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O massacre em Gaza – não ficar indiferentes uma exigência premente

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A ofensiva israelita sobre a Palestina é dramática. As bombas matam vindas dos céus, do mar e da terra. Mais de 400 civis palestinianos já morreram e centenas ficaram feridos, vitimas destes ataques terroristas. A faixa de Gaza está cercado por todos os lados, na zona Este ouviram-se alguns bombardeamentos e na zona Norte os tanques israelitas já entraram pelo território adentro. O pretexto é o de destruir as infraestruturas de combate do Hamas e eliminar fisicamente os seus dirigentes.

Como disse aqui, nada pode justificar um massacre desta natureza e desta amplitude. Penso também que não interessa, agora, fazer história sobre quem são os culpados deste reinício das hostilidades, após seis meses de trégua. O que temos todos de lamentar é que, neste tempo de tréguas, não se tenham registado avanços e que antes tenha evoluído para um agudizar do conflito e menos para encontrar soluções mais duradoiras e encontrar pontes de diálogo consistentes.

Se são compreensíveis os receios de Israel, em termos de segurança, perante as últimas acções dos elementos mais radicais do Hamas, a verdade é que esta investida de Israel, não visa resolver o problema de segurança das populações diante dos “rockets” ou mísseis do Hamas, mais ou menos definitivamente, com a agressão sobre os palestinianos de Gaza, mas apenas satisfazer, por razões de equilíbrio e jogos eleitorais próximos, assomos de populismos, mesmo que à custa da matança de inocentes civis, o que revela bem a natureza sanguinária e terrorista do Estado de Israel. Mas que dizer então dos palestinianos de Gaza? Cada vez mais prisioneiros dentro do próprio país, cada vez mais acantonadas a pequenos espaços, sofrendo brutais bloqueios alimentares, com a população a passar por dolorosas e profundas privações? Terão eles de se sujeitar a uma espera por uma solução que nunca mais chega?

A minha condenação vai contudo para os líderes dos dois lados do conflito. As bombas que matam indiscriminadamente civis em Gaza, a mando dos dirigentes israelitas, se tivessem nas mãos dos dirigentes palestinianos do Hamas, matariam indiscriminadamente civis em Israel. Sobre isso, não tenho nenhumas dúvidas. Os “rokets” também foram atirados às centenas para território israelita e só não mataram por acaso e porque não têm a força e o poderio das bombas israelitas. Mas tivessem eles. Mas isso não é que interessa agora: agora interessa parar a agressão israelita. O massacre, a chacina.

Como referem os ilustres subscritores deste apelo: Em Gaza, está em jogo o sentido básico de decência da humanidade. O sofrimento e a destruição arbitrária da vida das pessoas, o desespero e a ausência de dignidade humana nesta região duram há demasiado tempo. Os palestinianos em Gaza – na verdade, aqueles em toda a região que vivem as vidas mais marcadas pela falta de esperança – não podem esperar que novas administrações ou instituições internacionais ajam. Se não quisermos que o Crescente Fértil se torne num crescente fútil, temos de acordar e de ter a coragem moral e a visão política para que a Palestina dê um salto quântico.

Insisto neste ponto: o tempo é de compromissos. Compromissos para uma negociação séria. Compromissos para a criação de dois Estados. Mais importante do que mais território, menos território, é uma paz duradoira, uma pátria para os palestinianos …para além dos velhos sonhos e antigas e novas crenças bíblicos/religiosos, de uns e outros.

“Só então a conciliação, a mediação, a negociação, a arbitragem e os processos de resolução cooperativa dos problemas podem estabelecer-se a si mesmos. Em última análise, a reconstrução e a reconciliação são os únicos meios viáveis para trazer a estabilidade, uma vez que esta não pode ser imposta”.

# Fernando

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Categorias:Fernando
  1. Manuel Baptista
    4 Janeiro, 2009 às 1:18 pm

    Fernando,
    Não sejas ingénuo! Um dos signatários é o ministro dos negócios estrangeiros checo, que afirmou que «a operação israelita em Gaza é mais defensiva do que ofensiva»!!!!
    Retirei do jornal Le Monde esta passagem:

    […]
    Le Premier ministre tchèque Mirek Topolanek, dans une déclaration retransmise par un porte-parole pour la présidence de l’Union européenne, a estimé samedi que l’opération israélienne était “plus défensive qu’offensive”.

    La présidence tchèque a ensuite précisé son propos, soulignant dans un communiqué que “même le droit indéniable d’un Etat à se défendre lui-même n’autorise pas des actions qui affectent massivement les civils”.

    […]

  2. libertario08
    4 Janeiro, 2009 às 2:08 pm

    O que sugeres Manuel Baptista, para sair disto?

  3. libertario08
    4 Janeiro, 2009 às 2:09 pm

    O comentário anterior é meu.
    Fernando

  4. 4 Janeiro, 2009 às 7:51 pm

    Se o Hamas / Palestina tivesse o mesmo poderio armamentista de Israel, talvez, sim talvez a coisa fosse diferente. Ninguém gosta de ver a sua terra ocupada.
    Já há quatro mil anos (ou mais) que os tipos vivem de costas voltadas, só que antes era com espadas e lanças.

    Abraço

  5. Pata Negra
    4 Janeiro, 2009 às 10:17 pm

    Não aponto em guerras de que pouco percebo. Cheira-me que o ódio do Hamas é filho de Israel. Abomino todas as formas terroristas sobretudo aquelas que recorrem ao martírio e à inocência ideológica dos mais fracos mas, não sei porquê, dá-me sempre para o romantismo de estar do lado dos mais fracos!
    Um abraço de quem nasceu e, muito provavelmente irá morrer, a ver, ouvir e ler e a não ignorar essa guerra

  6. Manuel Baptista
    6 Janeiro, 2009 às 4:26 pm

    Respondo ao Fernando:

    Um guerrilheiro do EZLN (exército zapatista de libertação nacional) afirmou, em resposta a alguém que lhe perguntava «o que é podem fazer os activistas de outros países em apoio da causa zapatista?» Ele respondeu, «façam a revolução nos respectivos países», esse é o maior apoio que poderão dar à nossa causa.
    Pois é o mesmo em relação ao que se está a passar na Palestina: só podemos ajudar positivamente com uma campanha de denúncia, de boicote de Israel e sobretudo pondo em risco os poderes hipócritas que apoiam os sanguinários. Fazendo a revolução ou preparando as condições para que ela seja possível.
    Até porque a resolução de um problema tão grave e tão complicado como o que foi criado com a fundação do estado sionista de Israel, apenas se resolverá com uma mudança radical do cenário mundial… uma revolução social mundial. Muitos outros problemas são impossíveis de resolver (podem somente ser amenizados) no quadro do capitalismo globalizado contemporâneo.

    Solidariedade,
    MB

  7. libertario08
    6 Janeiro, 2009 às 10:48 pm

    Pois MB. Espero bem que não tenhas razão. Que não seja preciso esperar por ” uma revolução social mundial” para que as coisas mudem de forma a que aquele povo tenha direito a ter uma pátria, um território, paz e gozaram dos mais elementares direitos básicos. Os protestos, as denúncias, são importantes, os mais importantes seguramente, pressionando quem pode resolver o problema. Mas convém valorizar todos os esforços sérios que possam ajudar a causa palestiniana, mesmo que sejam, numa primeira fase, apenas amenizar as dificuldades que o povo atravessa -que são muitas.

    #Fernando

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