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Archive for the ‘REVOLUÇÃO’ Category

PORTUCALE

2 Fevereiro, 2011 Deixe um comentário
Começou hoje o “julgamento” (come se esta gente fosse efectivamente julgada) do “Processo Portucale” que envolve “gente” “poderosa” cá do burgo. Como se está mesmo a ver, este, tal como os restantes que envolvem processos a vigaristas de “colarinho branco” vai ficar em nada. A justiça actual favorece-os, foi feita por eles, Portugal tornou-se uma quinta, onde esta cambada de eunucos vive à grande. A corrupção, o compadrio, o favorecimento, o enriquecimento ilícito, tornou-se a regra em vez de ser excepção.  Portugal, tornou-se por força desta gente num país atrasado, medíocre até, onde não apetece viver e/ou trabalhar. Políticos, banqueiros e o grande capital empresarial, vivem num infindável lodaçal de favores e corrupção, não se vislumbrando o seu términos.
Tal como em outras latitudes, só o Povo nas ruas, em massa, poderá um dia acabar com este estado de coisas, da Tunísia e do Egipto, vêm-nos bons exemplos de cidadania e de coragem, tal como em 25 de Abril, o Povo é sempre quem mais ordena.
Só o Poder Popular, assegurado nas suas organizações Populares de Base poderá repor Abril.

É tudo a gamar….

19 Janeiro, 2011 Deixe um comentário
A burguesia partidária (PS, PSD, PCP, CDS, BE, VERDES!!!!! e MRPP!!!!) do burgo recebeu do nosso dinheiro no ano findo (2010) qualquer coisa como (não caiam da cadeira) 71,7 milhões de Euros, sendo o PS o mais agraciado (30 Milhões de Euros). Disto ninguém fala, digo ninguém desses partidos claro. Falam eles  em “moralização” dos gastos e dos subsídios estatais aos mesmos,  como se isso fosse possível, se são eles que “mexem” na massa, é o mesmo que dizer a um pasteleiro que não prove o creme dos pastéis de nata. Como se verifica é tudo farinha do mesmo saco no que toca a “massas”. Se a uns acho normal o gosto pelo “material”, já aos restantes acho estranho o silêncio. Coisas……
Já agora e dentro da mesma linha, como é possível a presidência da república gastar em 2010 também do dinheiro de todos nós, qualquer coisa como 18 milhões de Euros, dizer apenas que a casa Real espanhola gastou no mesmo período 9 milhões.
E arma-se esta gente nos mais sérios da paróquia, nos defensores dos pobres e oprimidos, da moralização e defesa da coisa pública e na equitativa distribuição da riqueza, para mim não passam duns salafrários de meia-tigela, ainda por cima com o meu dinheiro. Merda para tal gente.
# Jota Daniel

18 DE JANEIRO DE 1934

18 Janeiro, 2010 1 comentário

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Não é de mais ainda aconselhar a leitura da obra de Fátima Patriarca “Sindicatos contra Salazar. A Revolta do 18 de Janeiro de 1934” (Imprensa de CiênciasSociais, 2000) de que deixamos aqui parte da resenha que mereceu na Análise Social por Henrique N. Rodrigues: 

