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A BATALHA DAS IDEIAS NA CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS (7)

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 …..continuação

 

Além disso, a própria “ginástica revolucionária” proporcionada pelas experiências de luta, ao mesmo tempo em que trará conquistas de curto prazo, será responsável por auxiliar este processo de educação, contribuindo com as experiências práticas de busca da liberdade, por meio da própria liberdade.

As conquistas de curto prazo, chamadas reformas, quando conquistadas pelos movimentos sociais, servirão como maneiras de diminuir o sofrimento daqueles que lutam e ao mesmo tempo os ensinará as lições da organização e da luta. Entendemos, assim, que “tomaremos ou conquistaremos as eventuais reformas no mesmo espírito daquele que arranca pouco a pouco do inimigo o terreno que ele ocupa, para avançar cada vez mais. Mesmo com a luta pelas reformas, eles podem sustentar uma prática revolucionária, e ser contra o reformismo, visto que “se somos contra o reformismo, não é porque as melhorias parciais não nos interessam, mas porque acreditamos que o reformismo é um obstáculo não somente à revolução, mas até mesmo às reformas.

Esta afirmação abre espaço para uma outra característica que julgamos fundamental nos movimentos sociais: a perspectiva revolucionária de longo prazo. Neste caso, a ideia é que os movimentos sociais, além de terem suas bandeiras específicas (terra, trabalho etc.) possam ter como objectivos a revolução e a construção de uma nova sociedade. Entendemos que as lutas de curto e médio prazo são complementares com esta perspectiva de longo prazo. Com a perspectiva de longo prazo, os movimentos têm maior poder de conquista, visto que quanto mais longínquo os objectivos, maiores são as conquistas, não sendo as primeiras conquistas o fim da luta. Muitos movimentos sociais que não possuem perspectiva de longo prazo, ao terem suas reivindicações atendidas acham que isso é o fim da linha. Para nós, este é somente o primeiro passo e, mesmo que conquistado, deve estimular outras lutas e mobilizações em torno de outros problemas que são cometidos na nossa sociedade. É esta perspectiva que também proporciona uma visão crítica dos movimentos sociais em relação ao capitalismo e ao Estado, deixando-os alertas para as tentativas de conciliação de classe. Esta perspectiva também estimula a solidariedade e o apoio mútuo, visto que as classes exploradas não se vêem mais fragmentadas, mas como parte de um todo que luta por uma nova sociedade. Assim, os movimentos sociais defendem uma perspectiva de longo prazo que é revolucionária, no sentido que quer substituir uma sociedade fundada na iniquidade, na exploração da imensa maioria dos homens por uma minoria opressiva, no privilégio, no ócio, e numa autoridade protectora de todas essas belas coisas, por uma sociedade fundada nessa justiça igual para todos e na liberdade de todos. Quer, em resumo, uma organização económica, política e social, na qual todo ser humano, sem prejuízos para suas particularidades naturais e individuais, encontra uma igual possibilidade de desenvolver-se, instruir-se, pensar, trabalhar, agir e desfrutar a vida como homem.

 

Um outro ponto importante que deve ser mencionado é o facto de os movimentos sociais serem, muitas vezes, fruto de acções e mobilizações espontâneas das classes exploradas. Este facto para nós é natural e entendemos sempre ter de conviver com ele. Em situações extremas, sectores da população se revoltarão ou se mobilizarão por diversos motivos, para denunciar uma injustiça, para responder a um ataque do sistema, para conseguir o que comer, um lugar para morar etc. Se por um lado defendemos a organização, acreditamos, por outro, que devemos sempre apoiar estes momentos de mobilização popular espontânea. Os objectivos organizacionais devem-se ir dando no meio da luta. Não devemos, portanto, questionar o espontâneo quando ele assim acontece, mas sim, implicados nas lutas, tentar catalisar as forças para que se chegue ao grau necessário de organização. A interacção desta dinâmica própria dos movimentos sociais, que naturalmente contém grande grau de espontaneidade, com os contextos sociais que variam (repressão, legislação, mudanças de forças políticas em jogo etc.) fará com que os movimentos sociais tenham, naturalmente, fluxos e refluxos. Haverá momentos em que as circunstâncias proporcionarão uma realidade de lutas mais radicalizadas e permanentes. Em outras, proporcionarão contextos de dificuldade para articulação, desmotivação, medo etc. Ou seja, é natural que existam contextos de fluxos e refluxos.

Em certas épocas, que são geralmente as precursoras dos grandes acontecimentos históricos, dos grandes triunfos da humanidade, tudo parece avançar num passo acelerado, tudo respira força: as inteligências, os corações, as vontades, tudo vai em uníssono, tudo parece ir à conquista de novos horizontes. Então, estabelece-se em toda a sociedade, como uma corrente eléctrica que une os indivíduos mais afastados num mesmo sentimento e as inteligências mais díspares num mesmo pensamento que imprime a todos a mesma vontade. Mas há outras épocas sombrias, desesperantes, fatais, onde tudo respira a decadência, a prostração e a morte, e que manifestam um verdadeiro eclipse da consciência pública e privada. São os refluxos que segue sempre as grandes catástrofes históricas.

Pensamos ser nossa obrigação avaliar correctamente o contexto e actuar de maneira conforme. Nos momentos em que o contexto apontar um fluxo, devemos atacar, actuando com toda a força e proporcionando toda a organização necessária. Nos momentos em que o contexto apontar um refluxo, devemos saber conviver com os problemas, “manter a chama acesa”, e aguardar os momentos certos para voltar a nos mobilizar.

Enfim, nossa concepção é que devemos romper o isolamento dos indivíduos criando e estimulando o desenvolvimento dos movimentos sociais com as características aqui colocadas. Esta é uma primeira etapa de nossa estratégia permanente. Depois disso, em uma segunda etapa, entendemos ser necessária a articulação de vários movimentos sociais para a constituição do que estamos chamando em todo o texto de organização popular, sendo ela a confluência dos movimentos sociais em combate permanente ao capitalismo e ao Estado.

Procurando aumentar permanentemente a força social da organização popular e com a sua radicalização, entendemos ser possível chegar à revolução social e assim constituir o socialismo libertário. Neste processo de transformação social, entendemos que as classes exploradas possuem um papel imprescindível, e sem estas e a sua forte ajuda nunca será possível o triunfo da revolução.

 

 continua….

 

# ferroadas

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