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Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!

Video recolhido na manifestação de professores de dia 8 de Março de 2008 – dizem que eram 100 000 mas eu acho que eram muitos mais e que nem todos eram professores! A unidade é possível e desejável!!!

Tenho por hábito fazer um post propositadamente para o Libertário. Desta vez porém não é isso que vai acontecer por dois motivos que passo a apontar:

1. Porque neste momento me encontro totalmente empenhada em ajudar a organizar a campanha da Lista do POUS para as eleições para o Parlamento Europeu, com todas as tarefas que isso implica, o que me deixa pouco tempo para outras coisas;

2. Porque considero importante continuar a defender a Escola Pública e a luta dos professores, a qual tem agendada uma manifestação para o próximo dia 30. Não considero esta a forma de luta mais eficaz, embora não possa deixar de participar e de apelar a que todos os professores o façam. Mais, na minha opinião, os professores já nada podem fazer sozinhos. É urgente que todos se unam nesta luta: professores, alunos, pais, funcionários públicos (toda a função pública é hoje alvo do mesmo ataque aos vínculos e carreiras, logo todos deviam estar unidos na mesma luta) e todos os trabalhadores em geral, pois a Escola Pública é a escola dos filhos dos trabalhadores. Quando as pessoas perceberem isto, hão-de perguntar às suas direcções sindicais por que têm separado a luta de cada sector em vez de unirem todos os sectores na mesma luta. E os dirigentes das maiores centrais sindicais hão-de ter que explicar aos trabalhadores por que se vão passear para Madrid, no quadro da CES (Confederação Europeia de Sindicatos), Carvalho da Silva e João Proença marchando lado a lado, e por que essa unidade cá em Portugal não é possível de realizar para defender os trabalhadores do despedimento, da perda de direitos e da luta desunida a que os têm sujeitado.
Ontem mesmo, numa escola, os alunos receberam o primeiro-ministro e a ministra da educação mais a sua comitiva com as seguintes palavras de ordem: «Governo fascista é a morte do artista»; vi agora mesmo as imagens e desta vez não me pareceu nada que fosse uma mobilização organizada, mas sim espontânea. Mais uma vez os nossos governantes tiveram que fugir pela porta do cavalo.

Deixo aqui e por todo o lado, para memória futura, o relato de uma outra recepção, que muito me impressionou e comoveu. Posso mesmo afirmar que ultimamente foi a forma de resistência que mais me convenceu a continuar a apoiar a luta dos professores — destes professores!, não dos outros que a troco de benefícios vão perdendo a dignidade da sua luta:

09-May-2009

7 de Maio de 2009, dia do patrono da ES/3 Dr. José Macedo Fragateiro. A Ministra da Educação aproveitou a efeméride para ir à escola entregar diplomas e, supostamente, ver a Escola antes das obras que aí vão ser realizadas. Tudo ocorreu com grande secretismo, mas, no próprio dia, adivinhava-se que a visita ia mesmo acontecer.

Ao final da tarde, no exterior, foram-se juntando professores/as de várias escolas de Ovar, vestidos de luto, que de mãos dadas em silêncio, foram ladeando a porta de entrada da escola, por onde presumivelmente passaria o carro da ministra.

Finalmente chegou, mas “num golpe de rins” o carro guinou para um portão lateral.

Maria de Lurdes Rodrigues teve medo daquele luto e daquele silêncio. A indignação foi tão grande que, espontaneamente, em coro (forte, muito forte) os professores gritaram: “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!”. Foi um momento de grande emoção colectiva.

Dentro da escola os professores também vestiam de luto.

A ministra entro, falou, entregou diplomas, mas os professores mantiveram-se obstinadamente juntos e silenciosos. Depois o “Canto Décimo”, também de luto vestido dedicou o seu canto aos professores portugueses, e à memória de José Fragateiro, evocando a frontalidade democrática que o caracterizava, e que o faria, certamente, estar ao lado dos professores, nestes tempos tão difíceis que estão a passar.

No fim da sessão, um grupo de professores entregou à Ministra um documento de protesto, que deixamos aqui, para que conste. A resistência continua! E a Ministra foi-se embora sem visitar a Escola.

Senhora Ministra da Educação

Excelência

Hoje, dia 7 de Maio de 2009, a nossa Escola – a Escola Secundária com 3.º Ciclo do E.B. José Macedo Fragateiro – está em festa.

Durante todo o dia foi possível verificar, em muitos dos nossos espaços interiores e exteriores, o profissionalismo, a dedicação e empenho dos professores, dos alunos e dos funcionários que integram o conjunto da nossa comunidade escolar.

Ao longo do dia, por entre todas as actividades aqui realizadas, pudemos também perceber e sentir o espírito e a presença do legado que nos deixou o nosso patrono, colega e companheiro de alguns de nós em tempos difíceis do nosso sistema educativo, o Dr. José Macedo Fragateiro

O Dr. Fragateiro foi e continua a ser para nós um modelo de pedagogo que, sem alaridos nem arruaça, soube mostrar-nos (a professores, a alunos e a funcionários) como se deve combater pela liberdade, pela justiça e pela qualidade da escola pública. O Dr. Fragateiro foi e continuará a ser para nós um exemplo de cidadão que não verga a cerviz e não cede a tiques de autoritarismo ou à imposição de quaisquer tipo de mordaça ou inibição da liberdade e autonomia que deve reger o verdadeiro trabalho docente (um magistério!) nem ficaria indiferente perante toda e qualquer manifestação de ataque à dignidade e prestígio da função docente. Se cá estivesse ainda, certamente estaria ao nosso lado e não aceitaria a perda da democracia na gestão das escolas nem alinharia com processos de pseudo-avaliação de desempenho docente nem com a divisão da nossa carreira em diferentes categorias.

Neste dia, portanto, que foi de festa e de alegria, não poderíamos deixar de lhe manifestar – em nome da grande maioria dos professores desta escola – a nossa tristeza e mágoa por tudo o que o seu Ministério nos tem feito e continua a fazer, destruindo a nossa vontade de trabalhar mais e sempre em prol da formação dos nossos alunos como cidadãos livres, críticos e independentes.

A senhora Ministra sabe certamente as razões por que lhe dizemos isto.

Professores da Escola Sec. José Macedo Fragateiro
#Kaótica

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