(…) 1.º Não tem qualquer sentido reconduzir o 18 de Janeiro à Marinha Grande. Fica mais do que demonstrado que a versão oficial (interesseira, por natureza) e a versão do Partido Comunista (também obviamente interesseira) — ao prestarem destaque quase único à Marinha Grande, aos vidreiros e à liderança comunista não logram comprovativo na realidade dos factos.
2.º Ganha sentido, sim, «recolocar» o 18 de Janeiro na sua dimensão histórica exacta: um movimento operário insurreccional, que visava a reconquista das liberdades sindicais, a par do derrube do regime do Estado Novo.
3.º Neste contexto, a Marinha Grande é um episódio «mediático» (assim o diríamos na linguagem corrente), porque envolve uma ocupação da vila pelos revoltosos — ainda que de duração muito curta —, o assalto aos correios e a rendição da GNR. Sobretudo esta é, de facto,paradigmática. Mas não há greve, não houve «soviete» nem içar de bandeira vermelha nos Paços do Concelho.
4.º O episódio da Marinha Grande é, por outro lado, reposto quanto à autoria do seu comando: se é verdade que a CIS e o PC têm peso significativo na direcção do Sindicato Nacional dos Vidreiros, não é menos verdade que se comprova a participação empenhada da CGT ede trabalhadores de outras correntes político-sindicais.
5.º Fica igualmente comprovado que o movimento operário insurreccional, de que expressões concretas vão ter lugar para além da Marinha Grande, se gera e desenvolve com oconcurso das duas principais correntes sindicais — a anarquista e a comunista — e com o envolvimento dos sindicalistas socialistas ( a Federação das Associações Operárias) e da corrente sindicalautónoma (COSA — Comité das Organizações Sindicais Autónomas).
6.º Fátima Patriarca descreve bem os entendimentos e desentendimentos surgidos entre estas várias correntes e clarifica melhor o seu peso respectivo. É indubitável que a CGT e a corrente sindical anarquista tiveram, neste processo, uma influência marcante. Isto não elimina o papel dos comunistas — que não pode ser esquecido ou menorizado —, mas repõe a verdade essencial: e essa é a do contributo das várias tendências sindicais (anarquista, comunista, socialista e a dos autónomos), segundo os factos que conseguiu demonstrar.Não me parece que seja muito importante, hoje, «contar espingardas», ou seja, procurar apurar se os anarquistas foram mais decisivos do que os comunistas, ou se os socialistas ou os autónomos não tiveram significado relevante. Houve uma convergência de esforços, emergiu uma implicação de todos — mesmo que não tenha ocorrido uma unidade estratégica, organizativa, táctica, como parece evidente pela comprovação dos desencontros, pelas falhas de articulação, pelas recriminações que, «antes e depois», choveram de uma banda e de outra, em recíprocas acusações.
7.º Neste contexto, importaria retirar a conclusão de que o «18 de Janeiro» merece ser comemorado, doravante, não apenas na Marinha Grande, como tem sido tradicional, mas também em Silves, em Sines, em Almada, zonas onde a «história que se fez» deixou na tumba as ocorrências — essas, sim, muito significativas — do que ali se passou; mas onde a «históriaque hoje rompe novos véus» já permite, sem margem para dúvidas, reconhecer que o «18 de Janeiro» é ali que conquista contornos historicamente mais iluminantes. Em suma, Silves, Sines, Almada, precisam de ser «transladadas» da campa rasa em que as colocaram para o «panteão» do verdadeiro «18 de Janeiro».

Texto retirado DAQUI

Ferroadas

 

UM DIA O POVO ACORDARÁ

Temos assistido ultimamente ao descalabro total da chamada classe política do burgo. Os nossos políticos, são, na sua maioria medíocres, alguns até roçam o péssimo. Os casos de pura e dura incompetência são tantos e tão diversificados que seria fastidioso enumerá-los, para além de não caberem no espaço físico do blog. Desde a corrupção generalizada, onde (quase) todos têm as orelhas a arder, passando pelo compadrio e tachismo geral, continuando no beija-mão aos poderosos, terminando na subserviência aos chefes, tudo junto define a pobreza imensa e a falta de escrúpulos que esta gente tem.

Não me admirava nada que dentro de poucos anos só esta cambada vote neles próprios, pois tenho para mim que o Povo sente vergonha de tão “ilustres” e desavergonhados personagens e na sua imensa inteligência os mande à merda.

Penso que o sistema actual, “fabrica” às carradas, (qual fábrica chinesa de t’shirts) este tipo de mentecaptos, por isso, continuo a pensar que temos condições para mudar, para alterar o sistema, para encontrar alternativas, para, de uma vez por todas, o Povo se levantar em uníssono e dizer BASTA.

Para tal é necessário coragem e vontade. Um dia o Povo acordará.

 # Ferroadas

A HISTÓRIA DO MOVIMENTO LIBERTÁRIO EM PORTUGAL (PARTE I)

16 Novembro, 2009 4 comentários

patria livre

O lançamento do movimento libertário em Portugal é no ano de 1886, a partir da vinda do geógrafo Elisée Reclus e do seu encontro com José Antônio Cardoso.

Em 1886, formou-se um comité anarquista que editou um órgão mensal com o seu nome: “A Centelha”.

Com excepção do sindicalismo de acção directa, o anarquismo foi a componente do movimento social que exerceu mais influência na sociedade portuguesa entre 1886 e 1936.

A partir de 1886, houve um grande crescimento do número de grupos anarquistas. Em cada ano há, em média, cerca de 10 novos grupos. A corrente predominante é a do comunismo-anarquismo.

