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PACOTES, SAPATOS E FÓRUNS…

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Entre pacotes retardados de medidas azedas para combater a crise económica nacional, sapatos voadores de despedida ao maior ditador dos tempos presentes, propostas de alternativas políticas de esquerda concentradas em fórum, e a eleição de um presidente de um partido com assento parlamentar com a extraordinária votação de sensivelmente 6000 votos (!) , ou seja mais ou menos a afluência média domingueira de qualquer feira dos subúrbios de Lisboa, assim se passou mais um chuvoso fim de semana de Dezembro.

Não é que seja avesso a sapatos, embora aprecie mais ténis, o mesmo com os pacotes, sendo que neste caso a minha preferência recai mais no Camilo Alves do que na Mimosa, mas a minha prelecção de hoje incide tendencialmente no Fórum Democracia e serviços públicos, realizado no Domigo, e que reuniu aderentes de vários quadrantes políticos da esquerda. Quanto ao tal campeão de vendas, de votos digo, a esse sou mesmo avesso.

Apraz-me aqui referir que considero muito positiva a realização deste fórum em que se discutiu livre, abertamente e sem sobreposições os problemas graves que o nosso país atravessa e a necessidade de uma convergência, possível quanto a mim, à esquerda de forma a constituir-se uma alternativa credível e viável a esta contínua alternância de desgovernos podres, corruptos e altamente prejudiciais às mais elementares regras de desenvolvimento e progresso social.

Como sabemos, e quanto a isto não valerá a pena qualquer tentativa de escamoteação, qualquer partido da dita esquerda não conseguirá ser governo em Portugal sem se coligar com um outro partido do centro, neste caso o PS – não creio que a coligação com partidos da direita seja possível por cá por óbvia renúncia de qualquer das partes, embora noutros países da Europa tal aconteça -, sendo que a única possibilidade real e efectiva de se criar uma verdadeira alternativa que ponha termo a anos consecutivos de políticas erróneas e retrógradas e altere o rumo vigente será a coligação de várias forças, que embora tradicionalmente e, diga-se mesmo, de uma forma bacoca continuam cegamente ligadas a “ismos” com mais de cem anos, fazendo as delícias do centro e centro-direita e, consequentemente de uma maneira mais ou menos indirecta prejudicando os interesses reais dos trabalhadores portugueses.

Julgo que se queremos avançar e pensar verdadeiramente nos mais necessitados, desfavorecidos e oprimidos e alterar o trajecto de inversão de conquistas sociais que árduamente foram conseguidas em batalhas duras ao longo dos tempos e que agora são desbaratadas do pé para a mão, é já tempo de dizer basta, de convergir em vez de divergir, de colocar em primeiro lugar o essencial em detrimento do acessório, a responsabilidade em vez da mesquinhez, as pessoas em vez dos protagonismos.

# O Marreta

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  1. libertario08
    15 Dezembro, 2008 às 1:00 pm

    Concordo contigo, lamento apenas que alguma esquerda queira ficar para sempre!!!!! orgulhosamente só. Há gente válida em todos os quadrantes da esquerda, esta não é exclusiva de um só partido.

    # ferroadas

  2. Manuel Baptista
    17 Dezembro, 2008 às 8:36 am

    «Julgo que se queremos avançar e pensar verdadeiramente nos mais necessitados, desfavorecidos e oprimidos e alterar o trajecto de inversão de conquistas sociais que árduamente foram conseguidas em batalhas duras ao longo dos tempos e que agora são desbaratadas do pé para a mão, é já tempo de dizer basta, de convergir em vez de divergir, de colocar em primeiro lugar o essencial em detrimento do acessório, a responsabilidade em vez da mesquinhez, as pessoas em vez dos protagonismos.»

    Com o risco de te chocar, vou dizer-te que discordo totalmente do que afirmas.

    «Julgo que se queremos avançar e pensar verdadeiramente nos mais necessitados, desfavorecidos e oprimidos e alterar o trajecto de inversão de conquistas sociais que árduamente foram conseguidas »

    Os necessitados, desfavorecidos e oprimidos devem pensar por si próprios e encontrar os caminhos da luta. Não devemos, mesmo sendo nós também escravos assalariados, assumir que nós vamos pensar por eles. Devemos, ser humildes e pensar por nós, por um lado e por outro lado, dar as oportunidades de que se oiça a voz, directa, sem intermediários, dos que não têm voz nesta sociedade (os desempregados, os precários crónicos, os portadores de deficiência ou de doença crónica, os mais de 2 milhões de pobres…): portanto o que interessa é saber como fazer para que quem deveria se indignar, quem devia tomar o protagonismo da luta o faça, verdadeiramente.

