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A BATALHA DAS IDEIAS NA CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS (PARTE 3)

Por muito que nos queiram dizer que a “crise” é fruto do tal “subprime” que estalou que nem castanhas no Outono nas mãos da banca, banqueiros e afins lá pelas Américas, eu continuo a afirmar que a mesma se deve à incompetência dos governantes, à ganância dos capitalistas e à nossa (do Povo) total ignorância e fragilidade.

Que soluções podemos apresentar para debelar a mesma?

Que fazer?

Deixar que estes mesmos incompetentes a resolvam?

Quanto à primeira questão, uma das soluções passa por tomarmos consciência que a crise é destinada a nós, é a forma do capitalismo nos vergar, nos obrigar a ceder, basta verificar as palavras do patronato vs governos, “temos a todo o custo de salvaguardar os postos de trabalho” quanto a mim é pura demagogia, a única coisa que querem salvaguardar são eles próprios, pois quando a coisa azeda, fecham e partem para outra.

Quanto à segunda questão, para problemas radicais, soluções a condizer, fábrica que encerre, será fábrica ocupado pelos trabalhadores, a auto-gestão e o cooperativismo tem raízes antigas e de sucesso, quantas empresas são geridas e bem, em regime de auto-gestão ou cooperativa, para tal basta haver vontade e determinação, para mais as mesmas estão consignadas na constituição da republica,

Artigo 61.º
(Iniciativa privada, cooperativa e autogestionária)
1. A iniciativa económica privada exerce-se livremente nos quadros definidos pela Constituição e pela lei e tendo em conta o interesse geral.
2. A todos é reconhecido o direito à livre constituição de cooperativas, desde que observados os princípios cooperativos.
3. As cooperativas desenvolvem livremente as suas actividades no quadro da lei e podem agrupar-se em uniões, federações e confederações e em outras formas de organização legalmente previstas.
4. A lei estabelece as especificidades organizativas das cooperativas com participação pública.
5. É reconhecido o direito de autogestão, nos termos da lei.

A terceira questão talvez a mais complicada de resolver, como todos sabemos e que por mais voltas que se dê, o poleiro (digo governos) giram à volta de dois partidos (PS vs PSD) com ou sem maioria serão estes os que por lá se eternizarão!!!! e como vimos gente competente não abunda por lá. Ora temos de encontrar outras soluções, pelo voto quer PCP quer BE dificilmente atingirão a governação, pelo menos nos moldes actuais, pois a forte carga ideológica do primeiro e a pouca experiência do segundo não têm dado ao Povo as orientações necessárias a que tal aconteça. Uma união das esquerdas era a solução, mas, também aqui e nos moldes actuais dificilmente acontecerá, talvez um dia, quando os mesmos abandonarem o pouco que os divide e se unirem ao muito que os une, talvez se vislumbre a luz ao fundo do túnel.

Necessitamos de mais acção e menos retórica, de mais participação e menos estaticismo, o país está mal, o Povo na sua maioria passa mal, existem gravíssimos problemas sociais que se irão inevitavelmente agravar, para a grande burguesia a crise gera riqueza, para os mais débeis a mesma gera (mais) pobreza. Temos de estar atentos e vigilantes, o capitalismo prepara-se para nas nossas costas continuar a manobrar e decidir e como todos sabemos dali não vem nada de positivo para nós.

Continua…..

# ferroadas

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  1. Manuel Baptista
    15 Fevereiro, 2009 às 11:58 am

