é outra coisa: está montada como estrutura de controle, dispondo de imunidades e privilégios. As formas de organização das coletividades visando aos seus próprios fins ocorrem através de uma igualdade básica entre seus membros; a burocracia “em nome da organização”, usa e abusa das imunidades e privilégios inerentes a ela enquanto poder acima dos organizados.

Por isso, ela tem como religião o culto da hierarquia, ou seja, o culto da distribuição desigual do poder, onde poucos podem muito e muitos não têm voz. Assim, na universidade, a principal preocupação da burocracia é o controle: ela procura controlar um saber inexistente ou escasso, da mesma forma que são escassos os recursos a ela atribuídos. Se entendermos a universidade como a sede de produção e reprodução de conhecimentos, a burocracia cumpre um papel inteiramente supérfluo. Se entendermos a comunidade acadêmica como o conjunto de alunos e professores, a burocracia tem um papel parasitário, convertendo os meios (controles) em fins e desestimulando a criação intelectual.

É impossível termos uma universidade avançada num capitalismo retardatário

FOLHETIM: Como a burocracia se institucionaliza nos vários níveis de ensino?

TRAGTENBERG: Esse fenômeno é inerente a qualquer Estado, mas no Estado autoritário ele se acentua, pois há a tendência à centralização monocrática. Cito o exemplo da UNESP, que é a realização de uma utopia burocrática. Nessa instituição, a organização é centralizada e autoritária, as decisões são de cima para baixo e os postos-chave são ocupados por docentes aposentados pela USP ou outros cuja meta científica é uma aposentadoria, constituindo uma cúpula medíocre, sem imaginação ou espírito universitário. O resultado é o pior possível; além da evasão de pessoal qualificado, ocorrem a falta de pesquisa de nível superior (o pessoal de Ciências Humanas surge como novo “Cristo”); a ausência de articulação científica entre as áreas que ocupam os vários campi; a carreira universitária retrógrada, que leva o docente a passar a vida fazendo tese e não ciência (algumas vezes a própria UNESP não reconhece os títulos que “cobra” de seus docentes). Sem falar do salário dos professores, mais baixo do que é pago pelas próprias universidades federais.

Em suma, foi na UNESP que melhor se traduziu a síndrome autoritária do Estado brasileiro, pois lá se recorrei a todas as “salvaguardas” possíveis para manter uma reestruturação desestruturante. Foi esse o destino dos antigos institutos isolados que hoje integram a UNESP. Ela é a realização do modelo estado-novista nos dias que correm, é o passado oprimindo o presente como fantasma, com os mortos governando os vivos. Evidentemente, isso ocorre na medida em que estes se deixam governar por aqueles.

FOLHETIM: Os fatores externos influenciaram essa burocratização?

TRAGTENBERG: Os motivos são inúmeros, havendo articulação entre fatores externos e internos. No plano externo, é impossível termos uma universidade avançada num capitalismo super-retardatário como o existente no Brasil. entre nós, o capitalismo vem realizando seu processo de acumulação, utilizando o Estado como força econômica e tendo como conseqüências a repressão política efetuada pelo Estado; a criação de organismos burocráticos especializados nessa repressão; a intervenção nas associações de classe e sindicatos; a formação de dois “conglomerados” políticos – Arena e MDB – o primeiro no poder e o segundo apenas como eterno aspirante; a institucionalização da censura; a socialização do medo, etc.

Tudo isso deu origem a um período de decréscimo da participação popular nos processos decisórios e fortaleceu a onipotência da burocracia como agente qualificado do poder econômico, que é exercido em nome da sociedade, mas em benefício de alguns poucos. Nesse quadro, as universidades – especialmente as recém-formadas como a UNESP – tiveram seu comando entregue àqueles que possuíam como título maior sua cumplicidade com o poder, muito mais do que sua qualificação científica.

No plano interno, a divisão dos docentes em inúmeros escalões, por decretos do poder, através de “reformas” que são verdadeiras “restaurações”, o culto do “doutorismo” substituindo o “bacharelismo”, constituíram fatores de transformação dos campi universitários em cemitérios de esperanças perdidas. No caso específico da UNESP, há outro elemento a considerar: distribuída pelas cidades do interior a instituição é vulnerável à politicagem local, que interfere nas nomeações dos diretores de suas unidades. Ainda estamos na época da enxada e do coronelismo, sem o voto.

FOLHETIM: A burocratização afeta a transmissão do conhecimento e a liberdade de ensino?

