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Poder Popular

23 Janeiro, 2011 Deixe um comentário

UM DIA O POVO ACORDARÁ

Temos assistido ultimamente ao descalabro total da chamada classe política do burgo. Os nossos políticos, são, na sua maioria medíocres, alguns até roçam o péssimo. Os casos de pura e dura incompetência são tantos e tão diversificados que seria fastidioso enumerá-los, para além de não caberem no espaço físico do blog. Desde a corrupção generalizada, onde (quase) todos têm as orelhas a arder, passando pelo compadrio e tachismo geral, continuando no beija-mão aos poderosos, terminando na subserviência aos chefes, tudo junto define a pobreza imensa e a falta de escrúpulos que esta gente tem.

Não me admirava nada que dentro de poucos anos só esta cambada vote neles próprios, pois tenho para mim que o Povo sente vergonha de tão “ilustres” e desavergonhados personagens e na sua imensa inteligência os mande à merda.

Penso que o sistema actual, “fabrica” às carradas, (qual fábrica chinesa de t’shirts) este tipo de mentecaptos, por isso, continuo a pensar que temos condições para mudar, para alterar o sistema, para encontrar alternativas, para, de uma vez por todas, o Povo se levantar em uníssono e dizer BASTA.

Para tal é necessário coragem e vontade. Um dia o Povo acordará.

 # Ferroadas

A HISTÓRIA DO MOVIMENTO LIBERTÁRIO EM PORTUGAL (PARTE I)

16 Novembro, 2009 4 comentários

patria livre

O lançamento do movimento libertário em Portugal é no ano de 1886, a partir da vinda do geógrafo Elisée Reclus e do seu encontro com José Antônio Cardoso.

Em 1886, formou-se um comité anarquista que editou um órgão mensal com o seu nome: “A Centelha”.

Com excepção do sindicalismo de acção directa, o anarquismo foi a componente do movimento social que exerceu mais influência na sociedade portuguesa entre 1886 e 1936.

A partir de 1886, houve um grande crescimento do número de grupos anarquistas. Em cada ano há, em média, cerca de 10 novos grupos. A corrente predominante é a do comunismo-anarquismo.

No final da monarquia, de 1908 a 1910 os republicanos aliaram-se aos anarquistas para implantarem a 1ª República, em 5 de Outubro de 1910. Foram principalmente operários que lutaram e morreram nas revoltas, enquanto os dirigentes republicanos se protegiam nos seus palacetes, esperando o resultado do golpe, para depois aparecerem como heróis da luta contra a monarquia.

Mas, logo em 1911 e 1912, o governo republicano reprime o movimento operário, e muitos operários que apoiavam a república aderiram ao anarquismo. O ritmo de constituição de grupos anarquistas acelera-se, passando de 11 em 1910, são criados mais 61 em 1911, 50 em 1912, 44 em 1913, 57 em 1914, 35 em 1915. Uns trinta novos periódicos vêm tornar mais considerável a imprensa especificamente anarquista entre 1911 e 1916. O facto mais significativo, todavia, reside talvez na criação, pelos militantes, duma Federação Anarquista do Sul (1911), duma outra no Norte (1912) e duma União Anarquista do Algarve (1912), motivados pela preocupação e eficácia. A ascensão espectacular do socialismo libertário parece tanto mais irresistível na medida em que os seus partidários tomam conta do movimento sindical no Congresso de Tomar, em 1914.

Em 1923 é criada a União Anarquista Portuguesa (UAP).

Os anos 20 foram anos de grandes movimentos sociais em que os anarquistas tiveram um papel importante.

Em 1926, realizou-se em Marselha, o Congresso da Federação de Grupos Anarquistas de Língua espanhola em França, de 13 a 16 de Maio. Este congresso havia acordado constituir a Federação Anarquista Ibérica (FAI) bem como a sede desse organismo, dadas as condições anormais de Espanha, fosse fixada em Lisboa, incumbindo a UAP desse trabalho, a qual oportunamente promoveria «um Congresso Ibérico para dar carácter definitivo à dita Federação».

O congresso da UAP, a tal respeito deliberou: «Que seja incumbido o Comité Nacional da UAP de promover uma reunião de delegados do Comité de Relações da UA Espanhola, onde sejam tratados os principais assuntos do movimento internacional e em especial a constituição da FAI».

Entretanto, a União Anarquista Espanhola promove a Conferência Anarquista de Valência, em Junho de 1927, na qual a UAP se fez representar por um delegado directo. Esta conferência mantém a decisão de Marselha quanto ao Comité da FAI, cuja sede deveria fixar-se em Lisboa, visto as condições anormais continuarem em Espanha.

A questão é que essa anormalidade na Espanha, reproduziu-se em Portugal, com continuadas repressões, vários elementos activos foram deportados para África, ficando os restantes sob uma perseguição feroz e o Comité de Relações nunca pôde ser organizado em Lisboa, criando-se mais tarde em Sevilha.

