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Poder Popular

23 Janeiro, 2011 Deixe um comentário

18 DE JANEIRO DE 1934

18 Janeiro, 2010 1 comentário

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Não é de mais ainda aconselhar a leitura da obra de Fátima Patriarca “Sindicatos contra Salazar. A Revolta do 18 de Janeiro de 1934” (Imprensa de CiênciasSociais, 2000) de que deixamos aqui parte da resenha que mereceu na Análise Social por Henrique N. Rodrigues: 

(…) 1.º Não tem qualquer sentido reconduzir o 18 de Janeiro à Marinha Grande. Fica mais do que demonstrado que a versão oficial (interesseira, por natureza) e a versão do Partido Comunista (também obviamente interesseira) — ao prestarem destaque quase único à Marinha Grande, aos vidreiros e à liderança comunista não logram comprovativo na realidade dos factos.
2.º Ganha sentido, sim, «recolocar» o 18 de Janeiro na sua dimensão histórica exacta: um movimento operário insurreccional, que visava a reconquista das liberdades sindicais, a par do derrube do regime do Estado Novo.
3.º Neste contexto, a Marinha Grande é um episódio «mediático» (assim o diríamos na linguagem corrente), porque envolve uma ocupação da vila pelos revoltosos — ainda que de duração muito curta —, o assalto aos correios e a rendição da GNR. Sobretudo esta é, de facto,paradigmática. Mas não há greve, não houve «soviete» nem içar de bandeira vermelha nos Paços do Concelho.
4.º O episódio da Marinha Grande é, por outro lado, reposto quanto à autoria do seu comando: se é verdade que a CIS e o PC têm peso significativo na direcção do Sindicato Nacional dos Vidreiros, não é menos verdade que se comprova a participação empenhada da CGT ede trabalhadores de outras correntes político-sindicais.
5.º Fica igualmente comprovado que o movimento operário insurreccional, de que expressões concretas vão ter lugar para além da Marinha Grande, se gera e desenvolve com oconcurso das duas principais correntes sindicais — a anarquista e a comunista — e com o envolvimento dos sindicalistas socialistas ( a Federação das Associações Operárias) e da corrente sindicalautónoma (COSA — Comité das Organizações Sindicais Autónomas).
6.º Fátima Patriarca descreve bem os entendimentos e desentendimentos surgidos entre estas várias correntes e clarifica melhor o seu peso respectivo. É indubitável que a CGT e a corrente sindical anarquista tiveram, neste processo, uma influência marcante. Isto não elimina o papel dos comunistas — que não pode ser esquecido ou menorizado —, mas repõe a verdade essencial: e essa é a do contributo das várias tendências sindicais (anarquista, comunista, socialista e a dos autónomos), segundo os factos que conseguiu demonstrar.Não me parece que seja muito importante, hoje, «contar espingardas», ou seja, procurar apurar se os anarquistas foram mais decisivos do que os comunistas, ou se os socialistas ou os autónomos não tiveram significado relevante. Houve uma convergência de esforços, emergiu uma implicação de todos — mesmo que não tenha ocorrido uma unidade estratégica, organizativa, táctica, como parece evidente pela comprovação dos desencontros, pelas falhas de articulação, pelas recriminações que, «antes e depois», choveram de uma banda e de outra, em recíprocas acusações.
7.º Neste contexto, importaria retirar a conclusão de que o «18 de Janeiro» merece ser comemorado, doravante, não apenas na Marinha Grande, como tem sido tradicional, mas também em Silves, em Sines, em Almada, zonas onde a «história que se fez» deixou na tumba as ocorrências — essas, sim, muito significativas — do que ali se passou; mas onde a «históriaque hoje rompe novos véus» já permite, sem margem para dúvidas, reconhecer que o «18 de Janeiro» é ali que conquista contornos historicamente mais iluminantes. Em suma, Silves, Sines, Almada, precisam de ser «transladadas» da campa rasa em que as colocaram para o «panteão» do verdadeiro «18 de Janeiro».