    Discordo também de ti, ao colocares a «salvação» num arranjo político, como se se tratasse de vários quadrantes de uma esquerda desavinda que poderia encontrar a fórmula mágica de governabilidade, caso fosse sensata e pusesse de lado as suas questiúnculas. Nada mais falso!
    Essa esquerda que viste no fórum, é composta pela classe coordenadora, aquela que se coloca como intermediária obrigatória entre os trabalhadores e a burguesia, fazendo o jogo da representação dos interesses dos trabalhadores, na realidade, a cada passo traíndo-os.
    São da classe coordenadora: os hierarcas dos partidos, os deputados, os autarcas, os dirigentes sindicais, os «intelectuais orgânicos», os professores universitários. Estas pessoas arvoram-se na voz dos trabalhadores, do povo, etc.
    Uma transformação radical, passa portanto pelo desmascaramento, varrimento e emancipação da nossa classe em relação a essas sanguesugas.

    Finalmente, discordo em relação ao modo como foram conseguidas as conquistas sociais no caso português: muito do conseguido, foi-nos «dado de bandeja» pelo derrube do fascismo, pelo golpe de estado militar do 25 de Abril, que, como é sabido, inaugurou um período de radicalização social e política, na qual a burguesia se encontrou transitoriamente sem grande protecção, sendo as leis fundadoras do regime bastante favoráveis, em geral, aos trabalhadores. Embora a lei sindical e a lei da greve fossem leis celeradas, fabricadas a contento do PCP (mas isso seria outra conversa).

    Daí, afinal de contas, a facilidade da burguesia triunfante no nosso país, varrer tudo, num instante: a resistência dos trabalhadores é fraca, os aparellhos sindicais estão minados; a possibilidade de luta de classes organizada é baixa, a guerra de classes em Portugal assume a forma de um massacre, ou seja uma investida contínua do governo e patronato, uma ofensiva sem limites, ou apenas com o limite de deixar ao trabalhador o mínimo necessário à sua sobrevivência.

  3. Marreta
    17 Dezembro, 2008 às 10:13 am

    Manuel Batista:

    É evidente que o meu post tem e deve ser entendido no contexto de sociedade actual em que vivemos, ou seja numa República Parlamentar, onde existe Estado e Governo, e na condição, para mim inquestionável de que neste mesmo contexto prefiro ser governado ou desgovernado pela esquerda do que pela direita.
    Nunca disse ou escrevi que os desfavorecidos, necessitados e oprimidos não deviam pensar por si próprios, o que não quer dizer que para se revoltarem e tomarem nas suas mãos os seus destinos não tenham que se organizar, seja em partidos políticos (no tal contexto actual), seja em outros tipos de movimentos populares, espontâneos ou não.
    Quanto às conquistas sociais, elas começam muito antes do 25 de Abril e do Estado Novo, designadamente com o surgimento dos movimentos sindicais por toda a Europa.
    É certo que também concordo que o sistema político/económico vigente actualmente não é garante da resolução dos problemas sociais que, como se constata, se têm vindo a agravar gradualmente, mas como dizes e bem o povo não está actualmente preparado e educado para, através de inciativas consequentes próprias poder alterar o status-quo. A seu tempo, o estará, creio eu. Mas, enquanto tal não acontece há que saber “conviver” com a prata da casa, escolhendo de toda a porcaria, aquela que for a menos tóxica, tentando aos poucos fazer o trabalho de transformação de mentalidades necessário.

    Saudações do Marreta.

  4. Manuel Baptista
    17 Dezembro, 2008 às 8:39 pm

    Sim, estou de acordo no sentido de se fazerem alianças ao nível de pessoas concretas, não de organizações, com os seus chefes e chefezinhos. Não me importo e tenho colaborado com imensas pessoas de partidos, se não o fizesse, além de ser um sectário, não fazia praticamente nada…
    Mas isso é uma coisa, outra é dar esperança (por que se tem) de que uma m… é menos m… (menos tóxica) do que a outra.

    Considero que o adomercimento é a função da chamada «esquerda».

    A ilusão de que votando, se vai minorar os nossos males, mesmo que concordemos que não são as soluções ideais, que nos são propostas. Mas isso é que faz votar 99% das pessoas que não são membros de partido nenhum, num dado partido. Esse raciocínio é que sustenta os partidos.

    Os libertários combatem os partidos, pois são máquinas de alienação dos trabalhadores, montadas e mantidas pela burguesia, inclusive (e de que maneira) os que se dizem partidos «da classe operária».

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