Poucos dias depois do Congresso de Marselha, dá-se o golpe militar de 28 de Maio de 1926, que esteve na origem de uma ditadura militar (1926-1933) e alguns anos mais tarde, em 1933, instaurou-se o Estado Novo, ou ditadura de Salazar, que durou até a 25 de Abril de 1974.

Em 1936, a CGT ainda se faz representar no congresso da CNT, em Saragoça.

Em 1938, o movimento anarquista é já precário. Um grupo de militantes, entre os quais Emídio Santana, fez um atentado falhado contra Salazar.

A partir dessa altura, deixa praticamente de existir um verdadeiro movimento, devido à repressão e ao desmantelamento das organizações.

Ferroadas

AUTOGESTÃO

15 Julho, 2009 1 comentário

SALVADOR ALLENDEimagem net

No Chile, sob o governo de Allende (1970-73) mais de 125 empresas estavam em autogestão. Estudos demonstraram que as mesmas eram mais produtivas e eficientes que as empresas estatais. O movimento AGT (autogestão dos trabalhadores) criou “cordões industriais” que coordenavam a produção e a auto-defesa contra os ataques capitalistas. Nas empresas controladas em AGT, as disputas entre o partidos e  sindicatos estavam subordinadas ao poder das assembleias populares nas quais todos os trabalhadores da fábrica participavam. As AGT´s defendiam as empresas do seu fecho, protegia o emprego dos trabalhadores e melhorava consideravelmente as condições sociais de trabalho. Mais importante, propulsava a consciência política dos trabalhadores. Desafortunadamente, as AGT´s tiveram lugar sob um regime socialista parlamentar e um estado capitalista. O governo de Allende tratou de manter o equilíbrio entre os dois centros de poder, rejeitando fortalecer ou reprimir os trabalhadores. O resultado foi o golpe militar de 1973 que levou à queda de Allende e a destruição do movimento das AGT’s. A lição foi clara: enquanto as AGT´s avançavam e se expandiam por todo o país, a deslocada classe capitalista recorria à violência e à repressão para recuperar o controle sobre os meios de produção. Os capitalistas primeiro tentaram sabotar a distribuição e produção mediante greves nos transportes, depois tentaram bloquear o financiamento e, finalmente, recorreram ao exército e à ditadura. As AGT´s tentaram pressionar Allende para que actuasse decisivamente frente à ameaça iminente, mais ele estava comprometido com os procedimentos parlamentares e as AGT´s foram vencidas.

# ferroadas

 

Processos Revolucionários: Revolução Cubana I

24 Junho, 2009 4 comentários

«A Revolução popular avançada desde Janeiro de 1959 é um resultado, historicamente necessário, das consequências funestas para a nação e para o povo, e das contradições insolúveis que caracterizam o regime de subordinação ao imperialismo estrangeiro, à economia semicolonial dentro de uma estrutura capitalista e o latifúndio semifeudal.cuba livre 2

daqui

Dentro desse regime, dominado pelo imperialismo ianque, Cuba não podia resolver nenhum dos seus problemas básicos: não podia acabar com o seu atraso económico, com o monocultivo, com o desemprego crónico, com a fome e a miséria de amplos sectores operários e camponeses, com o analfabetismo e a falta de direitos democráticos e liberdades verdadeiras para o povo».

in Introdução, Os Comités de Defesa da Revolução – uma das grandes criações da revolução cubana, Iniciativas Editoriais, Lisboa

#Kaótica

Pode alguém ser quem não é?

16 Junho, 2009 1 comentário

liberdade2Imagem daqui

O Paradoxo da Liberdade

É porque eu sou a minha voz, é porque ela existe minha no instante em que a estou erguendo, que me escapa a sua intelecção. E todo o equívoco do problema da liberdade está aí. Porque a liberdade experimenta-se e nada a pode demonstrar. Demonstrá-la exigiria que estivéssemos fora de nós, porque na própria demonstração estamos sendo o homem livre cuja liberdade desejávamos provar. Assim essa tentativa, como disse, é tão absurda como pretender a intelecção de uma língua fora de uma qualquer língua. Porque enquanto entendo uma língua, estou sendo aquela língua dentro da qual estou entendendo a outra. Quanto estou tentando entender a minha liberdade estou sendo quem sou na intelecção disso que sou. Eis-nos pois remetidos para o limiar de nós próprios, para o absoluto da escolha antes da escolha, para a identidade incompreensível entre o ser que é o nosso e a escolha desse ser.
Que tem que fazer aqui a razão? Somos livres, como sabemos na consciente vivência do acto de ser consciente. Somos livres, como o sabemos da possibilidade de se ser e de se saber que se é, da infinita e infinitesimal diferença entre mim e mim, entre ser-se o que se é e o saber-se que se é esse ser, da infinitesimal diferença entre o ser que é o nosso e o ter querido ser esse ser.
Mas do estar-se sendo quem se é e do paralelo saber-se que se é e se quis ser esse ser, não é possível arrancarmo-nos nem para sermos outro ser diferente daquele que se quis ser, nem para entendermos como e porquê o que nos faz querer ser o que somos, nos fez de facto querer ser esse ser. Porque quando queremos isso e nos colocamos pois antes disso, já estamos sendo esse isso. Assim a intelecção da liberdade oscila perpetuamente entre a afirmação gratuita dessa liberdade e de um rigoroso determinismo. É-se livre quando se é quem se é; mas sermos quem somos é termos de ser esse que somos, já que não podemos ser quem não somos. Assim essa liberdade é ininteligível e sem fundo, pólo da nossa infinitude, significação-limite do sermo-nos.