Texto retirado DAQUI

Ferroadas

 

ATENTADO A SALAZAR

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Emídio Santana militou nas Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga Confederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa.
No seguimento do golpe militar fascista de 28 de Maio de 1926, desenvolveu uma actividade de resistência contra a ditadura e actividade sindical clandestina.
Em 1936, representou a CGT portuguesa no congresso da Confederação Geral do Trabalho de Espanha.
Em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado a Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa. Na sequência do atentado, Emídio Santana é procurado pela PIDE e foge para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prende e envia para Portugal onde é condenado a 16 anos de prisão.
A partir do fim da ditadura1974, Emídio Santana retoma a vida militante activa, nomeadamente como director do jornal A Batalha.
Em 1985, Emídio Santana escreveu Memórias de um militante anarcossindicalista, livro onde recorda momentos importantes da sua vida de militância política
Emídio Santana nasceu em a Lisboa, 4 de Julho de 1906, faleceu também em Lisboa, a 16 de Outubro de 1988 foi um dos mais importantes militantes portugueses do anarcossindicalismo. Foi autor de diversos artigos e ensaios sobre o anarcossindicalismo e o mutualismo.
 
# Ferroadas

25 DE ABRIL SEMPRE

25 Abril, 2009 3 comentários

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20-7-1974,in Diário de Lisboa (suplemento mosca), n. 18516, p. 3

 A contestação é legítima assim como o direito à reunião, à manifestação e à livre expressão. Essas são aliás algumas das mais preciosas conquistas do 25 de Abril que ainda conservamos. Parte da nossa vontade agir em conformidade com esse direito, e usá-lo.

Os governantes estão no poder mandatados pelo voto popular. Mas há quem diga que estão “mandados” (por que outras forças que se sobrepõem aos interesses da Nação?). Se o povo não está contente com o rumo de Portugal, com os governantes, com as leis absurdas que foram pondo em prática, com a corrupção, a falta de respostas da justiça, da saúde e da educação, com as imposições dos tratados da União Europeia, então que não vote em nenhuma dessa gente que já lá esteve antes contribuindo para este estado das coisas. Dizem-nos que é a crise mas nós sabemos quem fica a lucrar com ela. Já passámos por várias outras crises e são sempre os trabalhadores que saem a perder. Os portugueses têm que voltar a unir-se por uma governação verdadeiramente socialista e recusar colaborar e legitimar esta fantochada. Se baixarmos agora a resistência e dermos votos ao autoritarismo vigente corremos o risco de perder a Democracia e o que nos resta dos direitos conquistados. 25 de ABRIL, SEMPRE!

 

Kaótica

O Pafúncio

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O que o actual sistema ultra-liberal, ultra-capitalista, ultra-conservador com contornos e tiques fascisoides está a fazer ao espírito do 25 de Abril é, pura e simplesmente, tentar acabar com o mesmo.

Nunca um governo do pós-25 de Abril foi tão arrogante, incompetente e inimigo do Povo, nunca as suspeições de corrupção foram tão evidentes, tão feitas às claras, nunca governantes e seus lacaios conseguiram tanta impunidade, tanta trapaça, tanta vigarice.

Os Homens e Mulheres que fizeram a revolução devem-se sentir tristes e frustrados por verificarem que passados trinta e cinco anos e ao contrário do que previram, Portugal é governado por uma chusma de oportunistas, vigaristas e trafulhas.

Também todos os anti-fascistas, desde anarquistas, libertários, comunistas, socialistas, passando pelos verdadeiros sociais-democratas, todos eles os quais muitos com a própria vida, encarcerados em prisões miseráveis e ilegais, campos de concentração desprezíveis, todos esses devem perguntar agora: de que valeu o nosso sacrifício se as coisas estão na mesma ou piores?

 

VIVA O 25 DE ABRIL DO POVO

VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR

 

# ferroadas

 

DIA DA LIBERDADE!

25abril

 

# Marreta

 

 

Gritem façam qualquer coisa mas não fiquem parados!