    O anarquismo social pode ser definido como uma filosofia da acção, portanto é na práxis que se devem encontrar as formas concretas de exercício do poder popular. Porém, não creio que instâncias políticas integradas no sistema, como tu sujeres, tenham qualquer papel benéfico ou positivo. Basta ver como instrumentalizam e abafam tudo o que não se coaduna com o seu poder nos locais onde possuem algum poder sobre os outros (refiro-me a autarquias e a sindicatos, principalmente). Não há conciliação possível, também são lobos, os lobos que vestem a pele de cordeiros, para melhor «tosquiar» e «comer» os cordeiros (que somos nós todos afinal!): são parte do problema, não da solução.
    Sou radicalmente anti-político, no sentido de não encontrar na classe ou casta política senão uma sede insaciável pelo poder. Nota que os indivíduos que estão hoje no poder, há 4 anos apenas diziam coisaas muito acertadas e muito críticas em relação ao governo do psd. Quem te garante que BE e PCP no poder não fariam igual ou pior???
    Daí que a democracia directa só possa ser instaurada no decurso e em consequência da revolução social; não pode haver uma conciliação com o poder constitucionalmente definido. Na constituição, o regime está definido como uma «democracia» de partidos, ou seja, as formas de poder popular aí reconhecidas, são, apenas, formas subordinadas, não são a estrutura organizativa da sociedade. Para isso acontecer, terá de haver uma revolução.
    Ora, o exemplo grego vem mostrar-nos que não é com «paninhos quentes» que se sacode o jugo do poder, vem mostrar também que partidos e sindicatos se mantiveram passivamente ao lado, quando não contra, o movimento social de massas, que atingiu uma dimensão insurreccional.
    É preciso compreender o que significa a opção por poder popular, por assembleias como fonte e repositório de poder, onde se pratica a democracia directa.
    Nos tempos conturbados apenas surgem essas formas de poder? Não, efectivamente existem casos isolados de cooperativas (as verdadeiras!) onde a prática é essa, mas a maior parte dos exemplos de poder popular vêm de assembleias de militantes anti-autoritários, principalmente relacionadas com o movimento anti-globalização, com as lutas sociais, com o movimento «okupa» («squatt»), etc. Não são utopias, são experiências sociais em escala reduzida, as quais poderão ter como consequência uma maturação das formas pela prática, não por especulações teóricas.
    Organizemos comunas, organizemos assembleias de base, funcionando pela democracia directa, já, sem esperar por qualquer cataclismo.
    Manuel Baptista

  2. mescalero
    15 Fevereiro, 2009 às 2:06 pm

    “Necessitamos de mais acção e menos retórica, de mais participação e menos estaticismo, o país está mal, o Povo na sua maioria passa mal,”

    É exactamente isso. Tomar o controlo da situação e não o entregar a ninguém. Nem sequer aos que dizem que falam em nosso nome e defendem os nossos interesses. Eu sei o que quero para mim e parece-me que esta é uma afirmação que qualquer um de nós poderia fazer.

    cumps

  3. 15 Fevereiro, 2009 às 6:17 pm

    Manual Batista

    Eu não sugiro ou sugeri nada, apenas expus o que penso irá acontecer a curto/médio prazo no panorama eleitoral do burgo, esta é a realidade actual, doa a quem doer. Também digo que é necessária mais participação de TODOS na construção de alternativas, na tertúlia, no bairro, na nosso rua, na colectividade, temos de aglutinar o Povo em redor das mesmas.

    Mescalero

    A revolta é enorme amigo, não podemos continuar a aguentar isto por muito mais tempo, é tempo de agir e depressa, a altura é a ideal (se é que há alturas ideais), por isso continuaremos na luta com determinação e coragem.

    Abraço

  4. 16 Fevereiro, 2009 às 12:41 pm

    Ora, pelos vistos caímos num impasse que unicamente interessa ao poder instituído e a quem dele subsiste faustosamente:
    – O staus-quo é garantido, porquanto 99% da população portuguesa diz estar descontente com os políticos que temos, mas será essa mesma população que os irá novamente eleger em breve
    – Alternativas credíveis e imediatas não existem
    – Conciencialização/educação/formaçao popular está por fazer e um longo caminho se advinha pela frente

    Por tal, só vejo duas hipóteses:

    1º Continua tudo na mesma e as desigualdades sociais, exploração, desemprego, miséria prevalecem alimentando uma parte ínfima da população que vai prosperando com estas chagas sociais

    2º É necessário levar o sistema vigente a “rebentar” o mais rápido possível, e visto que o Povo não está, por enquanto, preparado para assumir nas suas mãos o controlo dos seus destinos, tal desiderato terá que ser conseguido com o aumento galopante do fosso que separa os ricos dos pobres, de forma a que tal produza tamanha miséria e degradação social que o Povo, aí sim, não tenha outra solução possível do que revoltar-se e pôr termo a um ciclo capitalista/liberalista que há muito tempo se sabe não ser solução para a dignidade humana.

    Saudações do Marreta.

  5. Anónimo
    19 Fevereiro, 2009 às 12:35 pm

    Marreta,

    A segunda alternativa é completamente falsa; fosse ela verdadeira e os países mais pobres do mundo estariam na senda da reolução; o que obviamente não é o caso!

