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Por detrás do sorriso

Sócrates é um sabido. Na entrevista à SIC mostrou-se o mestre da propaganda. Ele não está lá para responder às questões. Para esclarecer os portugueses. Para explicar as medidas. Dar justificações. Ser confrontado com os números. Com as contradições. Ele está lá para fazer propaganda. Apenas propaganda. Para fazer o auto-elogio. Sócrates até pode para os analistas ter-se saído bem. Mas aquele sorriso não engana. Aquele sorriso cansa. Ele abespinha-se, enerva-se, revela-se por detrás do sorriso. E por detrás do sorriso tudo é cinzento. O fato é cinzento. Os ministros são cinzentos. Sócrates é cinzento. Os deputados do PS são cinzentos. E Sócrates é um nojo. Sócrates mete-me nojo. E é sobretudo, um grande mentiroso. Prometeu esquerda e deu-nos direita. Prometeu emprego, direitos laborais, protecção social, melhores cuidados de saúde, melhores reformas, mais apoio aos idosos, uma escola melhor, um referendo à Europa e …foi tudo foi ao contrário:

Os trabalhadores perderam direitos laborais e sociais, o emprego precarizou ainda mais, vencimentos foram congelados, os salários perderam valor, o tempo de trabalho aumentou, baixaram também os valores das novas reformas, diminuíram as comparticipações em actos médicos e medicamentos aos mais idosos, aumentaram os impostos, taxas moderadoras, propinas, transportes, rendas de casa, fecharam-se escolas, cantinas, hospitais, maternidades, serviços de urgência, aumentou o fosso entre ricos e pobres, cresceu a miséria e a fome está presente já em muitas famílias.

Sócrates é um canalha. Sócrates ganha nas entrevistas mas perde nas ruas. Nas escolas, nas famílias. E se tivéssemos uma oposição de esquerda à altura, uma esquerda assumida para disputar o poder, também perderia as eleições.

# fernando

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Categorias:Fernando
  1. libertario08
    7 Janeiro, 2009 às 3:35 am

    Absolutamente, mas o povo primeiro foi educado a acreditar na imagem e na propaganda; se vê um tipo a beber coca-cola num anúncio dá-lhe sede de beber coca-cola, se vê o Sócrates a dizer que é o maior na televisão, dá-lhe o voto. E mesmo depois de saberem que lhe faz mal, bem mais, votam outra vez. É como a crise: primeiro estranha-se, depois entranha-se. A crise serve para se justificarem do que está pior que antes; Sócrates e o seu governo servem para justificar tudo o que de bom está a ser feito ou vai ser feito. Os factos é o que menos importa, o descalabro económico a que o país chegou sempre a ir de mal a pior, é uma tragédia. Mas é uma tragédia longínqua para esses governantes, tão longínqua como Gaza

  2. libertario08
    7 Janeiro, 2009 às 3:37 am

    Absolutamente, mas o povo primeiro foi educado a acreditar na imagem e na propaganda; se vê um tipo a beber coca-cola num anúncio dá-lhe sede de beber coca-cola, se vê o Sócrates a dizer que é o maior na televisão, dá-lhe o voto. E mesmo depois de saberem que lhe faz mal, bem mais, votam outra vez. É como a crise: primeiro estranha-se, depois entranha-se. A crise serve para se justificarem do que está pior que antes; Sócrates e o seu governo servem para justificar tudo o que de bom está a ser feito ou vai ser feito. Os factos é o que menos importa, o descalabro económico a que o país chegou sempre a ir de mal a pior, é uma tragédia. Mas é uma tragédia longínqua para esses governantes, tão longínqua quanto Gaza…

    #Kaótica

  3. mescalero
    7 Janeiro, 2009 às 11:34 am

    Fernando,

    Não me parece que Sócrates perdeu nas ruas. Houve alguma contestação é certo, mas na hora de colocar o bilhete no caixote, que é a derradeira e definitiva sondagem, parece mais que certo que volta a ganhar. Isso quer dizer que a contestação não foi suficiente e que apesar dela os eleitores vão continuar a apostar no PS. Além disso, as circunstâncias favorecem-no: o partido da alternância está de rastos, a fase das medidas impopulares já passou e o PS vai ter agora uns tempos para pôr a sua máquina propagandística a toda a força. E nisto, actualmente, ninguém os bate.

