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O Anarquismo na Revolução

Na realidade, existe uma não pequena confusão sobre o que seja anarquismo. O próprio termo foi usado por vários autores antes de Bakunin, nomeadamente por Proudhon (que não foi o primeiro). Estes estavam conscientes que o termo estava conotado com o conceito de caos, desordem. Porém, eles acreditavam que a negação da «arquia» ou seja do poder, entenda-se do poder político, do poder sobre os outros, se tornaria o sentido predominante. A burguesia, vendo que era uma teoria que acrescentava perigo às «classes perigosas», decidiu estigmatizar o termo como sinónimo da pior desordem social.
Apesar disso, a realidade dos meados do século dezanove fez com que o anarquismo esteve muito mais próximo das classes populares e inspirou muito mais os revolucionários da Iª Internacional, do que o comunismo/socialismo/social-democracia autoritários, protagonizados por Marx e todos os que consideravam que a formação de partidos, capazes de disputar as eleições e obter deputados nos parlamentos, era a única saída para a classe trabalhadora.
A primeira revolução proletária, a Comuna de Paris, mostrou ao próprio Marx que a comuna era a forma orgânica de poder popular, um tipo de governo federalista, onde todas as secções estavam mobilizadas para realizar as tarefas da revolução, sob controlo permanente das assembleias.
Alguns anos mais tarde, em 1905, na primeira grande revolta do proletariado russo, surgiu uma forma de organização, os conselhos de operários ou sovietes, das fábricas em greve, das fábricas ocupadas, inspirada pelos anarquistas russos e que ia beber à comunidade rural tradicional (o Mir) que ainda estava viva neste época e que Kropotkine descreveu. Eram estes os verdadeiros sovietes!
Após a revolução de Fev. de 1917 estes ressurgiram, uns saindo da clandestinidade, outros organizados pela primeira vez, nomeadamente os sovietes de soldados. Foi uma habilidade de Lenine, maquiavélica, de fazer crer que o partido bolchevique estava com a organização dos sovietes, o famoso slogan «todo o poder aos sovietes», que proclamou após o triunfo do golpe de 7 de Novembro de 1917: foi exactamente o princípio do fim dos sovietes como organismos de organização do povo, do proletariado.
O último soviete livre, o de Kronstadt, de onde tinha partido a insurreição da marinha, foi afogado no sangue pouco tempo depois, em 1921 (http://www.struggle.ws/russia/mett/background.html).
Mas os libertários tiveram outras experiências de organização federalista, horizontal, em democracia directa: qualquer revolução ocorrida na Europa, após a revolução russa, recorreu aos conselhos de operários insurrectos: foi assim nas comunas de Berlim e Munique, na república dos Conselhos húngara, biénio rosso italiano, na vaga de greves que acompanhou a vitória do Front Populaire em França e por fim, na revolução espanhola.
Nestes episódios trágicos, os comunistas autoritários frequentemente tiveram um papel de controlar e depois de abafar esses embriões de poder popular. Eles nunca deixaram que os trabalhadores assumissem uma verdadeira auto-gestão. Eles mantiveram o sindicalismo estritamente ligado a um corporativismo, reaccionário e ineficaz. Negaram e combateram o sindicalismo revolucionário, mesmo quando se auto-proclamavam como tal. Estiveram sempre do lado do poder, pois sempre foram idólatras do poder, apenas usando retórica revolucionara.
O sectarismo foi sempre o traço dominante do seu pensamento. Fomentaram as divisões sindicais, tornaram difícil ou impossível a constituição de frentes de resistência ao fascismo em crescimento nos anos 20, apenas mudando de táctica quando já mais de metade dos países da Europa estavam com regimes fascistas (nos anos 36-39 a Alemanha, a Polónia, a Hungria, a Roménia, a Jugoslávia, a Albânia, a Grécia, a Bulgária, a Itália, Portugal eram regimes fascistas ou fascizantes).
Os anarquistas que estavam nos sindicatos foram apelidados de «anarco sindicalistas» pelos leninistas, que pretendiam assim estigmatizar, isolar, apontar do dedo, aqueles que não aceitavam a hegemonia do PC sobre o movimento social e sindical. Os sindicalistas revolucionários autênticos tentaram evitar as rupturas, bateram-se para que houvesse uma frente unida sindical. Porém, os bolcheviques das diversas tendências digladiavam-se como hoje, para ver quem hegemonizava o movimento sindical. Por isso o movimento sindical acabou por ser esmagado, a república espanhola foi esmagada pelos fascistas de toda a Europa e não apenas pelas tropas de Franco. Graças a isso Estaline pode fazer o seu pacto germano-soviético, com a partilha da Polónia como prémio. Assim começou a IIª guerra mundial. O povo russo pagou bem caro a loucura do seu ditador. A destruição que sofreu o povo soviético foi muito maior porque Estaline não queria dar nenhum sinal de que tinha qualquer desconfiança para com Hitler!
As pessoas são mantidas na ignorância da história dos movimentos revolucionários, insurreccionais, porque não vão procurar as visões menos ortodoxas, aceitam com uma candura impressionante os «clichés» que são propagados pelos livros escolares de História, ou pelas cartilhas dos partidos ditos «operários».
Se nos debruçarmos para compreender verdadeiramente a realidade desses movimentos insurreccionais, vemos que eles não obedecem de forma nenhuma aos esquemas simplistas que os ideólogos propagam.
Hoje, igualmente, com a insurreição grega, passa-se a mesma coisa. Os média ao serviço do poder não explicam o contexto, apenas assustam as pessoas com imagens de «violência».