No final da monarquia, de 1908 a 1910 os republicanos aliaram-se aos anarquistas para implantarem a 1ª República, em 5 de Outubro de 1910. Foram principalmente operários que lutaram e morreram nas revoltas, enquanto os dirigentes republicanos se protegiam nos seus palacetes, esperando o resultado do golpe, para depois aparecerem como heróis da luta contra a monarquia.

Mas, logo em 1911 e 1912, o governo republicano reprime o movimento operário, e muitos operários que apoiavam a república aderiram ao anarquismo. O ritmo de constituição de grupos anarquistas acelera-se, passando de 11 em 1910, são criados mais 61 em 1911, 50 em 1912, 44 em 1913, 57 em 1914, 35 em 1915. Uns trinta novos periódicos vêm tornar mais considerável a imprensa especificamente anarquista entre 1911 e 1916. O facto mais significativo, todavia, reside talvez na criação, pelos militantes, duma Federação Anarquista do Sul (1911), duma outra no Norte (1912) e duma União Anarquista do Algarve (1912), motivados pela preocupação e eficácia. A ascensão espectacular do socialismo libertário parece tanto mais irresistível na medida em que os seus partidários tomam conta do movimento sindical no Congresso de Tomar, em 1914.

Em 1923 é criada a União Anarquista Portuguesa (UAP).

Os anos 20 foram anos de grandes movimentos sociais em que os anarquistas tiveram um papel importante.

Em 1926, realizou-se em Marselha, o Congresso da Federação de Grupos Anarquistas de Língua espanhola em França, de 13 a 16 de Maio. Este congresso havia acordado constituir a Federação Anarquista Ibérica (FAI) bem como a sede desse organismo, dadas as condições anormais de Espanha, fosse fixada em Lisboa, incumbindo a UAP desse trabalho, a qual oportunamente promoveria «um Congresso Ibérico para dar carácter definitivo à dita Federação».

O congresso da UAP, a tal respeito deliberou: «Que seja incumbido o Comité Nacional da UAP de promover uma reunião de delegados do Comité de Relações da UA Espanhola, onde sejam tratados os principais assuntos do movimento internacional e em especial a constituição da FAI».

Entretanto, a União Anarquista Espanhola promove a Conferência Anarquista de Valência, em Junho de 1927, na qual a UAP se fez representar por um delegado directo. Esta conferência mantém a decisão de Marselha quanto ao Comité da FAI, cuja sede deveria fixar-se em Lisboa, visto as condições anormais continuarem em Espanha.

A questão é que essa anormalidade na Espanha, reproduziu-se em Portugal, com continuadas repressões, vários elementos activos foram deportados para África, ficando os restantes sob uma perseguição feroz e o Comité de Relações nunca pôde ser organizado em Lisboa, criando-se mais tarde em Sevilha.

Poucos dias depois do Congresso de Marselha, dá-se o golpe militar de 28 de Maio de 1926, que esteve na origem de uma ditadura militar (1926-1933) e alguns anos mais tarde, em 1933, instaurou-se o Estado Novo, ou ditadura de Salazar, que durou até a 25 de Abril de 1974.

Em 1936, a CGT ainda se faz representar no congresso da CNT, em Saragoça.

Em 1938, o movimento anarquista é já precário. Um grupo de militantes, entre os quais Emídio Santana, fez um atentado falhado contra Salazar.

A partir dessa altura, deixa praticamente de existir um verdadeiro movimento, devido à repressão e ao desmantelamento das organizações.

Ferroadas

POR UMA SOCIEDADE LIBERTÁRIA

19 Outubro, 2009 2 comentários

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Parte II

Aqueles que estão familiarizados com as tradições radicais reconhecerão um foco anarco-comunista neste esboço de comunidade, um foco anarco-sindicalista no controle dos trabalhadores, e um foco anarco-feminista pela abolição da distinção entre esferas públicas e privadas da vida social. Acredito que sem a presença de cada um desses elementos os outros não poderão ser alcançados. Se apenas os trabalhadores controlassem tudo sozinhos sem deixar nenhum espaço de tomada de decisão à comunidade como um todo estaríamos a deturpar toda a razão revolucionária. Impedir que a comunidade participe também no controle dos meios de produção é algo sem sentido, vazio. O fracasso na democratização e na socialização das Casas, o fracasso em incluí-las (e sua consequentemente reprodução) como parte explícita e integrante dos arranjos sociais, deixaria intacta a divisão por género, ao mesmo tempo em que perpetuaria a dicotomia público/privado.

