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Posts Tagged ‘REVOLUÇÃO’

É HORA DE DIZER BASTA

11 Março, 2010 2 comentários
O governo prepara-se para entregar ao grande patronato mais uma fatia de empresas estratégicas e rentáveis. Em nome da “crise” que a existir é só para alguns, estes liberais a roçar o ultra-conservadorismo, vão dar aquilo que poderia e deveria ser do Povo. Falavam de Cavaco que em tempos fez merda idêntica, Ferreira Leite segui-lhe os passos,  contribuindo para o acumular de riqueza por parte de amorins e quejandos, o Povo, esse, continua impávido e sereno a assistir à degola daquilo que lhe pertence. Que país é este que todo o seu tecido produtivo está em farrapos ou para lá caminha e o que nos resta é entregue assim ao grande capital? Para onde caminhamos?  Onde está este Povo que conheci e que se batia por ideais? Onde estão os “grandes” pensadores da esquerda? Onde dizem a isto? Não bastam as greves pontuais e as manifestações de encher o olho, o Povo quer acção, se não são capazes ou lhes falta a coragem, demitam-se e entreguem o destino do Povo ao Povo.
 
Meus amigos, já é mais que hora de dizer basta a esta gente, é hora de nos unirmos e correr com a BESTA.
 
Só nós o poderemos fazer, vamos para as ruas, para as fábricas, para os campos, deixe-mo-nos de individualismos bacocos e, de uma vez por todas, dizer BASTA.  
 

18 DE JANEIRO DE 1934

18 Janeiro, 2010 1 comentário

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Não é de mais ainda aconselhar a leitura da obra de Fátima Patriarca “Sindicatos contra Salazar. A Revolta do 18 de Janeiro de 1934” (Imprensa de CiênciasSociais, 2000) de que deixamos aqui parte da resenha que mereceu na Análise Social por Henrique N. Rodrigues: 

(…) 1.º Não tem qualquer sentido reconduzir o 18 de Janeiro à Marinha Grande. Fica mais do que demonstrado que a versão oficial (interesseira, por natureza) e a versão do Partido Comunista (também obviamente interesseira) — ao prestarem destaque quase único à Marinha Grande, aos vidreiros e à liderança comunista não logram comprovativo na realidade dos factos.
2.º Ganha sentido, sim, «recolocar» o 18 de Janeiro na sua dimensão histórica exacta: um movimento operário insurreccional, que visava a reconquista das liberdades sindicais, a par do derrube do regime do Estado Novo.
3.º Neste contexto, a Marinha Grande é um episódio «mediático» (assim o diríamos na linguagem corrente), porque envolve uma ocupação da vila pelos revoltosos — ainda que de duração muito curta —, o assalto aos correios e a rendição da GNR. Sobretudo esta é, de facto,paradigmática. Mas não há greve, não houve «soviete» nem içar de bandeira vermelha nos Paços do Concelho.
4.º O episódio da Marinha Grande é, por outro lado, reposto quanto à autoria do seu comando: se é verdade que a CIS e o PC têm peso significativo na direcção do Sindicato Nacional dos Vidreiros, não é menos verdade que se comprova a participação empenhada da CGT ede trabalhadores de outras correntes político-sindicais.
5.º Fica igualmente comprovado que o movimento operário insurreccional, de que expressões concretas vão ter lugar para além da Marinha Grande, se gera e desenvolve com oconcurso das duas principais correntes sindicais — a anarquista e a comunista — e com o envolvimento dos sindicalistas socialistas ( a Federação das Associações Operárias) e da corrente sindicalautónoma (COSA — Comité das Organizações Sindicais Autónomas).
6.º Fátima Patriarca descreve bem os entendimentos e desentendimentos surgidos entre estas várias correntes e clarifica melhor o seu peso respectivo. É indubitável que a CGT e a corrente sindical anarquista tiveram, neste processo, uma influência marcante. Isto não elimina o papel dos comunistas — que não pode ser esquecido ou menorizado —, mas repõe a verdade essencial: e essa é a do contributo das várias tendências sindicais (anarquista, comunista, socialista e a dos autónomos), segundo os factos que conseguiu demonstrar.Não me parece que seja muito importante, hoje, «contar espingardas», ou seja, procurar apurar se os anarquistas foram mais decisivos do que os comunistas, ou se os socialistas ou os autónomos não tiveram significado relevante. Houve uma convergência de esforços, emergiu uma implicação de todos — mesmo que não tenha ocorrido uma unidade estratégica, organizativa, táctica, como parece evidente pela comprovação dos desencontros, pelas falhas de articulação, pelas recriminações que, «antes e depois», choveram de uma banda e de outra, em recíprocas acusações.
7.º Neste contexto, importaria retirar a conclusão de que o «18 de Janeiro» merece ser comemorado, doravante, não apenas na Marinha Grande, como tem sido tradicional, mas também em Silves, em Sines, em Almada, zonas onde a «história que se fez» deixou na tumba as ocorrências — essas, sim, muito significativas — do que ali se passou; mas onde a «históriaque hoje rompe novos véus» já permite, sem margem para dúvidas, reconhecer que o «18 de Janeiro» é ali que conquista contornos historicamente mais iluminantes. Em suma, Silves, Sines, Almada, precisam de ser «transladadas» da campa rasa em que as colocaram para o «panteão» do verdadeiro «18 de Janeiro».