O que aconteceu ao meu país?
Não me venham com a treta do D.Sebastião,que nevoeiro vos tapa os olhos?
Os olhos dos portugueses estão tristes e não é só às vezes
Porque paira no ar este anticiclone de tristeza?
Até os cantores se calaram, já não há mais vontade de cantar
Já não se baila e de repente vai-se perdendo o jeito de lutar.
Quem quer matar o meu país?

 

 

 

 

 

CONQUISTA

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Nos próximos posts, irei publicar alguns poemas de Alfredo Reguengo, retirados do livro “Poemas da Resistência” que me foi oferecido gentilmente pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia da Meadela, a quem Alfredo Reguengo legou toda a sua biblioteca pessoal. Este livro atravessa o período entre 1937 e Abril de 1974.

 Não conheci Alfredo Reguengo, pessoalmente. Retenho dele apenas uma muita vaga ideia, julgo que tinha um pequeno comércio de mercearia, na rua Gago Coutinho, em Viana do Castelo. Não tenho contudo a certeza, pelo que esta informação vai com todas as reservas. Mas aquela figura esguia, simpática, intensamente introspectiva, está bem presente na minha memória.

Alfredo Reguengo* era um homem, atento à actualidade e preocupado. O seu primeiro livro, “Poema dos 20 anos”, foi publicado muito cedo e o primeiro bloco de poemas da resistência, sob o pseudónimo de Julião Ricardo, foi composto entre 1937 e 1941, no período mais duro da repressão Salazarista e após a vitória franquista, na guerra civil da vizinha Espanha e no melhor período do III Reich.

Os seus escritos não poderiam, sendo ele um homem da resistência, de ser marcados por esses tempos de guerras. Eram contudo muito intimistas, voltados para o despertar de consciências, a união de esforços. “Irmão” ou “Multidão”eram palavras muito usadas, para designar o seu povo e os chamar ao combate contra a opressão e a guerra, pelas liberdades.

Esta colectânea de poemas da resistência, perpassa depois a vitória dos aliados e o seu discurso é mais poético, menos impulsivo e os temas são mais a preocupação pelo social, o quotidiano, a luta por uma vida melhor, as referências aos trabalhadores, aos pescadores, às condições de vida. Mais tarde, com a desilusão a fazer-se sentir, atravessa uma fase de pessimismo, depois de ter passado pela prisão fascista, e a sua poesia é mais de desilusão, de amargura, era uma fase mais reflectiva, mais solitária, mais romântica, mais sem abandonar nunca a esperança e a sua veia de lutador.

Como homem comunista, o fervor revolucionário solta-se com a reorganização do Partido no VI congresso e em particular com o relatório, Rumo à Vitória, de Álvaro Cunhal. O pessimismo desaparece e dá lugar a uma nova poesia mais interventiva, a alargar a sua acção à comunicação social escrita com a publicação de textos, no Jornal Aurora do Lima, que o levam novamente à prisão. Com a primavera marcelista, não deixa de lutar mas a sua poesia torna-se menos “politica” e depressa regressa a desilusão, a solidão, o ruir de mitos, e até o desejo da morte. Os seus temas são agora mais neo-realistas, mas mantendo sempre presente no sua poesia o toque do agitador, do inconformista.

A linha poética de Reguengo, sugere muito José Gomes Ferreira, Antero (que Reguengo bem conhecia); António Nobre, Augusto Gil ou José Régio. Mas acima de tudo a sua poesia é muito própria, o verso curto, incisivo, nervoso, aliada a um tom sereno, feito de convicções e de generosidade, sugerindo uma musicalidade muito marcada.

[1] Esta parte de texto foi feita com base no prefácio ao livro, Poemas da Resistência, da autoria de Alberto Antunes de Abreu.

Para dar ínicio à série de poemas, começo com um muito pequeno, mas de pleno significado e que para mim é perfeitamente inspirador. Aí vai ele, chama-se,

Conquista

A janela

 Tem

 Grades;

A porta

Tem guarda;

O mundo que me dão

Conta-se aos passos …

 – E eu sou

Cada vez mais livre!