 Nas recentes décadas surgiram novas cidades, praticamente do nada, principalmente pelo “fomento” de empreendimentos de intercambio. Também, muitas casas utópicas completamente novas foram estabelecidas ao longo do século XIX nos Estados Unidos, e talvez noutros lugares. Seguramente será possível, tendo os recursos, construir novas casas a partir do nada no futuro, pelo menos numa escala limitada. Entretanto, esta será certamente mais uma excepção do que uma regra, especialmente no começo desta revolução. Na maioria das vezes, construir a partir do nada estará fora de questão durante os primeiros 50-75 anos.

 Portanto, a tarefa actual que enfrentamos é transformar estruturas existentes (edifícios, fábricas) e relações sociais naquilo que desejamos. Precisamos tentar imaginar como o nosso bairro modelo ficaria depois de ter sido convertido a partir de um bairro urbano típico (em vez de construí-lo do nada).

Vejamos primeiro se podemos converter a fábrica existente em algo mais útil ao viver democrático, cooperativo, sem esquecer que esta é a parte mais fácil; difícil mesmo é transformar as relações sociais (por exemplo, propriedade, família, trabalho, e as relações que exercem entre si). Lidarei com isto mais abaixo discutindo como chegar lá.

 Fábricas e lojas podem ser facilmente adaptadas, caso não possam ser usadas como estão (depois de ocupadas e serem auto-gestionárias). Algumas áreas terão que ser dedicadas às reuniões dos Círculos Operários e assembleias de projectos.

 Mais difícil será transformar uma rua cheia de residências individuais numa casa. Provavelmente algumas improvisações podem ser feitas: constroem-se passagens e túneis entre os edifícios; certos quartos para seminários, cuidados médicos, bloquear certas ruas para ordenar de forma diferente, ampliação de uma ou duas cozinhas numa unidade comunal; rearranjo de quartos, etc..

Também será difícil de achar um espaço de reunião para a Assembleia de Casas. Há opções porém. Uma igreja, um ginásio ou poli-desportivo seria uma forma de se encontrar a solução. Mas também, armazéns, supermercados e lojas. A maioria destes espaços não pode segurar 2000 pessoas porém. Pode ser necessário começar com Assembleias de Casas menores – digamos, cinco Casas de 200 pessoas cada – formando uma Assembleia de Casas de 1000 pessoas, em vez de dez Casas formando uma Assembleia de Casas de 2000 pessoas.

Mais tarde, quando o fluxo de riqueza do bairro para a classe dominante for interrompido, quando a riqueza da classe dominante for re-apropriada pelo povo, os bairros irão querer, indubitavelmente e terão recursos para fazer isso, construir espaços mais apropriados para a Assembleia de Casas, especialmente projectados para isso, como também novos complexos comunitários. Mas no princípio teremos que sobreviver com o que já existe. Todas as riquezas produzidas por séculos a fio estão embutidas no desenho arquitectónico actual, um desenho que reflecte os valores, prioridades e relações sociais capitalistas. Levará muito tempo até que possamos demolir e reconstruir todo esse mundo físico, de forma a expressar as necessidades de pessoas livres. Para tal haja união.

Uma vez reconstruído, a nova civilização será caracterizada pelos seus espaços reservados à realização de assembleias. Da mesma maneira que mundos anteriores foram caracterizados pelas pirâmides do Egipto antigo, pelos templos e teatros da Grécia antiga, pelos castelos e catedrais da Europa medieval e pelos bancos e arranha-céus do capitalismo moderno, assim, o novo mundo social de pessoas cooperativamente autónomas será conhecido pelos seus espaços de reunião. Tais espaços em sua maioria terão distintas características arquitectónicas. Indubitavelmente serão de todas as formas e tamanhos. Além das grandes câmaras de assembleia gerais para os bairros (Assembleias de Casas), serão necessários alguns pequenos espaços que se adequam ao desenvolvimento dos projectos necessários a cada Casa e aos encontros dos Círculo Operário, como também espaços maiores para projectos ampliados e assembleias da Casas ampliadas. Após discussão e aprovação, algumas pessoas projectarão, construirão e equiparão bonitos  e excelentes espaços, onde de uma forma solidária todos se sentirão Homens Livres.

