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Afinal de que lado estão os sindicatos?

movimento-sindicalCarta Aberta aos Sindicatos

(leia aqui)

Se nos centrarmos na luta dos professores, aquela que conheço mais de perto, embora não seja professora, o que se observa, em linhas muito gerais é que os professores dentro e fora das suas organizações sindicais, já foram muito longe: em 8 de Março de 2007 estiveram 100 000 na rua, num momento em que o governo tinha sofrido um abalo tão forte na área da saúde que se viu obrigado a substituir o ministro Correia de Campos. Nessa altura parecia tão possível que a unidade dos professores, caso a sua luta tivesse sido ligada à luta dos outros sectores profissionais, fizesse cair a ministra senão mesmo derrubado o governo… No entanto os dirigentes sindicais optaram por segurar o governo e refrearam a luta dos professores mediante o simulacro da assinatura do Memorando do Entendimento com o Ministério da Educação, negociado ao mais alto nível (Carvalho da Silva/Teixeira dos Santos) e nunca claramente rasgado, apesar do abandono temporário da mesa de negociações. Depois desse duro golpe, os professores recuaram na sua luta e julgou-se não ser possível tão cedo voltar a ter os professores na rua.

Ainda assim, em 2008, os professores voltaram a unir-se e sairam à rua em número de 120 000 com os sindicatos e pouco depois em número de 15 000 com os movimentos independentes. Fizeram-se duas greves cuja adesão foi memorável, mas o governo continuou surdo a todas as formas de protesto.

Neste momento os professores são chamados a assumirem individualmente a responsabilidade e as consequências da sua luta: os sindicatos pedem-lhes que resistam, que suspendam o processo da avaliação nas suas escolas, que tomem a responsabilidade de não entregarem os objectivos individuais. Face às ameaças do ministério, muitos recuam, sentem receio pelas consequências da sua desobediência, num momento em que o desemprego em massa está na ordem do dia.

Como é possível que os sindicatos se voltem para os professores e não assumam o comando da luta? Como é possível que todos os dias  caiam no desemprego milhares de trabalhadores e as centrais sindicais se mantenham no mais completo silêncio? Por que motivo não unem todos os sectores em defesa da escola pública, lado a lado com os professores lutando numa mesma frente em defesa dos direitos do trabalho?

Por que escondem os dirigentes sindicais documentos que lhes chegam de apoio à luta dos professores, vindos de sindicatos de outros sectores profissionais e tomadas de posição assumidas em assembleias municipais, que estão guardadas nas gavetas das secretárias dos dirigentes sindicais em vez de serem amplamente divulgadas na comunicação social, para que os professores tomem consciência de que não estão sozinhos nesta luta?

Alguns professores mais corajosos e determinados pedem que os sindicatos radicalizem a luta, pedem-se greves por tempo indeterminado, evoca-se a greve de um mês que levou o ministério da educação do Chile (país donde é oriundo o modelo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues) a suspender a avaliação. Os sindicatos respondem com uma Marcha pela Educação, participada por encarregados de educação e cidadãos em geral, ainda sem data anunciada. Esta iniciativa poderá ser uma de duas coisas, dependendo da vontade dos sindicatos: ou o cumprimento de um calendário “de festas”, para retirar a pressão à panela e fazer mais um grande espectáculo de rua, com a consequente discussão dos números (do ME / dos sindicatos) – e devo confessar que é possível que muitos professores comecem a estar cansados de vir por aí abaixo para depois verem ficar tudo na mesma; ou realmente os sindicatos fazem dessa Marcha uma grande marcha, convocando todos os sectores a sair para a rua num movimento incomparável de apoio aos professores e em defesa da escola pública, a escola dos filhos dos trabalhadores. Uma coisa é certa a bola não pode continuar na mão dos professores; a bola tem que passar para as centrais sindicais que vergonhosamente se têm mantido silenciosas face à luta dos professores e aos despedimentos em massa a pretexto da crise mundial. Deixo a pergunta: não estará na altura da CGTP e da UGT se voltarem a unir, como em 28 de Março de 1988, em plena era Cavaquista (ver aqui), para defenderem a escola pública e os trabalhadores? Qual é o medo de derrubarem o governo? Por que insistem em o querer suportar, apesar de já ter dado provas mais do que suficientes que com as suas políticas só se acentuará a destruição dos serviços públicos, a mais total dependência do país do exterior e o desemprego?

Convido todos os que são sindicalizados e inquirirem os seus sindicatos, desafiando-os a tomarem uma posição clara em relação a estes assuntos. Mais que não seja ficamos a saber exactamente com que apoios contamos quando chegar a nossa vez de precisarmos de apoio.

Consultar aqui a História do Movimento Sindical Português (pdf)


#Kaótica

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Categorias:Uncategorized
  1. 2 Fevereiro, 2009 às 8:47 am

    Realmente, numa altura em que as falencias, (verdadeiras ou fajutas) são diárias, e em que o desemprego sobe a olhos vistos o que não vemos são os sindicatos na rua a apresentar soluções e a exigir a mudança do sistema. Teremos de nos conformar com esta situação? Estão os sindicatos já tão agarrados ao sistema que caiem com ele? Não há alternativas a a presentar? Onde andam os sindicatos?

  2. 2 Fevereiro, 2009 às 9:33 am

    Então as mordomias, os tachos, o poleiro, o aparecer nas TV’s, o manter as quintas no Alentejo, o ir caçar para Espanha; minha amiga, estas coisas têm custos e pelos vistos a burguesia ainda não saíu dos sindicatos, porque de blá, blá, blá, estamos fartos. Só teremos sindicatos LIVRES quando os mesmos saírem das amarras partidárias. Quem está interessado a manter o satus-quo?
    Quem não quer romper de vez com este sistema? Penso que as respostas são simples…..

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