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Libertação

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O conceito Liberdade não devia existir. A falta de liberdade é que criou a necessidade de formular a ideia de que podíamos ser livres. É a partir dessa falta que faz sentido reclamar liberdade, da oposição da vontade de ser/estar livre contra tudo aquilo que ameaça a prossecução do desejo. Mas se desde logo essa falta nem deveria existir – pelo menos para quem ainda tenha um pouco de tino nos miolos – porque raio haveria de existir um conceito que exprime o estado de oposição a uma falta que não existe?

Não havendo subtracção da liberdade, não há necessidade do conceito. Quem nunca conheceu a dominação, a repressão, a coacção, iria usar o termo liberdade a que propósito? Numa sociedade em que nunca se tenha ouvido falar de deus, não faz sentido o ateísmo. Não há necessidade de proclamar conceitos a favor ou contra coisas que não existem nem se tem ideia do que sejam.

No entanto, o conceito existe e até faz falta.

Como forma de ultrapassar a mera constatação da falta de liberdade, as restritivas proclamações da vontade de ser livre, e fomentar a acção e a transformação social, o pensamento libertário – ou seja, o que é apologista da liberdade absoluta – passou a exprimir o velho desejo de ser livre sob a forma de libertação.

Libertação é a liberdade em acção, um processo em andamento, facilmente perceptível porque é o concreto que se pratica aqui e agora. Pelo contrário, liberdade é o lado abstracto da força, o que não se sabe muito bem como é, um estado quimérico, um apelo amargamente melífluo, em que muitos já se ofereceram magnanimamente como condutores de lanterna na mão para nos iluminar o caminho acabando sempre por nos fazer andar às voltas e vir parar no mesmo sítio.

Não mais as águas paradas e turvas da abstracção, não mais as promessas e as profecias de revoluções vindouras e amanhãs que cantam, a transformação individual e social começa aqui e agora. Não mais as concessões e os recuos estratégicos para alcançar fins gloriosos, os meios são já os fins, nem mais nem menos.

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#mescalero

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Categorias:Uncategorized
  1. Anónimo
    27 Novembro, 2008 às 5:22 pm

    Parabéns pelo blog.

    Miguel

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