…continua

#Ferroadas

POR UMA SOCIEDADE LIBERTÁRIA

12 Outubro, 2009 4 comentários

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Vamo-nos concentrar num mundo alternativo. Suponhamos que seja possível construir um mundo social totalmente novo a partir do nada, ou seja, se fôssemos construir os bairros do nosso jeito. Com seriam?

      Eu imaginei um bairro assim:

Casas: Casas (no contexto dessa proposta) são unidades de aproximadamente 200 pessoas coabitando em um complexo de edifícios disponibilizando uma variedade de infrastruturas para indivíduos isolados, duas pessoas, famílias, e grandes famílias. O complexo teria instalações para reuniões, espaços comunais (como também espaços privativos) cozinha, lavandaria, educação primária e pré-primária, oficinas, ginásios, ambulatório de cuidados médicos básicos, maternidade, pronto-socorro e algumas instalações recreativas. As Casas são administradas democrática e cooperativamente por uma Assembleia directa de membros.

Projectos: Os projectos incluiriam todas as actividades cooperativas (mais de uma pessoa): agricultura, fabrica, ensino superior, pesquisa, medicina avançada, comunicações, transporte, artes, jogos desportivos, e assim sucessivamente, juntamente com outras actividades cooperativas dentro da própria Casa (cozinha, ensino, cuidados com crianças, serviços médicos, manutenção, etc.). Os edifícios seriam projectados e construídos para estas várias actividades. Interiormente, tais projectos seriam administrados democrática e cooperativamente por uma assembleia directa de sócios e ou membros. Alguns projectos, talvez a maioria, seriam controlados, no bom sentido, directamente pelo bairro, pela Assembleia do Bairro. Outros projectos seriam controlados por acordos entre várias ou muitas Assembleias dos Bairros.

Círculo Operário: Círculos Operários seriam unidades de aproximadamente 30-50 pessoas. Cada pessoa no bairro pertencerá a apenas um agrupamento de afinidade, desenhado o seu projecto piloto. Eventualmente tais agrupamentos por afinidade serão compostos por pessoas da mesma Casa mas a maioria delas estará envolvida com projectos fora da Casa, ou até mesmo fora do bairro. Todos os projectos (actividades cooperativas) serão tocados por tais agrupamentos. Estes agrupamentos se reunirão dentro do projecto para discutir assuntos, os quais, se necessário, serão levados às assembleias gerais. Os assuntos já discutidos no interior de cada projecto serão votados dentro das reuniões. As reuniões dos Círculos Operários são necessárias por causa das deliberações e genuínas discussões praticadas frente-a-frente em grupos com mais de 50 pessoas.

      Se surgirem pessoas de uma mesma Casa mas que actuam em projectos diferentes e queiram passar a trabalhar conjuntamente de forma autónoma, poderão recorrer à Assembleia da Casa enquanto entidade distinta, diferente da Assembleia do projecto (local de trabalho), embora a Casa possua Círculos Operários actuando em projectos como cozinha, educação, cuidado de crianças, e cuidados médicos.

Assembleia da Casa: A Assembleia da Casa é o núcleo da criação social. É uma assembleia de um bairro inteiro, em torno de 2000 pessoas, reunido num espaço próprio e suficientemente grande para facilitar a discussão democrática directa e a tomada de decisão. Claro que na prática o tamanho das Assembleias de Casas variará consideravelmente. Seu limite superior é entretanto determinado pelo número das pessoas que se podem encontrar num espaço suficientemente grande para que possam participar democraticamente das discussões, frente-a-frente e para desenvolver os processos de tomada de decisão.

Uma Associação de Assembleias de Casas: As Assembleias de Casas poderão  unir-se  umas às outras, por meio de pacto ou acordo combinado, formando uma associação maior. Haverá um acordo global que definirá a associação em geral, como também muitos acordos específicos para projectos em particular.

      Na Assembleia de Casas é o bairro que se governa. O bairro faz suas próprias regras, aloca seus próprios recursos e energias e negocia seus próprios tratados com outros bairros. O bairro controlará o espaço físico onde se situa, assim como todos os projectos e Casas dentro dele.

  Assim não teria mais lugar a:

hierarquia, representação, escravo assalariado, motivo de lucro, classes, propriedade privada dos meios de produção, impostos, estado, clero, alienação, exploração, elite de controle profissional de qualquer actividade, ou divisões formais por raça, género, idade, etnia, pontos de vista, convicções, ou inteligência. Este bairro, assim organizado, será a unidade básica da nova ordem social.

…continua

# Ferroadas