 

Alfredo Reguengo – Poemas da Resistência

(14/08/1963)

# Fernando

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A BATALHA DAS IDEIAS NA CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS (PARTE 3)

15 Fevereiro, 2009 9 comentários

Por muito que nos queiram dizer que a “crise” é fruto do tal “subprime” que estalou que nem castanhas no Outono nas mãos da banca, banqueiros e afins lá pelas Américas, eu continuo a afirmar que a mesma se deve à incompetência dos governantes, à ganância dos capitalistas e à nossa (do Povo) total ignorância e fragilidade.

Que soluções podemos apresentar para debelar a mesma?

Que fazer?

Deixar que estes mesmos incompetentes a resolvam?

Quanto à primeira questão, uma das soluções passa por tomarmos consciência que a crise é destinada a nós, é a forma do capitalismo nos vergar, nos obrigar a ceder, basta verificar as palavras do patronato vs governos, “temos a todo o custo de salvaguardar os postos de trabalho” quanto a mim é pura demagogia, a única coisa que querem salvaguardar são eles próprios, pois quando a coisa azeda, fecham e partem para outra.

Quanto à segunda questão, para problemas radicais, soluções a condizer, fábrica que encerre, será fábrica ocupado pelos trabalhadores, a auto-gestão e o cooperativismo tem raízes antigas e de sucesso, quantas empresas são geridas e bem, em regime de auto-gestão ou cooperativa, para tal basta haver vontade e determinação, para mais as mesmas estão consignadas na constituição da republica,

Artigo 61.º
(Iniciativa privada, cooperativa e autogestionária)
1. A iniciativa económica privada exerce-se livremente nos quadros definidos pela Constituição e pela lei e tendo em conta o interesse geral.
2. A todos é reconhecido o direito à livre constituição de cooperativas, desde que observados os princípios cooperativos.
3. As cooperativas desenvolvem livremente as suas actividades no quadro da lei e podem agrupar-se em uniões, federações e confederações e em outras formas de organização legalmente previstas.
4. A lei estabelece as especificidades organizativas das cooperativas com participação pública.
5. É reconhecido o direito de autogestão, nos termos da lei.

A terceira questão talvez a mais complicada de resolver, como todos sabemos e que por mais voltas que se dê, o poleiro (digo governos) giram à volta de dois partidos (PS vs PSD) com ou sem maioria serão estes os que por lá se eternizarão!!!! e como vimos gente competente não abunda por lá. Ora temos de encontrar outras soluções, pelo voto quer PCP quer BE dificilmente atingirão a governação, pelo menos nos moldes actuais, pois a forte carga ideológica do primeiro e a pouca experiência do segundo não têm dado ao Povo as orientações necessárias a que tal aconteça. Uma união das esquerdas era a solução, mas, também aqui e nos moldes actuais dificilmente acontecerá, talvez um dia, quando os mesmos abandonarem o pouco que os divide e se unirem ao muito que os une, talvez se vislumbre a luz ao fundo do túnel.

Necessitamos de mais acção e menos retórica, de mais participação e menos estaticismo, o país está mal, o Povo na sua maioria passa mal, existem gravíssimos problemas sociais que se irão inevitavelmente agravar, para a grande burguesia a crise gera riqueza, para os mais débeis a mesma gera (mais) pobreza. Temos de estar atentos e vigilantes, o capitalismo prepara-se para nas nossas costas continuar a manobrar e decidir e como todos sabemos dali não vem nada de positivo para nós.

Continua…..

# ferroadas

O NEO-LIBERALISMO OU A BURGUESIA DECADENTE

26 Novembro, 2008 1 comentário

o-libertario

 

Há uma ideia comum embora falsa de que votar a cada quatro anos para eleger uns quantos tipos pertences de uma máquina burocrática altamente centralizada significa que o povo comum controla o estado. Será mesmo assim? Obviamente que não.