# Manuel Baptista

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Categorias:REVOLUÇÃO Etiquetas:,
  1. 22 Dezembro, 2008 às 2:35 am

    Conclusão!
    Os fascistas de toda a Europa, afinal foram aliados dos comunistas e, vice-versa.
    Ou seja, ser comunista era e é, a mesma coisa que ser nacional-socialista ou fascista.
    Isto de facto é curioso, porque os partidos de direita e extrema-direita, como o PNR em Portugal e não só, dizem e afirmam exactamente a mesmíssima coisa!

    Hoje e de acordo alguns anarquistas, em Portugal, o PCP, mais não é que um aliado dos partidos que nos têm governado à 35 anos.

    É ver, as guerras sucessivas e tão claramente reconhecidas pela ânsia do poder dentro do PCP.
    A sua falta de capacidade organizativa.
    O seu cada vez maior número de militantes e simpatizantes, que todos os anos tem aumentado, só única e exclusivamente pela ânsia de um lugar, de e no poder.
    Os seus jovens, cujas fileiras engrossam diariamente, são uns irresponsáveis, desorganizados, que só destabilizam os estabelecimentos de ensino, com greves contra o novo estatuto do aluno, pintam murais, em paredes degradadas e sobre graffiti’s sem sentido, sendo por isso multados pelas extremamente competentes e diligentes autoridades, que no fundo admiram e, até são tão ajudadas, por este partido tão ditador e social fascista, que é o PCP e a sua juventude comunista, irresponsável e arrivista, sem quaisquer habilitações, que não sejam as da alegada “cartilha”!

    É de facto, um partido incoerente, irresponsável, destabiliza este nosso Portugal quando coloca 200.000 pessoas na rua, que afinal para nada serviu.

    Com a colaboração da Frenprof anexa à CGTP, colocou 120.000 professores na rua e, para nada serviu, os professore foram todos enganados pela sua estrutura sindical base “afecta” ao PCP, quem diria?!… 120.000 Professores burros de todo, pffff!

    De facto os 20.000 que vieram depois e claramente destacados, sem qualquer ligação ou misturas com esse partido de índole fascista e repressor, que é o PCP, esses sim, conseguiram de facto que a ministra recuasse, se não totalmente, pelo menos parcialmente, sem dúvida que menos 100.000 professores na rua, a manifestação ficou muito mais homogénea, mais ordeira, provocou menos conflitos nas artérias da cidade de Lisboa, claro que isso, é uma força imensa de pressão sobre o poder, as estruturas do Ministério da Educação estremeceram.