  4. 7 Janeiro, 2009 às 12:55 pm

    Camaradas e amigos, efectivamente a política e os políticos actuais são eleitos não pelo seu mérito mas sim pelo poder dos mídia e esta é uma realidade com a qual temos de lidar. Cabe-nos a nós (por enquanto) lutar com os meios que temos, e o espaço blogosférico, entre outros é o único que temos para os ir denunciando. Crise, qual crise, esta foi feita pelo grande capital para “matar” dois coelhos com um único tipo, ou seja: arrumar de vez com os novos-ricos que emergiram da especulação bolsista e já mordiam os calcanhares aos poderosos e fazer baixar a “bola” aos pobretanas que estavam a tentar “entrar” na “classe” média, assim com a “crise” abrem falência uns milhares de empresas (que os ricos de sempre se preparam para comprar (roubar) a preços de saldo, a com o desemprego que daí resulta, aumenta a mão de obra escrava e precária. O capital está sempre nas mesmas mãos, nas dos poderosos, quando estes vêm diminuídas as suas fortunas, fabricam crises para emergirem mais ricos.

    Abraço

  5. 7 Janeiro, 2009 às 7:15 pm

    Kaótica: eu concordo com essa visão mas creio que o voto acaba por recair nos mesmos por falta de alternativas. As esquerdas, enfim andam mais interessados em conquistar mais uns lugarzitos no parlamento, do que verdadeiramente, investirem a sério, na construção de uma alternativa de poder, credível. O povo não vota em oposições vota em governos.

    Mescalero: alguma contestação é pouco. Depois do 25 de Abril, com excepção do período revolucionário eu nunca vi tanta contestação ao governo …nas ruas. Lembro as duas manifestações da CGTP em Lisboa, de centenas de milhares de trabalhadores, coisa nunca vista, a greve nacional, as greves da função pública, as manifestações e a greve dos professores, os protestos em todo o país das populações contra os fechos das urgências, etc. O que custa é que todo este protesto não se traduz em grandes benefícios para a esquerda; que não consegue capitalizar estes descontentamentos. E assim, por falta de alternativas de governo, uma vez mais, a alternância dos interesses continua. Mas isso é matéria para outras discussões.

    Ferroadas: essa da crise fabricada, sendo possível, parece-me contudo, como direi, um pouco maquiavélico de mais. Eu acredito que a crise é mesmo o resultado da falência de um certo tipo de capitalismo (o [neo] liberalismo económico), que não do capitalismo, porque esse tem essa capacidade de se regenerar, sempre à custa, claro, da exploração das mais-valias, nem que seja, mesmo nestes tempos, através das formas mais humilhantes da exploração. Mas sendo inteligentes, procurarão vias mais dissimuladas, creio bem. O povo vai despertando e há que mudar alguma coisa …para que tudo fique na mesma.

  6. 7 Janeiro, 2009 às 7:26 pm

    Fernando
    Não querendo ser maquiavélico e respeitando a tua opinião, continuo a pensar que o capitalismo puro e duro vai voltar com mais força exploradora. Não sou economista nem para lá caminho, o que sei é aquilo que todos sabemos e vemos no dia-a-dia, e repara eles (digo) capitalistas continuam de barriga cheia e a rirem-se nas nossas caras de fome, até quando.

    Abraço

  7. 10 Janeiro, 2009 às 12:02 am

    Pois, só não concordo com o “perde nas ruas”. Acho que o gajo vai mesmo ganhar as próximas eleições e para vergonha de todos(?) nós, ainda vai ter uma nova maioria absoluta que é para reinar em em calma absolutista. Estamos fu ie tramados.

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