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A BATALHA DAS IDEIAS NA CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS (5)

MOVIMENTOS SOCIAS

Os movimentos sociais não devem estar ligados a políticos ou a qualquer sector do Estado, pois sabemos que estes, quando se aproximam querendo ajudar, na imensa maioria dos casos estão procurando “base” para seus interesses político-partidários, ou visando acalmar os movimentos, estabelecendo interlocuções deles com a institucionalidade do Estado. Conhecendo bem a concepção autoritária dos partidos, sabemos que seu interesse é sempre CONTROLAR os movimentos sociais,  pois vêem nos movimentos sociais uma fonte de votos, ou um “movimento de massas” que sirva de base, para a vanguarda que desejam ser. Neste caso, os partidos políticos querem chefiar e mandar nos movimentos sociais, achando-se superiores a eles e julgam ser os iluminados que trarão consciência às classes exploradas. Muitas vezes seus membros são intelectuais que querem saber, melhor do que o próprio povo, o que é melhor para ele. Outros organismos que buscam aparelhar, como sindicatos burocráticos e Igrejas, também não ajudam os movimentos sociais.

O movimento social não precisa de chefes, de dirigentes ou de gente que queira usá-lo. O movimento social precisa de gente que queira apoiá-lo e lutar junto com ele, mas não lutar por ele, no seu lugar. Lugar que é legitimado pela necessidade de sobrevivência e pela dignidade que possuem as causas que promovem a verdadeira solidariedade.

Outra característica importante dos movimentos sociais é sua combatividade. Ao reivindicarmos que devem ser combativos, queremos dizer que os movimentos sociais devem estabelecer suas conquistas impondo sua força social e não depender de favores ou boas acções de quaisquer sectores da sociedade, incluindo o Estado. A combatividade também se caracteriza por uma postura de defesa da luta de classes fora do Estado. Como entendemos o Estado como um forte pilar de sustentação do capitalismo, não acreditamos que os movimentos sociais possam exercer sua política dentro dele, sem que isso signifique uma forma de legitimar o capitalismo. A aproximação que os Estados fazem dos movimentos sociais são sempre uma forma de cooptá-los, de fazer um certo “pacto social”, que visa acalmar os ânimos da luta de classes e tem como objectivo garantir a legitimidade do sistema. Independente de os movimentos sociais serem mais ou menos violentos, o facto é que eles devem sempre manter-se combativos, confrontando o capitalismo e o próprio estado.

Defendemos, também, a acção directa, como forma de acção política que se opõe à democracia representativa. Os movimentos sociais não devem ter por objectivo a confiança em políticos que actuam dentro do Estado, para que representem seus interesses. Sabemos que a máquina do sistema representativo transforma a todos que nela entram, não permitindo, mesmo aos bem intencionados que os políticos eleitos realizem acções em prol das classes exploradas. A acção directa acontece quando o próprio movimento social em reacção constante contra o meio actual, nada espera dos homens, das potências ou das forças exteriores a ele, mas cria suas próprias condições de luta e retira de si mesmo seus meios de acção. Portanto, a acção directa é a clara e pura concreção do espírito de revolta: materializa a luta de classes que ela faz passar do campo da teoria e da abstracção ao campo da prática e da realização. Em consequência, a acção directa é a luta de classes vivida no dia-a-dia, é o assalto permanente contra o capitalismo.

Desta maneira, os movimentos sociais não confiam sua acção aos políticos, mas a realizam por conta própria, colocando em prática, de que “a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. A luta por esta emancipação deve ser feita de maneira estratégica, tornando a acção directa mais ou menos violenta, conforme as circunstâncias pedirem. Quando ela precisar ser violenta, deve sempre ser entendida como resposta, como autodefesa em relação ao sistema de dominação e exploração em que vivemos.

A acção directa é a forma de fazer política dos movimentos sociais, sendo que afirmamos que a política, no sentido que a defendemos, não tem sentido partidário, mas sim sentido de gestão daquilo que é público, de todos. A política que é feita pelo povo, devidamente organizado, decidindo efectivamente sobre tudo o que lhe diz respeito. A política que defendemos é aquela que se coloca hoje como uma luta dos trabalhadores, organizada de baixo para cima, contra a exploração e a opressão de que somos vítimas. É nas mobilizações sociais que ainda vemos alguma perspectiva de mudança política significativa na sociedade.

continua…..

