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CARTÃO VERMELHO

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Fala-se muito em revolução política/económica no nosso país como uma das formas preferenciais de pôr fim ao status-quo vigente e à podridão institucionalizada em que mergulhámos. Penso que esta é certamente necessária, mas mais importante e mais urgente do que esta é sem dúvida a revolução cultural/educacional/cívica, esta sim motor propulsionador para consolidação de outras batalhas sociais de extrema importância.

 

Um país em que as mentalidades foram toldadas ancestralmente com princípios que ainda hoje continuam inabaláveis, como a corrupção, o lambe-botismo, o compadrio, a mesquinhez, a difamação, o bota-abaixismo, a intriga, a falta de civismo, de cidadania e de respeito nada pode augurar de positivo num futuro próximo. A verdadeira revolução é esta, da mudança de mentalidades, e está ainda muito longe de se iniciar.

 

O português, digo-o sem pudor – e, se calhar também me incluo em alguns aspectos -, é atrasado, inculto, em regra mal-educado, incivilizado (ou lá o que isto poderá querer  dizer…), vaidoso (sem motivo para tal) e orgulhoso de um passado “glorioso” que foi desbaratado por indivíduos que nunca souberam/quiseram administrar as mais-valias geradas por uma época dourada, como foi a dos Descobrimentos, em prol da Nação e, por conseguinte do Povo. Povo este que foi sempre o mais desgastado e massacrado pela sede de riquezas de nobres e pelo fanatismo da fé dos pseudo-representantes de Deus na Terra.

 

De facto, ao proferir a célebre e velhinha frase “Nos confins da Ibéria existe um Povo que não se governa nem se deixa governar”, Julio César traçou bem o destino deste povo que nunca foi capaz de consistentemente agarrar nas mãos o seu próprio destino (salvo raras e honrosas excepções e mais por vontade de um ou outro iluminado do que por organização colectiva), tendo ao longo dos tempos sido por vontade alheia “governado” por romanos, árabes, espanhóis, ingleses, americanos, FMI e União Europeia. Tivemos realmente bons professores, como os romanos que ao corromperem um ajudante de Viriato, de forma a capturá-lo, introduziram um conceito que prevalece até aos tempos actuais e se consolidou como a maior chaga que mina a nossa sociedade.

 

A mudança exige-se, mas sem uma transformação profunda de mentalidades ao nível cultural e cívico todas as restantes alternativas serão certamente inférteis.

 

# O Marreta

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Categorias:Uncategorized
  1. 20 Fevereiro, 2009 às 9:20 am

    O começo da mudança passará por aí, mas não só. Falta coragem ao nosso Povo e já vimos que, quem a poderia incutir, está comodamente encostado ao status-quo, à espera dum D.Sebastião que nunca virá. Por isso a mobilização de Homens e Mulheres com coragem será necessária também.

    Abraço

  2. mescalero
    20 Fevereiro, 2009 às 10:12 am

    Não concordo que o passado seja glorioso ou que devamos nos orgulhar dele, pelo contrário, é uma página negra na história portuguesa a expansão militar de subjugação e depredação de outros povos.

    Não sei se já leste o livro Ministros da Noite da Ana Barradas que mostra o outro lado dos “descobrimentos”. Dá uma boa ideia de quem eram esses heróis do mar.

    abç

  3. 20 Fevereiro, 2009 às 12:09 pm

    Ferroadas:

    O nosso povo está anestesiado com injecções em doses cavalares de alternâncias democráticas. Tão breve não perspectivo nenhuma mudança considerável ao status-quo vigente. Só uma derrucada enorme da estrutura social, com aumento exponencial da miséria, desemprego, fome e degradação social poderia levar o povinho a abrir a pestana.
    Estivemos quase 1/2 século para derrubar um regime que nos consumiu até ao tutano e nos colocou a uma distância de pelo menos 30 anos do pelotão da frente da Europa. Na altura, o povo vivia na miséria, no atraso social e cultural, na opressão, mas não podia reivindicar nem protestar, pois a repressão exercicia a sua função. Hoje em dia, existe uma forma simples e periódica de poder exercer a sua vontade política e continua sistematicamente a recusar qualquer alternativa à alternância PS/PSD, o que me leva a considerar 2 coisas: ou o POVO está bem e assim quer continuar, ou então é masoquista.
    Uma coisa é certa, contra o Povo não se podem fazer revoluções. Qualquer revolução sem o apoio popular está condenada ao fracasso. Como tal, prevejo que tão depressa não existirá revolução, e tão depressa não nos livraremos do duo PS/PSD. A não ser…

    Saudações do Marreta.