Texto retirado DAQUI

Ferroadas

 

A HISTÓRIA DO MOVIMENTO LIBERTÁRIO EM PORTUGAL (PARTE I)

16 Novembro, 2009 4 comentários

patria livre

O lançamento do movimento libertário em Portugal é no ano de 1886, a partir da vinda do geógrafo Elisée Reclus e do seu encontro com José Antônio Cardoso.

Em 1886, formou-se um comité anarquista que editou um órgão mensal com o seu nome: “A Centelha”.

Com excepção do sindicalismo de acção directa, o anarquismo foi a componente do movimento social que exerceu mais influência na sociedade portuguesa entre 1886 e 1936.

A partir de 1886, houve um grande crescimento do número de grupos anarquistas. Em cada ano há, em média, cerca de 10 novos grupos. A corrente predominante é a do comunismo-anarquismo.

No final da monarquia, de 1908 a 1910 os republicanos aliaram-se aos anarquistas para implantarem a 1ª República, em 5 de Outubro de 1910. Foram principalmente operários que lutaram e morreram nas revoltas, enquanto os dirigentes republicanos se protegiam nos seus palacetes, esperando o resultado do golpe, para depois aparecerem como heróis da luta contra a monarquia.

Mas, logo em 1911 e 1912, o governo republicano reprime o movimento operário, e muitos operários que apoiavam a república aderiram ao anarquismo. O ritmo de constituição de grupos anarquistas acelera-se, passando de 11 em 1910, são criados mais 61 em 1911, 50 em 1912, 44 em 1913, 57 em 1914, 35 em 1915. Uns trinta novos periódicos vêm tornar mais considerável a imprensa especificamente anarquista entre 1911 e 1916. O facto mais significativo, todavia, reside talvez na criação, pelos militantes, duma Federação Anarquista do Sul (1911), duma outra no Norte (1912) e duma União Anarquista do Algarve (1912), motivados pela preocupação e eficácia. A ascensão espectacular do socialismo libertário parece tanto mais irresistível na medida em que os seus partidários tomam conta do movimento sindical no Congresso de Tomar, em 1914.

Em 1923 é criada a União Anarquista Portuguesa (UAP).

Os anos 20 foram anos de grandes movimentos sociais em que os anarquistas tiveram um papel importante.

Em 1926, realizou-se em Marselha, o Congresso da Federação de Grupos Anarquistas de Língua espanhola em França, de 13 a 16 de Maio. Este congresso havia acordado constituir a Federação Anarquista Ibérica (FAI) bem como a sede desse organismo, dadas as condições anormais de Espanha, fosse fixada em Lisboa, incumbindo a UAP desse trabalho, a qual oportunamente promoveria «um Congresso Ibérico para dar carácter definitivo à dita Federação».

O congresso da UAP, a tal respeito deliberou: «Que seja incumbido o Comité Nacional da UAP de promover uma reunião de delegados do Comité de Relações da UA Espanhola, onde sejam tratados os principais assuntos do movimento internacional e em especial a constituição da FAI».

Entretanto, a União Anarquista Espanhola promove a Conferência Anarquista de Valência, em Junho de 1927, na qual a UAP se fez representar por um delegado directo. Esta conferência mantém a decisão de Marselha quanto ao Comité da FAI, cuja sede deveria fixar-se em Lisboa, visto as condições anormais continuarem em Espanha.