    Eu se fosse a vocês da próxima trazia só 5.000, ou ainda menos professores!… Iam ver que a ministra cedia logo!…Na avaliação dos professores, assim como no ensino público de uma maneira geral, eram de imediato satisfeitas todas as exigências.

    Claro que na Grécia, a guerrilha urbana que a mesma vive, já deu origem a um país Libertário, o governo já cedeu o poder às organizações populares, ou seja, os anúncios estão publicados nos jornais, mas até à data ninguém, dessas organizações ainda reclamou aceitar o poder!
    Devem estar-se a organizar, mas como ninguém, se quer organizar sem que haja o perigo de que o comité nomeado possa abusar do poder que lhe foi concedido, porque segundo Bakunine, quando um operário assume o poder logo esquece a sua condição de operário. Pode esta comissão, ou comissões populares, quererem sobrepor-se umas às outras e, depois ao povo e, isso iria uma vez mais gerar conflitos, repetindo-se “ad eternum” a situação, pelo que assim, é preferível uma constante guerrilha, sem quaisquer indícios de comités ou comissões, até o país estar completamente destruído e num estado estilo MAD MAX, onde o estado animal retome o que é seu por direito e, os fortes abatam os fracos numa selva anarquista, onde cada um é o seu próprio país e, tem as suas próprias leis, desde que estas não vão contra as leis do seu semelhante na teoria, mas que, perante um bem essencial, que será escasso, como água ou qualquer fonte de alimento, seguramente e rapidamente o pacto anarquista, se traduzirá num pacto mais “musculado” onde a lei básica da sobrevivência do mais forte (Darwin) prevalecerá.

    Nota:
    Gostava muito de ter uma dessas cartilhas, as tais que segundo os anarquistas têm um efeito assim tipo Haxixe, ou algo mais permanente, sei lá, como LSD ou Coca, já agora como dizeis que os comunistas são ignorantes e que aceitam como verdades clichés propagandeados em cartilhas que os condicionam e viciam de uma forma cândida, eu estava disposto a ver provas disso, é que 80 anos de droga e clichés indutores de pura ignorância, olhem que é obra!
    Ainda bem que os anarquistas existem, para que a verdade e a realidade seja uma constante e única forma absolutista de fazer uma revolução.

    Mantenham-se assim amigos, detentores únicos da verdade imutável, porque é nas minorias iluminadas e esclarecidas como a dos anarquistas, verdadeiros e únicos heróis da resistência antifascista, que reside a verdade, a que as maiorias estúpidas e ignorantes, condicionadas ao pensamento único das cartilhas e, incapazes de raciocinar por si só, como os militantes do PCP, se devem submeter incondicionalmente.

    Ouss
    #Sensei

  2. Manuel Baptista
    23 Dezembro, 2008 às 12:44 am

    Sim, pessoa (?) que não te afirmas com o teu nome… Tens medo de afirmar-te com a tua palavra e a tua visão das coisas. Tens uma visão distorcida, a mesma que te enfiaram na cachola por sessões e sessões de endoutrinamento! Não te interessa investigar nada, nem discutir nada. Tens a tua verdade «a priori». Os anarquistas só podem ser umas «bestas», uns «líricos» ou «uns drogados». Realmente és o modelo do espírito fascista!
    Tenho bons amigos no PCP, no BE e noutros quadrantes. Ninguém fala comigo assim; porque será? Talvez porque são pessoas civilizadas?
    Vai aprender história; perde a prosápia e lê e estuda, inclusive o que contraria a tua «fé». Tal como eu fiz e faço. Eu estudo os documentos de todos os adversários; mas não profiro insultos nem rebaixo os seus pontos de vista.
    A democracia só pode ser feita por democratas!