# ferroadas

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  1. mescalero
    3 Março, 2009 às 10:39 am

    Estou de acordo que os movimentos sociais é que podem ser o motor da mudança. A revolução deve ser social e não política. É um bom post, o melhor da série até agora.
    Quanto à questão da violência, dá pano para mangas. Uma coisa que é preciso ter sempre em atenção é que a construção de um mundo diferente não pode ser feita através dos métodos deste em que vivemos. Há violência e violência. Há a violência exploradora e dominadora e há a violência libertadora, mas a fronteira entre as duas nem sempre é clara e corremos o risco de estar a reproduzir o que queremos combater. Por esta razão acho que o método pacifista é quase sempre melhor.

    abç

  2. 3 Março, 2009 às 11:03 pm

    Subscrevo tudo o que foi escrito, mas apenas penso que o povo não está preparado/mentalizado para assumir nas suas mãos o combate, em vez de o delegar em sabujos oportunistas que enchem os bolsos em negociatas que quase sempre lesam os bolsos de quem neles depositou a confiança de gerir o seu futuro. A prova é que já brevemente irão distribuir votos pela mesma seita de sempre e depois vão todos contentes para casa sentarem-se em frente à tv ver qual das sanguessugas irá (des)governar as suas vidas nos próximos 4 anos.
    Continuo a dizer que sem o apoio popular é impossível mudar alguma coisa. É impossível fazerem-se revoluções bem sucedidas contra o povo. O povo é soberano! Enquanto o povo quiser e puder dar poleiro a estes cromossomas pouco ou nada haverá a fazer, a não ser “enterrar” cada vez mais esta porcaria de forma a que finalmente, quando não puderem sustentar a fantochada camuflada de cidadãos do 1º mundo e finalmente faltarem os trocos para as caracoletas e a litrada de gasolina para o passeio domingueiro a coisa possa finalmente mudar. Caso contrário, continuo a dizer, cá estaremos daqui a 100 anos a falar do mesmo.

    Saudações do Marreta.

  3. Manuel Baptista
    7 Março, 2009 às 11:52 am

    A questão de preparação ou não de um povo é muito complexa: dias antes do 25 de Abril de 74 quem imaginaria que um milhão de portugueses desfilasse no próximo 1º de Maio?
    As pessoas são reprimidas desde criancinhas, ensinando-lhes a resignação: a repressão é sobretudo a inibição da criatividade, da autonomia e do pensamento crítico de cada pessoa. As coisas continuam ao longo da vida, de forma mais ou menos brutal, ou mais ou menos subtil, consoante o tipo de regime. Porém o ser humano tem uma tendência natural para a liberdade, para a felicidade, isso é que faz com que muitas pessoas continuem a lutar, mesmo quando as condições são adversas e não se vislumbra o seu triunfo.
    Agora, quando a correlação de forças se modifica, quando os poderosos perdem uma parte substancial do seu poder, as pessoas mais tímidas ganham coragem e avançam, participando em formas de luta, que na véspera nem tinham sonhado!
    Nesta pseudo-democracia, o que importa mais é que as pessoas descolem mentalmente, reconheçam que lhes fizeram uma doutrinação contínua e profunda, de que «em democracia» são elas que mandam, são elas que escolhem as políticas, em última análise, ao «escolherem» os dirigentes, os quais são «apeáveis» pelo povo na eleição seguinte. Nada mais falso!
    Daí que os movimentos sociais só percam por andar a reboque de partidos, de terem nas suas cúpulas pessoas que estão lá por fidelidade aos respectivos partidos, não por mérito e provas dadas na luta social.
    A necessidade de despartidarizar os movimentos socias leva-me a uma postura de «anti- político», querendo isto dizer que as minhas escolhas e decisões têm que ver APENAS com critérios de classe e não ideológicos:
    -tal ou tal posição, medida, iniciativa, serve os interesses da classe trabalhadora?
    -contribui para o fortalecimento dos seus instrumentos de luta e enfraquecimento dos seus inimigos de classe?
    Estas são as questões que coloco para me posicionar sobre o que se vai passando na vida colectiva deste país.

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