A questão é que essa anormalidade na Espanha, reproduziu-se em Portugal, com continuadas repressões, vários elementos activos foram deportados para África, ficando os restantes sob uma perseguição feroz e o Comité de Relações nunca pôde ser organizado em Lisboa, criando-se mais tarde em Sevilha.

Poucos dias depois do Congresso de Marselha, dá-se o golpe militar de 28 de Maio de 1926, que esteve na origem de uma ditadura militar (1926-1933) e alguns anos mais tarde, em 1933, instaurou-se o Estado Novo, ou ditadura de Salazar, que durou até a 25 de Abril de 1974.

Em 1936, a CGT ainda se faz representar no congresso da CNT, em Saragoça.

Em 1938, o movimento anarquista é já precário. Um grupo de militantes, entre os quais Emídio Santana, fez um atentado falhado contra Salazar.

A partir dessa altura, deixa praticamente de existir um verdadeiro movimento, devido à repressão e ao desmantelamento das organizações.

Ferroadas

AUTOGESTÃO

15 Julho, 2009 1 comentário

SALVADOR ALLENDEimagem net

No Chile, sob o governo de Allende (1970-73) mais de 125 empresas estavam em autogestão. Estudos demonstraram que as mesmas eram mais produtivas e eficientes que as empresas estatais. O movimento AGT (autogestão dos trabalhadores) criou “cordões industriais” que coordenavam a produção e a auto-defesa contra os ataques capitalistas. Nas empresas controladas em AGT, as disputas entre o partidos e  sindicatos estavam subordinadas ao poder das assembleias populares nas quais todos os trabalhadores da fábrica participavam. As AGT´s defendiam as empresas do seu fecho, protegia o emprego dos trabalhadores e melhorava consideravelmente as condições sociais de trabalho. Mais importante, propulsava a consciência política dos trabalhadores. Desafortunadamente, as AGT´s tiveram lugar sob um regime socialista parlamentar e um estado capitalista. O governo de Allende tratou de manter o equilíbrio entre os dois centros de poder, rejeitando fortalecer ou reprimir os trabalhadores. O resultado foi o golpe militar de 1973 que levou à queda de Allende e a destruição do movimento das AGT’s. A lição foi clara: enquanto as AGT´s avançavam e se expandiam por todo o país, a deslocada classe capitalista recorria à violência e à repressão para recuperar o controle sobre os meios de produção. Os capitalistas primeiro tentaram sabotar a distribuição e produção mediante greves nos transportes, depois tentaram bloquear o financiamento e, finalmente, recorreram ao exército e à ditadura. As AGT´s tentaram pressionar Allende para que actuasse decisivamente frente à ameaça iminente, mais ele estava comprometido com os procedimentos parlamentares e as AGT´s foram vencidas.

# ferroadas

 

ATENTADO A SALAZAR

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Emídio Santana militou nas Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga Confederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa.
No seguimento do golpe militar fascista de 28 de Maio de 1926, desenvolveu uma actividade de resistência contra a ditadura e actividade sindical clandestina.
Em 1936, representou a CGT portuguesa no congresso da Confederação Geral do Trabalho de Espanha.
Em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado a Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa. Na sequência do atentado, Emídio Santana é procurado pela PIDE e foge para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prende e envia para Portugal onde é condenado a 16 anos de prisão.
A partir do fim da ditadura1974, Emídio Santana retoma a vida militante activa, nomeadamente como director do jornal A Batalha.
Em 1985, Emídio Santana escreveu Memórias de um militante anarcossindicalista, livro onde recorda momentos importantes da sua vida de militância política
Emídio Santana nasceu em a Lisboa, 4 de Julho de 1906, faleceu também em Lisboa, a 16 de Outubro de 1988 foi um dos mais importantes militantes portugueses do anarcossindicalismo. Foi autor de diversos artigos e ensaios sobre o anarcossindicalismo e o mutualismo.
 
# Ferroadas

Processos Revolucionários: Revolução Cubana II

cuba usa embargocartoon daqui

«(…)

Para eliminar as seculares causas do subdesenvolvimento e suas consequências, a Revolução Cubana, definida como uma revolução nacional-libertadora, democrática, anti-imperialista, iniciou a realização de quatro grandes objectivos estratégicos desta primeira etapa do seu desenvolvimento:

1) A Reforma Agrária e o aumento e diversificação da produção agropecuária com vista à satisfação das necessidades nacionais.