TRAGTENBERG: Sem dúvida, mas é necessário acentuar que nenhum campus universitário é uma ilha. A falta de liberdade de associação e pensamento na sociedade global torna inviável a liberdade acadêmica. A hegemonia do serviço de segurança na estrutura universitária socializa a insegurança. Quando um operador de xerox da Universidade do Rio Grande do Norte, em natal, envia ao serviço de segurança da mesma e este ao MEC uma entrevista publicada na revista IstoÉ sobre trabalho médico, passando por cima do reitor, isso significa que a liberdade está em sursis; quando um ex-chefe de “segurança e informação” da Universidade Federal do Paraná converte-se em seu reitor, isso quer dizer que o regime da “incompetência treinada” é o predominante.

O cancro que corrói a universidade burocrática é que a escolha de seus dirigentes se dá menos pela competência acadêmico-científica e muito mais por sua cumplicidade com o poder. Geralmente, eles sobem pelo elevador de serviço (por serviços prestados ao poder) e não pelo social (por serviços prestados à sociedade global). É claro que a universidade burocratizada, onde a função mais importante não é a produção de conhecimentos, mas o controle sobre eles e as pessoas, tende, no plano interno, à multiplicação das “panelas burocráticas”. No tipo dessas “panelas”, professores investidos do poder de coordenadores de programas de graduação ou pós-graduação, chefes de departamentos, institutos ou faculdades, colocam seus colegas sob “estado de sítio”. Estabelece-se na instituição universitária uma certa “ditadura acadêmica” em que a dissensão é punida com o ostracismo, onde a fofoca de corredor age como retaliação do “excluído”.

FOLHETIM: Quais as conseqüências para a qualidade de ensino e a orientação das pesquisas?

TRAGTENBERG: As piores possíveis. Hoje temos curso de pós-graduação, que não são pós coisa alguma, na medida em que não houve graduação. Eles se constituem em reciclagem de uma graduação inexistente e também cumprem outro papel requerido pelo sistema: manter a maior parte do tempo possível na rede escolar uma mão-de-obra potencial, que se fosse lançada prematuramente no mercado constituiria um fato de tensão social. A pós-graduação é a hibernação de uma mão-de-obra que se encaminha para um mercado saturado, para maior tranqüilidade dos donos do poder. Num país onde o professor universitário – como mostra Karl Popper em A sociedade aberta e seus inimigos – perde seu posto porque é tachado de “comunista”, falar em autonomia universitária, liberdade acadêmica ou participação chega a ser um escárnio. O que os mandarins estatais e universitários não entenderam é que a liberdade não é a submissão livremente consentida a seus ditames; ela é a aceitação daqueles que pensam de forma diferente, em termos estruturais e não meramente ocasionais. Mesmo alguns professores participam dessa visão de mandarins, porque não percebem que não é o professor que ensina e o aluno que aprende, mas que o grande educador é a comunidade; por isso mesmo, o próprio educador precisa ser educado.

Os dirigentes da universidade são escolhidos por serviços prestados ao Poder

FOLHETIM: Como combater nos vários níveis os (eventuais) excessos ou malefícios da burocracia?

TRAGTENBERG: Respondo com os argumentos que Rosa Luxemburgo utilizou em sua polêmica com Lenin: “sem eleições gerais, sem liberdade ilimitada de imprensa e de reunião, sem a livre luta entre as opiniões, a vida morre em todas as instituições públicas, torna-se uma vida aparente, onde resta a burocracia como único elemento ativo” (A revolução russa). E claro que a democracia, como qualquer forma participativa, tem seus limites e defeitos; nesse contexto, a liberdade é uma e indivisível e restringi-la equivale a negá-la.

A burocracia nega a liberdade na medida em que “organiza’ os professores e estudantes por escalões (mestres, doutores, livres-docentes ou alunos de graduação, pós-graduação ou especialização). E uma das muitas manhas burocráticas para dividir o subproletariado intelectual, o qual enfrenta uma burocracia unida por seus interesses e prebendas, que procura preservar e aumentar o seu poder.

A liberdade só é possível entre iguais, socialmente falando; portanto, ela só é possível quando se desvincula o saber do poder na sociedade civil e na universidade. O saber do mestre é a única condição de sua “autoridade”; o controle burocrático dos alunos pelo sistema diferencial de avaliação nas mãos do docente e pela freqüência obrigatória constitui uma forma de autoritarismo. A abolição do sistema de exames e da freqüência obrigatória constituem os pré-requisitos da democratização da universidade, assim como a participação real e não simbólica dos alunos nos órgãos colegiados.