O voto é uma importante vitória arrancada dos poderosos. Mas ele é apenas um pequeno passo a caminho do socialismo libertário. Todas as formas de hierarquia, até mesmo aquelas em que aqueles que estão no topo são eleitos, são marcadas pelo autoritarismo e pelo centralismo. Em todo o sistema hierárquico, o poder está concentrado no topo de uma elite de forma que a sociedade torna-se impotente para se impor ou libertar. E tudo isso, para uma vez eleitos, possam fazer tudo ao seu belo prazer. Em todas as burocracias políticas, muitas decisões importantes são tomadas por pessoas não eleitas, ou seja pelos lobys de pressão. No estado burguês acontece com frequência a passagem de fulanos da política para empresas e vice-versa o que demonstra a promiscuidade entre estas duas “castas”, poder político e poder económico.

A natureza da centralização é colocar o poder nas mãos de uns poucos privilegiados e incompetentes. A democracia representativa baseia-se nesta delegação de poder, com eleitores elegendo outros para governá-los. Além de não ajudar isto pode criar uma situação em que a liberdade é colocada em risco.

Bakunin dizia: “o sufrágio universal não previne a formação de um corpo de políticos, privilegiados, os quais, dedicando-se exclusivamente à administração dos negócios públicos da nação, acabe tornando-se uma espécie de aristocracia ou oligarquia política”

O centralismo torna a democracia sem sentido, com a tomada de decisão política sendo determinada por políticos profissionais em capitais distantes, sem autonomia local, as pessoas ficam isoladas umas das outras (atomizadas) sem qualquer forum político onde possam discutir em conjunto, debater, e decidir eles mesmos os assuntos que consideram importantes. As eleições não se baseiam em agrupamentos naturais, descentralizados e assim deixam de ser pertinentes. O indivíduo é apenas mais um “eleitor” no meio da massa, um “componente” político e nada mais.

O povo isolado não representa nenhuma ameaça aos poderes instituídos. Este processo de marginalização pode ser visto na história “ocidental”, por exemplo, quando as reuniões nas cidade foram substituídas por corporações eleitas, com os cidadãos sendo colocados no papel passivo de espectadores. Na condição de um eleitor atomizado o mesmo dificilmente terá uma noção ideal de «liberdade», apesar da retórica dos políticos sobre as virtudes de uma «sociedade livre» e de «um mundo livre» como se o acto de votar uma vez a cada quatro pudesse ser classificado como «liberdade» ou até mesmo como «democracia».

Deste modo, o interesse e o poder sociais são retirados aos cidadãos comuns e centralizados nas mãos de uns poucos. A marginalização das pessoas é o mecanismo de controle chave para o estado e para as organizações autoritárias em geral. Considerando a UE, por exemplo, verificamos que o mecanismo de tomada de decisão entre os estados que a compõem, repousa nas mãos de uns quantos funcionários burocráticos, através de grupos de trabalho altamente centralizados e centralizadores. Os encontros das cúpulas, incluem os Primeiros-ministros, que simplesmente endossam as conclusões concordadas pelos Ministros e outros burocratas que na sua maioria nada sabem dos assuntos discutidos. Só depois desse processo intergovernamental, é que os parlamentares e o povo são informados das decisões tomadas.

Assim como as elites sofrem pressões económicas, os governos também enfrentam pressões dentro do próprio estado devido à burocracia que vem com o centralismo. Há uma enorme diferença entre estado e governo.

Como Bakunin mostrou, “a liberdade só pode ser válida quando o controle popular do estado é válido. Pelo contrário, onde tal controle é fictício, esta liberdade das pessoas torna-se igualmente uma mera ficção”

Isto significa que o centralismo do estado pode-se tornar uma séria fonte de perigo à liberdade e ao bem-estar da maioria das pessoas subjugadas a ele. Porém, algumas pessoas beneficiam do centralismo estatal, esses que vegetam no poder e que querem “carta branca” para fazer o que bem entendem, ou seja, os dois sectores da elite governante e poderosa, os burocratas e os políticos profissionais, ambos vendidos ao capitalismo.

 

#ferroadas

 

 

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