    A alternativa é construir focos de revolução; a começar na família, no círculo de amigos; ter uma perspectiva de «revolução cultural» e de implantação de um poder popular, autónomo dos partidos, não implicado na disputa de lugares de poder no aparelho de estado, seja ao nível central, seja autárquico (também é parte do estado).
    Focos de revolução são estruturas (informais, em muitos casos) de apoio mútuo, redes de solidariedade, de debate e cultura alternativa, de recusa consciente de entrar no circuito consumista. Também auto-aprendizagem, educarmo-nos uns aos outros, fraternalmente… Yes we can!
    Queremos viver como humanos, não como bestas, por isso queremos a revolução JÁ, AQUI E AGORA…

  6. 19 Fevereiro, 2009 às 3:04 pm

    Anónimo:

    Pois apostaria 100 ordenados dos meus em como não vamos ter a revolução já, aqui e agora. E porquê? Porque o povinho enquanto tiver dinheiro para carregar mensalmente o tm com 25 euros, enquanto tiver dinheiro para ir comendo uns caracóis e beber umas bejecas e enquanto for podendo camuflar a miséria e aparentar algum riquismo, nomeadamente passeando o popó, nem que seja uma vez por semana, vai estar completamente a borrifar-se para o apoio mútuo, para a solidariedade, o debate e a cultura alternativa.
    Eu também penso que o caminho está nestas soluções, só que nunca imediatamente, nem tão pouco a breve/curto prazo, mas sim a um longíquo prazo. Por tal, a minha visão castatrofista de “holocausto” social até tem algum sentido, porque aí a revolução seria facilmente realizavel. Caso contrário, daqui a 100 anos poderemos estar a discutir o mesmo…
    Às vezes as consciências só despertam quando se sente na pele as agruras, privações, injustiças e desigualdades.

    Abraço solidário do Marreta.

  7. 19 Fevereiro, 2009 às 10:06 pm

    Caros amigos e camaradas

    Anónimo
    Realmente o amigo tem uma certa razão, é na tertúlia, no bairro, na colectividade, no nosso grupo de amigos que começará a alternativa, será aí que nos auto-educaremos revolucionáriamente, que iremos criar laços de solidariedade, de fraterndade, fora da esfera partidária, mas como diz o Marreta e muito bem, isso leva tempo, demasiado tempo. Por isso, à que “rebentar” o sistema onde o mesmo é mais frágil, ou seja na componente económica. Não tenha dúvida, a revolução acontecerá mais cedo do que se espera, pois com o alargar do fosso entre pobres e ricos, a mesma será inevitavel.

    Abraço

  8. mescalero
    20 Fevereiro, 2009 às 10:40 am

    Acho que há aqui duas razões que não são opostas mas complementares. Por um lado, o que a maioria do povo quer é shoppings e bugigangas para ter em casa, ou então simplesmente comida em cima da mesa. Mas também se vê muita gente descontente e com vontade de fazer alguma coisa. O problema é que para muitas destas pessoas a descrença e a impotência pesa mais que a vontade de agir. Por isso é que é essencial a “auto-aprendizagem, educarmo-nos uns aos outros, fraternalmente… “ como diz o anónimo, e aqui enfatizava o “fraternalmente” que é o que me parece estar mais em falta nos meios contestatários.

    O que na minha perspectiva devemos fazer é agir sempre por nós mesmos e não nos tornarmos dependentes, quer seja politicamente ou de outra forma qualquer. E esta acção directa tanto pode ser afrontando directamente as instituições coercivas, como ir minando as suas estruturas com informação e acções de consciencialização, ou construindo esquemas paralelos fora dos territórios ocupados pelo dinheiro e pelas hierarquias.

    Fica aqui um desafio ao anónimo para ir deixando o seu contributo neste espaço que se pretende de reunião de várias sensibilidades e tendências dentro do espectro libertário.

    abçs a todos

  9. 20 Fevereiro, 2009 às 6:10 pm

    Amigos e camaradas

    Não serão as cooperativas, as colectividades de bairro, as tertúlias de reformados e pensionistas, as universidades, etc., bons locais para se começar?
    Como diz o Mescalero, “…construindo esquemas paralelos fora dos territórios ocupados pelo dinheiro e pelas hierarquias…”

    Aliás, existem bastantes exemplos, como aliás já foi referido noutro local, em Espanha, antes e durante a guerra civil. E por cá também.

    Abraço

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