    Manuel Baptista

  3. 23 Dezembro, 2008 às 3:35 pm

    Olha!
    Não te ofendi!… Tofo o texto é uma sátira ao teu post, com o que o qual representa não concordo.
    Mas agora, já que o mencionas e não demonstras capacidade de qualquer tipo.

    Eu tenho medo de me afirmar?!… Essa é de facto hilariante!… Olha, pergunta ao Ferroadas ou ao Kaos ou à Kaótica ou ao Anarquista, que eles te dirão o meu nome.
    Eu é que tenho uma visão distorcida e, tu não, só tens certezas!
    Essa tua retórica invertida, é de quem não tem capacidade argumentativa, para elaborar uma análise com o minimo de senso, sem caír no discurso ao nível do mais baixo proxenetismo.
    Quanto ao teu penúltimo parágrafo, ponho sérias dúvidas que tenhas amigos nesse, ou seja em que quandrante for, pois quanto a civismo, o teu?!… Já há muito que partiu, se é que chegaste alguma a vez a tê-lo!
    Agora a tua última frase, é de facto a cereja no topo do bolo!… Aí defines tudo!… LOGO TU, JAMAIS PODERÁS FAZER OU VIVER EM DEMOCRACIA!

    PORQUE QUEM NÃO É POR TI É CONTRA TI, NÃO NUM SENTIDO COLECTIVO, MAS NUM SENTIDO INDIVIDUALISTA, QUE É O SENTIDO MAIS NARCISISTA TÃO COMUM A TODOS OS FASCISTAS QUE APENAS PODEM OUVIR A SUA VOZ SEM QUALQUER DISCORDÃNCIA QUE NÃO SEJA A DO APLAUSO A SI E SÓ A SI.

  4. 23 Dezembro, 2008 às 3:45 pm

    Olha!
    Não te ofendi!… Todo o texto é uma sátira ao teu post, com o qual eu não concordo.
    Mas agora, já que o mencionas e não demonstras capacidade de qualquer tipo (pessoa????).

    Eu tenho medo de me afirmar?!… Essa é de facto hilariante!… Olha, pergunta ao Ferroadas ou ao Kaos ou à Kaótica ou ao Anarquista, que eles te dirão o meu nome, agora não é um qualquer badameco que eu nunca vi mais gordo que me vai intimidar a enunciar o meu nome, pois tal como escrevi É O MEU NOME e, só o dou a pessoas…… Civilizadas.
    Eu é que tenho uma visão distorcida e, tu não, só tens certezas!
    Essa tua retórica invertida, é de quem não tem capacidade argumentativa, para elaborar uma análise com o mínimo de senso, sem cair no discurso ao nível do mais baixo proxenetismo, onde TU próprio teces os teus comentários ofensivos, adjectivando os anarquistas, TU não eu!
    Quanto ao teu penúltimo parágrafo, ponho sérias dúvidas que tenhas amigos nesse, ou seja em que quadrante for, pois quanto a civismo, o teu?!… Já há muito que partiu, se é que chegaste alguma a vez a tê-lo!
    Agora a tua última frase, é de facto a cereja no topo do bolo!… Aí defines tudo!… LOGO TU, JAMAIS PODERÁS FAZER OU VIVER EM DEMOCRACIA!

    PORQUE QUEM NÃO É POR TI É CONTRA TI, NÃO NUM SENTIDO COLECTIVO, MAS NUM SENTIDO INDIVIDUALISTA, QUE É O SENTIDO MAIS NARCISISTA TÃO COMUM A TODOS OS FASCISTAS QUE APENAS PODEM OUVIR A SUA VOZ SEM QUALQUER DISCORDÂNCIA QUE NÃO SEJA A DO APLAUSO A SI E SÓ A SI.

    Não voltarei a comentar neste blogue, pois recuso participar em áreas de índole ditatorial e fascista, onde estão indivíduos, ainda que se afirmem de esquerda, SÃO DITADORES!
    A partir deste momento V. Exas. deixaram de existir.

    Boas Festas e um queijo da serra!

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