Vergílio Ferreira, in ‘Invocação ao Meu Corpo’

in Citador

#Kaótica

CONQUISTA

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Nos próximos posts, irei publicar alguns poemas de Alfredo Reguengo, retirados do livro “Poemas da Resistência” que me foi oferecido gentilmente pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia da Meadela, a quem Alfredo Reguengo legou toda a sua biblioteca pessoal. Este livro atravessa o período entre 1937 e Abril de 1974.

 Não conheci Alfredo Reguengo, pessoalmente. Retenho dele apenas uma muita vaga ideia, julgo que tinha um pequeno comércio de mercearia, na rua Gago Coutinho, em Viana do Castelo. Não tenho contudo a certeza, pelo que esta informação vai com todas as reservas. Mas aquela figura esguia, simpática, intensamente introspectiva, está bem presente na minha memória.

Alfredo Reguengo* era um homem, atento à actualidade e preocupado. O seu primeiro livro, “Poema dos 20 anos”, foi publicado muito cedo e o primeiro bloco de poemas da resistência, sob o pseudónimo de Julião Ricardo, foi composto entre 1937 e 1941, no período mais duro da repressão Salazarista e após a vitória franquista, na guerra civil da vizinha Espanha e no melhor período do III Reich.

Os seus escritos não poderiam, sendo ele um homem da resistência, de ser marcados por esses tempos de guerras. Eram contudo muito intimistas, voltados para o despertar de consciências, a união de esforços. “Irmão” ou “Multidão”eram palavras muito usadas, para designar o seu povo e os chamar ao combate contra a opressão e a guerra, pelas liberdades.

Esta colectânea de poemas da resistência, perpassa depois a vitória dos aliados e o seu discurso é mais poético, menos impulsivo e os temas são mais a preocupação pelo social, o quotidiano, a luta por uma vida melhor, as referências aos trabalhadores, aos pescadores, às condições de vida. Mais tarde, com a desilusão a fazer-se sentir, atravessa uma fase de pessimismo, depois de ter passado pela prisão fascista, e a sua poesia é mais de desilusão, de amargura, era uma fase mais reflectiva, mais solitária, mais romântica, mais sem abandonar nunca a esperança e a sua veia de lutador.

Como homem comunista, o fervor revolucionário solta-se com a reorganização do Partido no VI congresso e em particular com o relatório, Rumo à Vitória, de Álvaro Cunhal. O pessimismo desaparece e dá lugar a uma nova poesia mais interventiva, a alargar a sua acção à comunicação social escrita com a publicação de textos, no Jornal Aurora do Lima, que o levam novamente à prisão. Com a primavera marcelista, não deixa de lutar mas a sua poesia torna-se menos “politica” e depressa regressa a desilusão, a solidão, o ruir de mitos, e até o desejo da morte. Os seus temas são agora mais neo-realistas, mas mantendo sempre presente no sua poesia o toque do agitador, do inconformista.

A linha poética de Reguengo, sugere muito José Gomes Ferreira, Antero (que Reguengo bem conhecia); António Nobre, Augusto Gil ou José Régio. Mas acima de tudo a sua poesia é muito própria, o verso curto, incisivo, nervoso, aliada a um tom sereno, feito de convicções e de generosidade, sugerindo uma musicalidade muito marcada.

[1] Esta parte de texto foi feita com base no prefácio ao livro, Poemas da Resistência, da autoria de Alberto Antunes de Abreu.

Para dar ínicio à série de poemas, começo com um muito pequeno, mas de pleno significado e que para mim é perfeitamente inspirador. Aí vai ele, chama-se,

Conquista

A janela

 Tem

 Grades;

A porta

Tem guarda;

O mundo que me dão

Conta-se aos passos …

 – E eu sou

Cada vez mais livre!

 

Alfredo Reguengo – Poemas da Resistência

(14/08/1963)

# Fernando

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