2) A industrialização nacional.

3) Romper o monopólio e controle semicolonial que sobre o nosso comércio exterior exerciam os Estados Unidos.

4) Acabar com o controle estrangeiro sobre a economia cubana e estabelecer o domínio nacional sobre ela e sobre todas as riquezas nacionais.

(…) A Lei de Nacinalização das empresas ianques, de 6 de Julho de 1960, colocou fora de combate os banqueiros, os grandes capitalistas e os grandes comerciantes, privando desta forma o imperialismo da fundamental base social que podia apoiá-lo na sua tentativa de fazer retornar o país ao passado.

(…) Por outro lado, o imperialismo accionava os seus organismos internacionais, principalmente a imprensa, para caluniar e desprestigiar a Revolução cubana, iniciando uma feroz campanha anticomunista, em defesa da «democracia», da «liberdade» e da «civilização ocidental cristã», de Fulgencio Batista, Oliveira Salazar, Marcelo Caetano, Augusto Pinochet e muitos outros «dignos» representantes.

(…)»

in Introdução, Os Comités de Defesa da Revolução – uma das grandes criações da revolução cubana, Iniciativas Editoriais, Lisboa

#Kaótica

25 DE ABRIL SEMPRE

25 Abril, 2009 3 comentários

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20-7-1974,in Diário de Lisboa (suplemento mosca), n. 18516, p. 3

 A contestação é legítima assim como o direito à reunião, à manifestação e à livre expressão. Essas são aliás algumas das mais preciosas conquistas do 25 de Abril que ainda conservamos. Parte da nossa vontade agir em conformidade com esse direito, e usá-lo.

Os governantes estão no poder mandatados pelo voto popular. Mas há quem diga que estão “mandados” (por que outras forças que se sobrepõem aos interesses da Nação?). Se o povo não está contente com o rumo de Portugal, com os governantes, com as leis absurdas que foram pondo em prática, com a corrupção, a falta de respostas da justiça, da saúde e da educação, com as imposições dos tratados da União Europeia, então que não vote em nenhuma dessa gente que já lá esteve antes contribuindo para este estado das coisas. Dizem-nos que é a crise mas nós sabemos quem fica a lucrar com ela. Já passámos por várias outras crises e são sempre os trabalhadores que saem a perder. Os portugueses têm que voltar a unir-se por uma governação verdadeiramente socialista e recusar colaborar e legitimar esta fantochada. Se baixarmos agora a resistência e dermos votos ao autoritarismo vigente corremos o risco de perder a Democracia e o que nos resta dos direitos conquistados. 25 de ABRIL, SEMPRE!

 

Kaótica

O Pafúncio

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O que o actual sistema ultra-liberal, ultra-capitalista, ultra-conservador com contornos e tiques fascisoides está a fazer ao espírito do 25 de Abril é, pura e simplesmente, tentar acabar com o mesmo.

Nunca um governo do pós-25 de Abril foi tão arrogante, incompetente e inimigo do Povo, nunca as suspeições de corrupção foram tão evidentes, tão feitas às claras, nunca governantes e seus lacaios conseguiram tanta impunidade, tanta trapaça, tanta vigarice.

Os Homens e Mulheres que fizeram a revolução devem-se sentir tristes e frustrados por verificarem que passados trinta e cinco anos e ao contrário do que previram, Portugal é governado por uma chusma de oportunistas, vigaristas e trafulhas.

Também todos os anti-fascistas, desde anarquistas, libertários, comunistas, socialistas, passando pelos verdadeiros sociais-democratas, todos eles os quais muitos com a própria vida, encarcerados em prisões miseráveis e ilegais, campos de concentração desprezíveis, todos esses devem perguntar agora: de que valeu o nosso sacrifício se as coisas estão na mesma ou piores?

 

VIVA O 25 DE ABRIL DO POVO

VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR

 

# ferroadas

 

DIA DA LIBERDADE!

25abril

 

# Marreta

 

 

Gritem façam qualquer coisa mas não fiquem parados!

O que aconteceu ao meu país?
Não me venham com a treta do D.Sebastião,que nevoeiro vos tapa os olhos?
Os olhos dos portugueses estão tristes e não é só às vezes
Porque paira no ar este anticiclone de tristeza?
Até os cantores se calaram, já não há mais vontade de cantar
Já não se baila e de repente vai-se perdendo o jeito de lutar.
Quem quer matar o meu país?