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MARX E A TEORIA DO VALOR

Marx, no plano da teoria económica está completamente posta em causa, não obstante uma série de ideólogos que insistem em dizer que o marxismo está mais vivo que nunca e que o presente tem vindo a mostrar brilhantemente a validade das teorias marxianas.

 

Claro que aqueles que proclamam tais «verdades» definitivas e bombásticas não merecem a nossa consideração! Mas os espíritos que esses ideólogos de pacotilha da nossa praça tentam iludir, esses pelo contrário, merecem todo o respeito.

 

A Teoria do Valor em Marx.

 

Com efeito, quem estiver familiarizado com o Marx de «O Capital», sabe que parte central das suas teses relativas ao capitalismo se baseia na «teoria do valor».

Esta teoria associa o capital ao trabalho, sendo o valor desse mesmo trabalho incorporado na mercadoria, sendo transformado o trabalho «vivo» em trabalho «morto». O capital, quer seja constituido por mercadorias, por maquinaria, por terrenos, ou por dinheiro seria ao fim e ao cabo um resultante de trabalho acumulado, quer directa, quer indirectamente. 

Isto parecia assim nos tempos de Marx. Poderia até ser uma boa aproximação, pois a quantidade de especulação em bolsa não era produtora das enormes massas de capital que existem hoje. Por muito grandes que fossem, já no tempo de Marx, as operações de especulação, elas não eram senão um fenómeno marginal. O dinheiro guardava uma relação sólida com algo material, o padrão-ouro.

Logo a seguir à 2ª guerra mundial, aquando da criação dos instrumentos de regulação financeira global que são o FMI e o Banco Mundial, o padrão ouro começou a ser posto em causa. Nixon, em 72 acabou por dar-lhe a machadada final, decretando o fim da convertibilidade dos dólares em ouro.

A partir daqui, e de forma cada vez mais acelerada, deu-se uma desregulação, que levou a que se criasse e avolumasse uma massa monetária, a qual é muito predominantemente «electrónica» (ou seja, são digitos que estão em contas bancárias). Com o advento do neo-liberalismo, desapareceram não apenas as barreiras para a circulação de capitais, como também as barreiras para a própria fabricação de dinheiro. Quando um banco concede um empréstimo a um cliente, está a fabricar dinheiro. O banco central que superintende este banco deverá controlar o processo, globalmente, de tal maneira que exista uma garantia de que o banco que empresta tenha efectivamente ido buscar o dinheiro a algum lado. Mas, na prática, não tem sido assim e a massa monetária, com ou sem a conivência dos bancos centrais, tem vindo a avolumar-se.

Esta quantidade de capital financeiro (que não corresponde a verdadeiro valor), atingiu hoje em dia a astronómica quantia de 30 vezes tudo aquilo que exista potencial ou realmente em condições de ser adquirido. Há dinheiro suficiente nos bancos do mundo inteiro para comprar trinta vezes tudo o que nesta Terra seja comprável!

O capital, deixa assim de ter qualquer relação com um valor, com um trabalho incorporado, que ele simbolizaria.

Então, o capitalismo é apenas a manutenção desse dinheiro fictício nas mãos de uns poucos, de cada vez menos aliás, para exercer o poder, vergando aqueles que não tenham acesso a ele. Neste capitalismo, os que controlam os bancos estão no topo da pirâmide de poder.

A abolição do dinheiro, hoje, seria tanto mais realizável, quanto ele está realmente na base de todas as injustiças, violências, opressões.  

# Manuel Baptista

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  1. 18 Dezembro, 2008 às 2:33 am

    “O capital, deixa assim de ter qualquer relação com um valor, com um trabalho incorporado, que ele simbolizaria.”
    Mesmo o capital propriamente dito, o que é remunerado pelo juro, vive à custa de quem trabalha. Talvez seja uma das formas mais subtis da exploração do trabalho.

  2. Manuel Baptista
    18 Dezembro, 2008 às 8:48 am

    Marta, o capital tem várias formas; o capital fundiário pode não ser remunerado (imagina a quantidade de prédios rústicos abandonados!) e é capital «propriamente dito também».
    Depois, o capital, não «vive»; quem vive do capital e dos juros que esse capital proporciona são os capitalistas.
    A exploração do trabalho realiza-se directa e indirectamente; realiza-se como um todo, é impossível de avaliar com rigor qual a parte de mais-valia que foi extorquida de um trabalhador individual mas não deixa de haver exploração por isso. Digamos que a sociedade como um todo é explorada e os seus recursos são desviados para benefício exclusivo da classe capitalista.

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