À ditadura da cátedra ou do departamento devemos opor a participação comunitária (estudantes e professores) ma instituição, com iguais direitos de influir nas decisões em todos os níveis. Isso só se torna possível quando, na sociedade global, a maioria dos assalariados tem liberdade para se auto-organizar em seus locais de trabalho ou em órgãos associativos de todo tipo; em suam, quando aqueles que não têm voz conquistam o direito de tomar a palavra.

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Fonte: Folha de S. Paulo, Folhetim, 21.10.1979.

via Maurício Tragtenberg – Educador Libertário

mescalero





Sócrates nega estar a criar nova imagem

21 06 2009

PT_Jos_Socrates01Numa sessão do Fórum Novas Fronteiras, José Sócrates pediu contributos para o programa eleitoral socialista. O secretário-geral do PS alegou inicialmente que não está “a fabricar uma nova imagem”, mas depois de pressionado pelos jornalistas José Sócrates confessou que está realmente a construir uma nova imagem. Sócrates achou por bem confessar, não se desse o caso de os cidadãos não se aperceberem da sua nova imagem. Admirado por terem dado pelas diferenças, Sócrates elogiou o papel dos jornalistas por realçarem esta problemática tão crucial para o país como é a construção da sua nova imagem, assunto de que depende toda a política doméstica e internacional…

#José Espremido Até Ao Tutano





SÓCRATES NEGA DUPLA PERSONALIDADE

21 06 2009

1133923_9f22_625x1000O primeiro ministro e secretário geral do PS, José Sócrates insurgiu-se, hoje, na sessão de abertura do fórum Novas Fronteiras, no Parque das Nações, em Lisboa, contra as críticas que lhe atribuem uma mudança de personalidade com intenção de “fabricar” outra imagem em vésperas de eleições.
A versão Sócrates “Português Suave”, não passa de uma tentativa de negar a evidência.
O Zézito pensará que somos atrasados mentais, e que os portugueses não reconheceram a sua falsa doçura, na entrevista à SIC.
O homem è um caso clínico!

#José Espremido Até Ao Tutano





CACHUPA LIBERTÁRIA!

19 06 2009

cachupa

A noite é nossa!

# Marreta





Pode alguém ser quem não é?

16 06 2009

liberdade2Imagem daqui

O Paradoxo da Liberdade

É porque eu sou a minha voz, é porque ela existe minha no instante em que a estou erguendo, que me escapa a sua intelecção. E todo o equívoco do problema da liberdade está aí. Porque a liberdade experimenta-se e nada a pode demonstrar. Demonstrá-la exigiria que estivéssemos fora de nós, porque na própria demonstração estamos sendo o homem livre cuja liberdade desejávamos provar. Assim essa tentativa, como disse, é tão absurda como pretender a intelecção de uma língua fora de uma qualquer língua. Porque enquanto entendo uma língua, estou sendo aquela língua dentro da qual estou entendendo a outra. Quanto estou tentando entender a minha liberdade estou sendo quem sou na intelecção disso que sou. Eis-nos pois remetidos para o limiar de nós próprios, para o absoluto da escolha antes da escolha, para a identidade incompreensível entre o ser que é o nosso e a escolha desse ser.
Que tem que fazer aqui a razão? Somos livres, como sabemos na consciente vivência do acto de ser consciente. Somos livres, como o sabemos da possibilidade de se ser e de se saber que se é, da infinita e infinitesimal diferença entre mim e mim, entre ser-se o que se é e o saber-se que se é esse ser, da infinitesimal diferença entre o ser que é o nosso e o ter querido ser esse ser.
Mas do estar-se sendo quem se é e do paralelo saber-se que se é e se quis ser esse ser, não é possível arrancarmo-nos nem para sermos outro ser diferente daquele que se quis ser, nem para entendermos como e porquê o que nos faz querer ser o que somos, nos fez de facto querer ser esse ser. Porque quando queremos isso e nos colocamos pois antes disso, já estamos sendo esse isso. Assim a intelecção da liberdade oscila perpetuamente entre a afirmação gratuita dessa liberdade e de um rigoroso determinismo. É-se livre quando se é quem se é; mas sermos quem somos é termos de ser esse que somos, já que não podemos ser quem não somos. Assim essa liberdade é ininteligível e sem fundo, pólo da nossa infinitude, significação-limite do sermo-nos.

Vergílio Ferreira, in ‘Invocação ao Meu Corpo’

in Citador

#Kaótica