  4. 20 Fevereiro, 2009 às 12:20 pm

    Mescalero:

    Não me parece que tenhas entendido o contexto daquilo que escrevi, nota que o glorioso está entre aspas:

    “O português, digo-o sem pudor – e, se calhar também me incluo em alguns aspectos -, é atrasado, inculto, em regra mal-educado, incivilizado (ou lá o que isto poderá querer dizer…), vaidoso (sem motivo para tal) e orgulhoso de um passado “glorioso” que foi desbaratado por indivíduos que nunca souberam/quiseram administrar as mais-valias geradas por uma época dourada, como foi a dos Descobrimentos, em prol da Nação e, por conseguinte do Povo.”

    Não sou eu que digo que o passado foi glorioso, mas é a ideia geral, o senso-comum do português, a história que é ensinada na escola. O que eu digo é que essa época, que foi abundante em riquezas, evidentemente extorquidas aos povos autócnes, nem ao menos foi distribuida ou aplicada de forma a criar desenvolvimento e riqueza nacional, mas sim aproveitou a extractos sociais que beneficiaram sempre e directamente com a epopeia: clero e nobreza. O povinho deu a pele, ontem como hoje, pelo enriquecimento dos mesmos priviligiados de sempre.

    Saudações do Marreta.

  5. mescalero
    20 Fevereiro, 2009 às 3:17 pm

    Tens razão. Tinha entendido da forma contrária.

    Cumps

  6. 20 Fevereiro, 2009 às 5:59 pm

    Amigo e camarada Marreta

    Há uns tempos não muito distantes “alguém” dizia:

    “para os derrotarmos temos de usar as mesmas armas” estás recordado?

    Cada vez mais me convenço que será assim……

    Abraço

  7. 20 Fevereiro, 2009 às 6:02 pm

    De fcto falta coragem às pessoas para mudar este estado de coisas. As pessoas estão sempre à espera que estes governos neo-liberais que temos as venham proteger, dando-lhes um empregosito, um pequeno subsídio, ou outra coisa qualquer.
    temos de facto que apostar na educação e na cultura, mas julgo que não são com medidas que este governo está a tomar que um dia a escola se tornará melhor.
    A cultura até já está esquecida, o património está a ser delapidado e os atentados à arte são cada vez mais constantes.Temos de ser nós a “derramar o nosso sangue” para que as coisas possam mudar.
    Por mim e para já irei escrevendo no meu blog e nos outros e escrevendo livros, na sua maioria de literatura de intervenção.

  8. 20 Fevereiro, 2009 às 7:31 pm

    O problema é mais do que um problema de mentalidades, quanto a mim. É mais de combate “ideológico”, não visto de forma dogmática, mas não ignorando o confronto de classes, para que as “coisas” não sejam olhados de forma desgarrada. E claro, como diz o Marreta, a aquisição de uma consciência cívica de exigência, rigor e transparência que devemos ter sempre presente no nosso quotidiano. Sobre a falta de respeito, depende do que estamos a falar, eu prefiro dizer, pelo contrário, que há “respeitinho” a mais, uma cultura de excessiva reverência, em vez de sermos mais assertivos e mais exigentes. a todos os níveis, sem sermos malcriados, com quem tem responsabilidades a vários níveis da sociedade. Aproveitando, peço desculpa ao Marreta, mas não posso concordar (parece-me que é segunda vez que falas nisto) com a teoria do quanto pior melhor …para que o POVO finalmente possa abrir os olhos e mudar mesmo isto. Quanto a mim, na actualidade, uma situação de pobreza, miséria social, desemprego elevado, que pudesse criar uma derrocada social, sem um suporte político consistente, seria uma tragédia social, que iria ser aproveitada pelos sectores mais reaccionários e nacionalistas, neste quadro de grave crise económica e sem referências políticas, para verem os seus “inimigos” nos imigrantes, nos “estrangeiros”, nos ciganos, nos pretos, esquecendo quem de facto e realmente é causador desta situação: as nossas elites políticas e empresariais. Na minha singela opinião o combate político é um combate de ideias e não embarcar na onda do bata-abaixismo, do mal-dizer, do chico-espertismo e sobretudo saber distinguir os alvos políticos do nosso combate, valorizando todos os combates e todas as conquistas.

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