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A HISTÓRIA DO MOVIMENTO LIBERTÁRIO EM PORTUGAL (PARTE I)

patria livre

O lançamento do movimento libertário em Portugal é no ano de 1886, a partir da vinda do geógrafo Elisée Reclus e do seu encontro com José Antônio Cardoso.

Em 1886, formou-se um comité anarquista que editou um órgão mensal com o seu nome: “A Centelha”.

Com excepção do sindicalismo de acção directa, o anarquismo foi a componente do movimento social que exerceu mais influência na sociedade portuguesa entre 1886 e 1936.

A partir de 1886, houve um grande crescimento do número de grupos anarquistas. Em cada ano há, em média, cerca de 10 novos grupos. A corrente predominante é a do comunismo-anarquismo.

No final da monarquia, de 1908 a 1910 os republicanos aliaram-se aos anarquistas para implantarem a 1ª República, em 5 de Outubro de 1910. Foram principalmente operários que lutaram e morreram nas revoltas, enquanto os dirigentes republicanos se protegiam nos seus palacetes, esperando o resultado do golpe, para depois aparecerem como heróis da luta contra a monarquia.

Mas, logo em 1911 e 1912, o governo republicano reprime o movimento operário, e muitos operários que apoiavam a república aderiram ao anarquismo. O ritmo de constituição de grupos anarquistas acelera-se, passando de 11 em 1910, são criados mais 61 em 1911, 50 em 1912, 44 em 1913, 57 em 1914, 35 em 1915. Uns trinta novos periódicos vêm tornar mais considerável a imprensa especificamente anarquista entre 1911 e 1916. O facto mais significativo, todavia, reside talvez na criação, pelos militantes, duma Federação Anarquista do Sul (1911), duma outra no Norte (1912) e duma União Anarquista do Algarve (1912), motivados pela preocupação e eficácia. A ascensão espectacular do socialismo libertário parece tanto mais irresistível na medida em que os seus partidários tomam conta do movimento sindical no Congresso de Tomar, em 1914.

Em 1923 é criada a União Anarquista Portuguesa (UAP).

Os anos 20 foram anos de grandes movimentos sociais em que os anarquistas tiveram um papel importante.

Em 1926, realizou-se em Marselha, o Congresso da Federação de Grupos Anarquistas de Língua espanhola em França, de 13 a 16 de Maio. Este congresso havia acordado constituir a Federação Anarquista Ibérica (FAI) bem como a sede desse organismo, dadas as condições anormais de Espanha, fosse fixada em Lisboa, incumbindo a UAP desse trabalho, a qual oportunamente promoveria «um Congresso Ibérico para dar carácter definitivo à dita Federação».

O congresso da UAP, a tal respeito deliberou: «Que seja incumbido o Comité Nacional da UAP de promover uma reunião de delegados do Comité de Relações da UA Espanhola, onde sejam tratados os principais assuntos do movimento internacional e em especial a constituição da FAI».

Entretanto, a União Anarquista Espanhola promove a Conferência Anarquista de Valência, em Junho de 1927, na qual a UAP se fez representar por um delegado directo. Esta conferência mantém a decisão de Marselha quanto ao Comité da FAI, cuja sede deveria fixar-se em Lisboa, visto as condições anormais continuarem em Espanha.

A questão é que essa anormalidade na Espanha, reproduziu-se em Portugal, com continuadas repressões, vários elementos activos foram deportados para África, ficando os restantes sob uma perseguição feroz e o Comité de Relações nunca pôde ser organizado em Lisboa, criando-se mais tarde em Sevilha.

Poucos dias depois do Congresso de Marselha, dá-se o golpe militar de 28 de Maio de 1926, que esteve na origem de uma ditadura militar (1926-1933) e alguns anos mais tarde, em 1933, instaurou-se o Estado Novo, ou ditadura de Salazar, que durou até a 25 de Abril de 1974.

Em 1936, a CGT ainda se faz representar no congresso da CNT, em Saragoça.

Em 1938, o movimento anarquista é já precário. Um grupo de militantes, entre os quais Emídio Santana, fez um atentado falhado contra Salazar.

A partir dessa altura, deixa praticamente de existir um verdadeiro movimento, devido à repressão e ao desmantelamento das organizações.

Ferroadas

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  1. Vítor Hugo
    23 Dezembro, 2009 às 5:06 pm

    Então a partir de 1938 deixa de haver movimento anarquista, então a “Batalha” de Lisboa e o centro libertário? o centro de cultura libertária de Almada? o Ateneu de Coimbra?? nos anos 80 e 90…

  2. 26 Dezembro, 2009 às 1:52 pm

    Caro Vítor Hugo

    “A partir dessa altura, deixa praticamente de existir um verdadeiro movimento, devido à repressão e ao desmantelamento das organizações”

    Quem sou eu para lhe explicar o sentido do parágrafo em causa, direi apenas que a partir de 1938 (atentado a Salazar) o movimento anarquista (já em fase decadente devido à repressão fascista) se tornou (quase) inócuo, desviando os seus “efectivos” para a luta que então se travava por Espanha aquando da guerra civil. Acabando esta com a “vitória” dos falangistas todo o movimento anarquista na península ficou desmembrado, ficando o mesmo entregue a pequenos núcleos que actuando na clandestinidade (este seu amigo fez parte de alguns) tentava reorganizar-se, nunca o conseguindo na plenitude. Em Espanha, a luta armada contra o regime de Franco continuou a fazer-se até ao início dos anos cinquenta, acabando praticamente com o movimento de resistência armada (feita quase e só pelos anarquistas) devido aos fuzilamentos perpetrados pelos Franquistas, feitos mesmo depois do términos da guerra-civil. Em Portugal e devido às grandes percas de militantes e activistas mortos em Espanha, o movimento anarquista era praticamente inexistente, existindo, como afirmei atrás, pequenos grupos dispersos clandestinos. Só com o aparecimento da liberdade em 25 de Abril de 1974, os mesmos ressurgem, como aliás o amigo bem o foca.

    Abraço

  3. Anónimo
    18 Outubro, 2015 às 1:16 am

    Aquilino Ribeiro. Parece ter sido anarquista quando jovem. Minha vó cuidava dele antes de vir a falecer. Aurora de Oliveira

  4. Andrik Vijk
    18 Outubro, 2015 às 1:17 am

    Meu nome é André Vicente. Rio de Janeiro. Saúde e anarquia!

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