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Indecências

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Os níveis de desemprego são muito preocupantes. A inscrição de 70 334 novos desempregados em Janeiro nos centros de emprego é a imagem da dimensão da angústia que afecta centenas de milhares de famílias. Quando em Dezembro, um Sócrates farsola, arrogante, depreciava os números de desemprego, abaixo das previsões (números enganadores, mascarados pela “saída” meramente estatística de desempregados em formação profissional), estava a exercitar o discurso mentiroso, com que vem apunhalando os portugueses mais desprotegidos, mostrando aquilo que é verdadeiramente; uma pessoa falsa e de uma insensibilidade social arrepiante.

Como se não bastasse tem recusado todas as propostas da oposição que pretendem atenuar as dificuldades das famílias mais pobres e atingidas pelo drama do desemprego: dilatando a concessão do subsidio de desemprego de longa duração; atribuindo-o a desempregados do trabalho precário; diminuindo o tempo de trabalho efectivo para ter direito aos subsidio; “suspendendo” as prestações de empréstimos de habitação que resultaram de despedimentos; renegociando Spread’s; impedindo o desemprego em empresas cotadas na bolsa; nas que tiveram lucros; nas que receberam apoios estatais, etc, etc.

Mas a juntar a um governo que desde cedo mostrou as suas prioridades: atacar os direitos sociais e laborais dos trabalhadores, as reformas dos idosos, os portugueses que atravessavam mais dificuldades; para combater o défice das contas públicas, cuja responsabilidade é deles próprios, das suas incompetências e da ladroagem na gestão da coisa pública, ao longo dos anos de democracia, em seu favor e dos amigos e compadres, temos um patronato, na sua maioria, ganancioso, sem escrúpulos, sem humanidade e incompetente.

Um jornalista do Diário de Negócios a propósito do generoso “perdão” de uma dívida da Cimpor de 62 milhões de euros dizia que “…há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca: a da decência e da vergonha na cara.”. Tem toda a razão. Como tem toda a razão o Presidente do grupo Jerónimo Amorim quando afirma:

Perante a crise, primeiro lançaria mão das reservas financeiras (uma reserva dos lucros de anos anteriores), segurando-se com um tempo de prejuízos; depois deixaria de pagar dividendos; em terceiro lugar diminuiria os salários dos administradores e quadros do grupo; em quarto lugar, se tudo isto não chegasse, negociaria com os trabalhadores a redução do horário do trabalho e só no fim, no fim mesmo, se os prejuízos fossem insustentáveis, poderia avançar com os despedimentos (da crónica de Miguel Sousa Tavares no Expresso).

Diferenças marcantes!

# Fernando

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Categorias:Fernando, Uncategorized
  1. libertario08
    25 Fevereiro, 2009 às 1:40 am

    Do Sócrates não se espera nada, o que me choca é a atitude das centrais sindicais! Recorrem à Igreja para apoiar os desempregados como se bricassem à caridadezinha do tempo da outra senhora! É inacreditável! Contudo, a “estratégia” não é um exclusivo dos sindicatos portugueses (leia-se “dirigentes sindicais” pois os sindicatos são outra coisa, são, deviam ser! as organizações dos trabalhadores!). Segundo quem esteve presente na Conferência Europeia realizada em Paris a 7 e 8 de Fevereiro, outros casos semelhantes foram narrados, de mau comportamento pela parte de dirigentes sindicais que puxam a luta dos trabalhadores para trás. Mas também por lá há casos semelhantes ao da Plataforma Sindical dos Professores que puxou o tapete aos professores com a assinatura do Memorando de Entendimento mas que depois de ter sido empurrado pela massa agendou um conjunto de lutas que são as que realmente os professores querem ver defendidas pelos SEUS sindicatos. Ou seja, quando a massa empurra os sindicatos impele-os a fazer o que é certo para vencerem e isto não aconteceu apenas por cá, vai acontecendo noutras lutas de outros países europeus. Estes enfrentam as mesmas afrontas das políticas tecidas no seio da União Europeia e as mesmas estratégia pífias para remediar a crise urdidas em concertações sociais que em nada beneficiam os trabalhadores.
    Por isso é tão importante neste momento impelir as centrais sindicais a fazer o que está certo, unindo a luta dos trabalhadores em vez de a dividir por sectores cumprindo agendas de calendários ineficazes e que acabam por se revelar apenas folclóricos.

    Fernando, por que não participas um dia destes numa reunião da RUE? Julgo que pessoas com a tua consciência são uma mais-valia para pensar como abrir portas à luta das massas trabalhadoras.

    Ser libertário não deve impedir a acção. Só unidos seremos bastantes!

  2. 25 Fevereiro, 2009 às 6:58 pm

    Sinceramente camarada desconheço em absoluto o que é isso da RUE. Mas também não me vejo, neste momento, a participar em qualquer movimento político organizado. O que não quer dizer que, sentindo-me identificado com os objectivos e linhas de actuação concreta, não possa, pontualmente, apoiar este ou aquele projecto, tal como procuro fazer (e faço) agora. Como dizes a acção é absolutamente indispensável a par do debate de ideias (embora esteja algo cansado de debates ideológicos “orientados” e algo ortodoxos -temos de ir ao concreto da vida das pessoas …para melhorar HOJE a vida das pessoas mais necessitadas). Mas se puderes indicar-me qualquer coisa onde possa conhecer melhor a RUE, agradecia-te.

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